Projeto Ribeirão Cultural utiliza literatura e artes visuais na aprendizagem

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Projeto idealizado por professores da FMRP e da FEARP envolve alunos e professores da rede pública e privada da cidade

O Ribeirão Cultural é um projeto dedicado a incentivar o contato e o desenvolvimento da literatura e artes visuais por alunos e professores da rede pública e privada de Ribeirão Preto e região. O projeto foi idealizado, e hoje coordenado, pelos professores Camilo André Mércio Xavier, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP); Elaine Assolini, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP); e Alexandre Pereira Salgado Júnior, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP. O projeto promove, há seis anos, reuniões de estudos e atividades práticas com os professores das redes pública e privada de Ribeirão Preto utilizando a literatura e as artes visuais no processo de aprendizagem.

Os trabalhos desenvolvidos pelos professores participantes do projeto já deram origem a três livros e, segundo esses participantes, seus alunos já demonstraram melhor desempenho na sala de aula. A equação para se chegar a esse resultado foi simples: na medida em que o projeto ofereceu a possibilidade de atualização profissional, os professores tiveram liberdade para reformular conteúdos e utilizar na sala de aula as atividades que receberam do projeto, tudo de forma que fizesse sentido para eles e, principalmente, para seus alunos. O aperfeiçoamento desses professores aconteceu por meio da atualização pedagógica, revisão de fundamentos teóricos e metodológicos. A professora Heloísa comemora os resultados. “Foi maravilhoso. Os alunos se identificam muito com os exercícios. É emocionante vê-los se descobrindo”.

“As poesias são dádivas que podem transmitir emoções e sentimentos através do próprio ser. Escrever não é fácil, é preciso tocar o interior e descobrir a verdadeira essência do ser humano”, assim define a arte de escrever o jovem Luiz Gustavo Pompeo, 17 anos, recém-formado no ensino médio pela tradicional escola de Ribeirão Preto Otoniel Mota.
Pompeo não sabia que podia escrever poemas. Até que um dia sua professora de Língua Portuguesa, Heloísa Alves, passou essa atividade na sala de aula. “Escrever poesias permitiu que eu conhecesse vários escritores, além de ter aprendido a extravasar sentimentos. Hoje, coloco no papel aquilo que sinto e me sinto mais livre, é como um desabafo”, diz o aluno. Uma das poesias do jovem Pompeo foi premiada pelo Projeto Ribeirão Cultural, onde teve início todo o processo que levou a professora Heloísa a incluir a atividade na sala de aula.

Expansão

Focadas, a princípio, em professores das escolas da rede pública de Ribeirão, a procura pelo projeto foi tão grande, que passaram a atender professores das escolas particulares, não apenas da cidade, mas da região, como Cravinhos, Serrana, Franca e Sertãozinho. O projeto já passou por quatro fases, sendo as duas primeiras voltadas para a Literatura e as duas últimas, para as Artes Visuais. Nas duas primeiras fases, com dez oficinas, foram trabalhados textos da literatura ocidental com diferentes temas, como: meio ambiente, água, democracia, amor, felicidade, animais, escolas, todos acompanhados de dinâmicas, declamações, dramatizações, jogos e teatros. Nessa fase, os professores produziram poemas individualmente ou em grupos.

Todos os poemas eram compartilhados, comentados, discutidos entre os participantes e, em seguida, apresentados a seus alunos em sala de aula, onde a experiência foi replicada. O resultado da sala de aula era trazido na próxima oficina do Ribeirão Cultural. “Conheci diversas escolas. Fiz reuniões com professores, coordenadores, pais e comunidades, para mostrar a produção dos professores e alunos”, conta Elaine.  Todos os poemas feitos pelos alunos na primeira fase foram publicados no livro Ribeirão Cultural–Iniciação Poética.

Na segunda fase, outro livro foi produzido, Ribeirão Cultural – Iniciação Poética II, agora com textos coletivos, não só dos estudantes, mas dos professores também. Na terceira e quarta fases, voltadas para as artes visuais foram trabalhados vários autores, Portinari, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, com a participação de artistas plásticos de Ribeirão Preto e região. Nessas oficinas o método também contemplou teoria e prática. O grupo pintou, desenhou, “elaborou e ressignificou as vivências com a arte de maneira ampla, e a arte de maneira particular”, diz Elaine.

A quarta fase, em andamento, ainda terá mais uma oficina, que resultará em livro impresso, com entrevistas, artigos científicos, trabalhos dos estudantes da escola Otoniel Motta, de Ribeirão Preto, e e-book com o mesmo conteúdo, mais gravuras e entrevistas com artistas plásticos. Todos os livros são distribuídos gratuitamente para as escolas da rede pública e foram digitalizados na página do Ribeirão Cultural para downloads.

Os encontros do Ribeirão Cultural são divulgados com antecedência, o próximo será em maio na FFCLRP. São gratuitos e destinados a professores, coordenadores pedagógicos, diretores de escola e interessados em Arte. Estudantes de graduação e de pós-graduação podem participar.

Gabriela Vilas Boas / Serviço de Comunicação da PUSP-RP

Mais informações: (16) 3315-4545; email elaineassolini@uol.com.br

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