Pesquisadores da EERP desenvolvem estudos sobre bullying e hanseníase fora do país

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A influência de variáveis familiares na prática do bullying escolar e a hanseníase na perspectiva de profissionais da saúde são os temas de dois estudos internacionais realizados por pesquisadores da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP. O doutorando Wanderlei Oliveira e a mestranda Karen Santos, ambos da EERP, fazem pós-graduação sanduíche na Universidade Católica do Sagrado Coração, Itália, e na Universidade de Limoges, França, respectivamente.

Wanderlei é psicólogo, e doutorando no Programa de Enfermagem em Saúde Pública, da EERP, com orientação da professora Marta Angélica Iossi. O pós-graduando iniciou suas atividades no exterior em janeiro de 2015, com a pesquisa Relações entre bullying na adolescência e interações familiares: do singular ao plural. Na Itália recebe orientação da professora Simona Caravita.

O tema do estudo de Karen é Significados e Sentidos da Hanseníase para os trabalhadores da saúde, orientada no Brasil por Cinira Fortuna e na França é pela professora Patricia Alonso.

Segundo Wanderlei, os objetivos da pesquisa são conhecer e analisar a relação entre a qualidade das interações familiares de adolescentes e o envolvimento em práticas de bullying escolar, na perspectiva dos próprios adolescentes. “A novidade do estudo reside na incorporação de variáveis familiares no debate sobre esse fenômeno, uma vez que as pesquisas, sobretudo no Brasil, ainda se concentram na caracterização do fenômeno ou em abordagens focalizadas no cenário escolar”.

Para o pesquisador, “o estudo ampliará, dessa forma, a compreensão do bullying e incorporará análises que poderão subsidiar práticas em saúde, principalmente na atenção primária, e programas de intervenção intersetoriais, com diferentes frentes de atuação”. O doutorando explica que, na realidade italiana, as questões sobre o bullying estão relacionadas com a origem étnica ou territorial. Para ele, o Brasil também pode ser visto da mesma forma, uma vez que é um país com vasta diversidade e de proporções continentais.

Dentre algumas experiências que a pesquisa proporcionou em sua vida, o aluno destaca que, “quando se trata de doutorado sanduíche, se estabelece relação que preza pelo compartilhar do saber, como em Grupo de Estudos, Ensino e Pesquisa do Programa de Atenção Primária de Saúde do Escolar (PROASE) na área da violência escolar ou mesmo em questões metodológicas.” O estágio sanduíche de Wanderlei, termina em no dia 31 de dezembro de 2015. Seu doutorado será concluído no Brasil, com previsão da defesa para o mês de outubro de 2016.

Hanseníase

Karen Santos é mestranda no Programa de Saúde Pública, participa do Grupo Núcleo de Pesquisas e Estudos em Saúde Coletiva (NUPESCO) e está na França desde agosto de 2015. No Brasil, ela recebe a orientação da professora Cinira Fortuna, já na França é orientada pela professora Patricia Alonso. O tema da pesquisa de Karen no Brasil é Significados e Sentidos da Hanseníase para os trabalhadores da saúde. Na França, a aluna pretende manter o mesmo tema, trabalhando com a temática da hanseníase e utilizando o referencial teórico da análise institucional.

Segundo a mestranda, sua pesquisa é importante para a compreensão do pensamento e da linguagem utilizada pelos trabalhadores que lidam com pessoas atingidas pela hanseníase. O estudo irá possibilitar interpretação das relações entre profissional e usuário, profissional e serviço e profissional e sociedade. Karen explica que as aulas do mestrado na França são direcionadas aos aspectos pedagógicos e institucionais da formação de adultos. O mestrado sanduíche termina no mês de junho de 2016, e então a aluna retorna ao Brasil para finalizar o estudo na EERP.

No Brasil, a aluna participou como diretora do documentário Hanseníase recontada, revivida, da Liga de Hanseníase da EERP. Karen também foi a primeira presidente da Liga. Todos os seus trabalhos foram orientados pela professora Cinira Fortuna.

A pós-graduação sanduíche é um período que o aluno realiza seus estudos fora do seu país de origem. A média é de um ano, mas antes de ingressar na universidade estrangeira, é necessário que tenha iniciado uma parte dos estudos em seu país. O termo sanduíche se dá em função de acontecer a vivência no exterior no meio do curso.

Raquel Duarte / Assessoria de Comunicação da EERP

Mais informações: wanderleio@hotmail.com, com Wanderlei Oliveira; karen-web@hotmail.com, com Karen Santos

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