Foto: PhotoBobil/Wikimedia Commons
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Em clima de Olimpíadas, seminários exploram os fenômenos físicos das práticas esportivas

Publicado em Ciências, Esporte, USP Online Destaque por em

Se para alguns é difícil acreditar que um ser humano seja capaz de percorrer 100 metros em 9,58 segundos, a Física e suas leis desvendam, detalhe por detalhe, esse mistério. Em seu primeiro seminário da série A Física e os Esportes, Otaviano Helene, professor do Instituto de Física (IF) da USP, analisou os fenômenos físicos envolvidos em uma corrida de 100 metros rasos. Para isso, utilizou como objeto de estudo a performance do recordista mundial Usain Bolt durante o Campeonato Mundial de Atletismo, na cidade de Berlim.

Inicialmente, A Física e os Esportes é uma atividade cujo intuito é observar a ciência contida nas diferentes atividades esportivas de modo a motivar as pessoas interessadas pelas ciências a apreciarem mais os esportes, e vice-versa.

Em sua exposição, Helene se utiliza de exemplos cotidianos para facilitar a compreensão e o processo de associação de seus ouvintes. No caso do atleta jamaicano, o seminário sugere que, durante a corrida de 2009, ele tenha produzido uma energia total próxima a 10kJ. Esse resultado, apesar de ter sido surpreendentemente gerado em menos de 10 segundos, poderia ter sido produzido por uma pessoa comum ao subir três andares de um prédio pela escada, por exemplo.Tendo em vista também a potência produzida com o esforço, o físico alega que a energia apresentada por Bolt ao final da corrida poderia ser encontrada se consumida uma colher de manteiga.

Usain Bolt, em primeiro plano, recordista mundial dos 100m rasos - Foto: Phil McElhinney / Wikimedia Commons
Usain Bolt, em primeiro plano, recordista mundial dos 100m rasos – Foto: Phil McElhinney / Wikimedia Commons

O professor reforça que o acontecimento das Olimpíadas neste ano pode ser visto como um bom motivo para a promoção da divulgação científica sobre o assunto. “É uma gota d’água, não é uma coisa que vai revolucionar a divulgação científica. Mas se olhamos o que está acontecendo em uma atividade física de um ponto de vista mais científico, acaba sendo também um pretexto para olhar o esporte de um jeito diferente e fazer observações mais interessantes”, conclui.

Para Otaviano Helene, o público-alvo de suas exposições é fácil de definir: qualquer um que queira participar. Apesar de invocar algumas fórmulas de Física, raciocínios e leis, o docente afirma que não há no conteúdo passado um nível de complexidade difícil o bastante para complicar a compreensão do tema, e que, para assistir às aulas, basta ter o conhecimento básico oferecido pelo currículo do ensino médio.

Luiz Gonzaga, professor de Educação Física, assistiu ao primeiro seminário acompanhado de Denilson Machado, triatleta e também professor. Os dois tomaram conhecimento do evento através da coordenação da escola onde trabalham e reconhecem como o assunto pode se tornar atraente ao abordar aspectos comuns para as duas áreas. “Do mesmo jeito que ele [Otaviano Helene] não poderá oferecer um aprofundamento na parte de fisiologia do exercício, existe uma certa dificuldade para quem é de Educação Física quanto à conceitualização da Física. Mas, do jeito que foi colocado e está sendo passado, poderá somar bastante”, afirma Luiz Gonzaga.

Com um prazo de duração indeterminado, mas com programação garantida até o mês de agosto, os seminários ainda abordarão temas como “Conservação do momento angular no salto em altura”, “Consumo de energia química pelo corpo humano; eficiência da conversão para energia mecânica” e “Refrigeração do corpo humano: condução, convecção, radiação e evaporação”.

Os encontros acontecem às terças-feiras, das 18 às 19 horas, são gratuitos e abertos aos interessados em geral, sem necessidade de inscrição prévia. O local é o Auditório Adma Jafet do IF, localizado na Rua do Matão, Travessa R, 187, Cidade Universitária, São Paulo.

Mais informações: (11) 3091-6965

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