Teste avalia novas combinações de materiais em pavimentação

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O Departamento de Engenharia de Transportes (PTR) da Escola Politécnica (Poli) da USP coordena uma pesquisa que estuda a combinação de diversos tipos de materiais para encontrar as melhores soluções em pavimentação em concreto continuamente armado, com aplicações em áreas de tráfego de veículos pesados, como rodovias, aeroportos e corredores de ônibus. Estão sendo estudados dois tipos diferentes de aço, quatro tipos de concreto e dois tipos de cimento em uma pista-teste — um trecho de 200 metros foi pavimentado no último dia 26 de janeiro, na Cidade Universitária (zona oeste de São Paulo).

A pesquisa é coordenada pelo chefe do PTR e do Laboratório de Mecânica de Pavimentos (LMP), José Tadeu Balbo, e dela participam as empresas Votorantim Siderurgia, Votorantim Cimentos, Engemix, Engenharia de Pisos, Construtora OAS, Serveng Mineração, Construtora Norberto Odebrecht e Grace, além da Prefeitura do Campus da Capital. Foram investidos cerca de R$ 500 mil, e todo o financiamento vem da iniciativa privada. Foram dois anos e meio de conversas para construir a parceria.

Enquanto a pavimentação asfáltica dura cerca de dez anos, uma feita em concreto convencional pode durar 20 anos e uma em concreto continuamente armado, como o que está em teste na USP, pode chegar a 40 anos. “O Brasil é um país essencialmente rodoviário e carente de soluções de alta durabilidade. Precisamos de pavimentos mais robustos em grandes rodovias e que demandem pouca manutenção”, aponta o professor Balbo.

A pista-teste fica paralela à raia da USP, perto da Portaria 2, um trecho no qual circulam carros e ônibus coletivos. Uma de suas inovações é o fato de ser um longo trecho sem juntas como o pavimento de concreto convencional, o que aumenta o conforto e a segurança ao se dirigir, além de reduzir os custos com o desgaste dos veículos. Até agora a Poli tinha feito pesquisas semelhantes usando uma variedade menor de materiais e em trechos mais curtos, os quais, tecnicamente, não precisam de emenda.

Concreto para pavimentação

No Brasil já se usa concreto para pavimentação, mas, por limitações de custos e de transferência dos conhecimentos acadêmicos, é muito mais frequente a aplicação do asfalto. Países europeus e Estados Unidos usam o concreto armado ou a combinação de concreto e asfalto, soluções mais caras, mas cujos custos se diluem ao longo dos anos pela economia na manutenção e maior durabilidade. Trata-se de uma solução viável para rodovias, corredores de ônibus, pátios de estacionamento de aeronaves em aeroportos, por exemplo.

Foram usados 26 caminhões de concreto de sete metros cúbicos cada um para pavimentar os 200 metros da pista-teste na Cidade Universitária. Ela foi dividida em trechos, nos quais foram aplicadas diversas combinações de materiais, cujo desempenho será avaliado ao longo de cinco anos do estudo.

Dos quatro tipos de concretos que estão sendo testados, dois têm agregados reciclados. Metade da pista utiliza aço comum e a outra, aço galvanizado. Além disso, os pesquisadores da Poli estão trabalhando com dois tipos diferentes de cimento, um produzido no Sul do Brasil e outro no Sudeste.

Os primeiros testes começam a ser realizados no dia 26 de fevereiro, quando a pista será liberada totalmente para os veículos. “Queremos entender, especialmente, como as fissuras ocorrem no concreto”, conta. Equipamentos de mensuração serão instalados em campo e vários testes serão feitos em laboratório. Os pesquisadores analisarão as fissuras causadas no verão e no inverno; farão provas de carga, com o uso de veículos pesados para verificar o comportamento do concreto armado; extração de material para análise de corrosão do aço; extração de material onde houver fissura, para verificar se o agregado sofreu fratura, entre outros testes. Estima-se o envolvimento de, pelo menos, dez alunos de mestrado e doutorado ao longo dos anos de execução da pesquisa.

Da Assessoria de Imprensa da Poli

Mais informações: (11) 5549-1863 / 5081-5237

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