Programa Embaixadores da USP convoca novos participantes

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“A USP não é para mim, não tenho capacidade”; “Na USP só entra gente rica, estudante de escola pública não tem chance”. É comum escutar frases como essas pelos corredores das escolas públicas do Estado de São Paulo. Essa ideia da USP como lugar inatingível está hoje enraizada na mentalidade de muitos jovens.

Mas não é somente por considerarem a prova difícil que muitos ficam de fora do vestibular: grande parte desconhece a face pública e gratuita da Universidade e os programas existentes que facilitam o acesso de alunos da rede pública.

Para informá-los, foi criado o Programa Embaixadores da USP, com o objetivo de divulgar a USP nas escolas públicas do Estado. Atualmente em sua 5ª edição, o programa está convocando novos participantes para 2012.

A iniciativa

O programa destina-se a combater o desconhecimento a respeito da USP e seus programas de inclusão, ressaltando seu caráter público e gratuito, a possibilidade de isenção da taxa de inscrição e o acréscimo de pontos no vestibular. Além disso, apresenta o programa de apoio à permanência estudantil após o ingresso, por meio de bolsas e incentivos para reduzir a evasão e melhorar o desempenho acadêmico dos estudantes.

Para tanto, alunos da graduação, da pós-graduação e professores são convidados a se tornarem “embaixadores”. Eles recebem a tarefa de visitar uma escola e explicar sobre as possibilidades existentes, como o Programa de Inclusão Social da USP (Inclusp) e o Programa de Avaliação Seriada da USP (Pasusp).

“Os embaixadores têm que mostrar para os alunos por que entrar na USP – e não porque é de graça, mas pela sua qualidade -, combater a autoexclusão, mostrando que não é impossível e, por último, a maneira de se fazer isso”, explica o professor Mauro Bertotti, assessor da Pró-Reitoria de Graduação da USP.

Experiências

Embaixador no ano passado, o professor Luis Antonio Bittar Venturi, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, conta que visitou quatro escolas: duas em Itapecerica da Serra e duas em São Lourenço da Serra, ambas cidades da Região Metropolitana de São Paulo. “Eu comecei escolhendo uma escola, mas aí um diretor foi falando para o outro, e o diretores me ligavam e perguntavam: você não pode vir aqui também?”. Ele destaca que os professores acabavam se interessando e pediam informações sobre a pós-graduação. “Acabei virando embaixador da USP para a pós”, brinca.

Para ele, os benefícios do programa incluem a transformação do embaixador, passam pela inclusão social na Universidade e vão até a criação de uma nova perspectiva para o aluno da rede pública. “Para mim o grande ganho foi passar a ver a escola pública de uma forma mais otimista. E para os alunos, a desmistificação da USP como um lugar inatingível”, afirma.

Apesar do aumento da porcentagem de ingressantes de alunos da escola pública neste ano (28%, registrando aumento de dois pontos percentuais em relação ao ano passado), Venturi acredita que a universidade ainda precisa expandir sua relação com esses estudantes.

Segundo ele, a reação à visita foi estimulante, mas a surpresa veio de perguntas inusitadas:

“Eles queriam saber quanto é a mensalidade. Muitos não têm noção de que a USP é pública, e isso mostra como a gente ainda está distante da escola pública”.

Aline Paiva, embaixadora e aluna da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, conta que sempre foi estudante de escola pública e, ao passar no vestibular, quis mostrar aos colegas que podiam entram também. “Visitei a minha antiga escola e consegui transmitir aos meus ex-colegas um pouco da minha experiência. Fiz o que gostaria que tivessem feito por mim quando eu estava na mesma situação”, relata.

Educação pública

Atravessando as fronteiras da Universidade, o programa também visa contribuir para melhorar a educação na rede pública. Além de incluir mais alunos pelo vestibular, uma vantagem a longo prazo seria fazer com que, enxergando os benefícios obtidos pelo estudante da rede pública, os pais não colocassem seus filhos em escolas particulares.

“Talvez seja utopia, mas a gente acha que se conseguirmos fazer a classe média colocar seus filhos em escola pública, eventualmente a cobrança maior faria com que o ensino público melhorasse”, aponta o professor Mauro.

Como participar

Em 2011, participaram 300 alunos e 150 professores, que visitaram escolas em 75 municípios de São Paulo. Até o ano passado, somente professores e calouros que participaram do Inclusp podiam ser embaixadores. Esse ano, o programa se extende também para todo o corpo discente, tanto da graduação quanto da pós.

Os alunos de graduação recebem um auxílio financeiro no valor de R$ 90,00, se a escola visitada for em São Paulo Capital, ou R$ 120,00 se for em outro município da Grande São Paulo ou do Interior do Estado. Os alunos da pós-graduação recebem um vale livro da Edusp no valor de R$ 90,00, e os professores, um vale livro da Edusp no valor de R$ 120,00 e um vale-refeição no clube dos professores.

As inscrições vão até o dia 25 e podem ser feitas pelo site da Pró-Reitoria de Graduação.

Para saber mais sobre os programas de inclusão da USP, acesse o site do Inclusp e do Pasusp. 

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