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Foto: Divulgação

Nova espécie de aracnídeo é identificada em cavernas de Minas Gerais

Publicado em Ciências, USP Online Destaque por em

Opilião Iandumoema smeagol sp. n. recebeu nome científico inspirado em personagem de “O Senhor dos Anéis”

Nas cavernas do município de Monjolos, em Minas Gerais, foi identificada e descrita uma nova espécie de opilião, a Iandumoema smeagol sp. n.. O opilião é um animal invertebrado, um artrópode da classe dos aracnídeos, que apresenta algumas semelhanças com a aranha. Por ter se adaptado à vida dentro das cavernas, a espécie recebeu o nome do personagem Smeagol, do filme “O Senhor dos anéis”. A descoberta é descrita em artigo da revista Zoo Keys, escrito pelos professores Ricardo Pinto-da-Rocha, do Instituto de Biociências (IB) da USP, Maria Elina Bichuette, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e pelo pesquisador Rafael da Fonseca-Ferreira, da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP.

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A identificação do Iandumoema smeagol sp. n. aconteceu nas cavernas Toca do Geraldo e Lapa de Santo Antônio, localizadas no norte de Minas Gerais, na cidade de Monjolos. Na toca do Geraldo foram encontrados 14 exemplares da espécie, em quatro expedições.

A maior parte foi observada nas paredes da caverna, principalmente os mais jovens e ativos, e alguns estavam próximos aos corpos d’água existentes no local. A caverna apresenta temperaturas que oscilam entre 22 e 24 graus celsius (ºC) e elevada umidade relativa do ar, calculada em 80%. Apenas um exemplar foi encontrado na Lapa de Santo Antônio, bem próxima à entrada.

Na saga de “O Senhor dos Anéis”, baseada na obra de J.R.R. Tolkien, Smeagol é um hobbit que se refugiou nas cavernas das Montanhas Sombrias da Terra-Média para fugir da luz do sol. Como a espécie recém-descoberta de opilião possui hábitos noturnos e uma cor amarela empalidecida, surgiu a ideia de sugerir o nome do personagem para compor o seu nome científico.

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Cavernas

Os opiliões do gênero Iandumoema são encontrados apenas nas cavernas de calcário da região da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais. Existem outras duas espécies conhecidas, Iandumoema uai, identificada em 1996 e Iandumoema setimapocu, descrita em 2008. A principal diferença do Iandumoema smeagol sp n para os outros opiliões do gênero Iandumoema é a ausência de olhos. Devido a essa característica, a espécie desenvolveu mecanismos específicos de percepção, como as pernas alongadas. Seu tamanho pode chegar a quatro centímetros. Um dos exemplares observados durante o estudo se alimentava da carcaça de outros animais invertebrados.

Segundo o estudo, as características do relevo local fazem com que essas espécies sejam endêmicas, ou seja, não sejam encontradas em nenhuma outra região. Nos opiliões, o céfalotórax e o abdome estão reunidos em uma única estrutura, ao contrário das aranhas, onde são duas partes distintas do corpo.

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Apesar de expelirem uma secreção com forte odor quando estão ameaçados, que inspirou os nomes populares aranha-bode, bodum e aranha-fedorenta, os opiliões não são perigosos para os seres humanos.

De acordo com o estudo, a região onde foi identificada a espécie pode sofrer impacto ambiental devido à construção de pequenas centrais hidrelétricas e barragens, além da extração de calcário para a produção de cimento. Por essa razão, a pesquisa recomenda a realização de estudos de longo prazo sobre a biologia e distribuição da espécie, de modo a identificar sua vulnerabilidade e criar uma política de preservação, o que pode incluir a criação de área de proteção ambiental no local.

Júlio Bernardes / Agência USP de Notícias

Mais informações: email ricrocha@usp.br, com o professor Ricardo Pinto-da-Rocha

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