Pesquisa na ECA analisa relação entre fotografia e evolução tecnológica

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Meire Kusumoto/Laboratório Agência de Comunicação da  ECA

Da câmera escura às mais sofisticadas câmeras atuais, a fotografia passou por transformações profundas, influenciada não só por elementos socioculturais de cada época, mas também pela tecnologia que foi desenvolvida e ficou mais sofisticada. O projeto de pesquisa Fotografia na cultura informacional, coordenado pelo professor Wagner Souza e Silva, busca analisar a fotografia e o fotojornalismo contemporâneos a partir do mapeamento da evolução tecnológica da área.

O docente do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP comenta que é impossível dissociar, no fazer fotográfico, técnica e imagem. Apesar dos receios com relação a isso, a tecnologia não pode ser vista apenas como uma ferramenta, já que, muitas vezes, ciência e arte ali se encontram.

“Os instrumentos utilizados falam sobre modos de ser, estar e fazer das coisas, precisamos perceber o valor humano agregado a essas criações”.

Com a enorme capacidade das novas tecnologias de combinar todos os elementos do processo fotográfico, o fotógrafo deixou de ser aquela pessoa que sai “à caça” de acontecimentos extraordinários e tem seu trabalho encerrado no momento do clique. Para ele, a preocupação do profissional inclui também edição e divulgação das imagens. “Antes, os fotógrafos tinham certos pudores de intervir em fotos, mas, agora, parece que tudo tem igual importância dentro da fotografia”. Buscam, assim, harmonizar essas etapas e trabalhar a consequência estética advinda da revolução tecnológica.

Há um potencial de narratividade, de conexão de imagens, que começou a ser explorado pelas pessoas a partir dessa situação. Com o grande fluxo de informação propiciado pelo avanço tecnológico, as fotografias não são mais vistas apenas em revistas e jornais impressos, mas podem ser encontradas também em sites e redes sociais. “Ainda que eu consiga diferenciar as informações passadas quando estou numa página de notícias ou numa rede social, tudo está no mesmo dispositivo e é apresentado por uma tela”, explica Wagner.

Segundo ele, o fenômeno das telas apresenta outra novidade para a fotografia. “Pela primeira vez temos um suporte fotográfico que tem muito a ver com a fotografia, por se utilizar da luz”. E se antes a fotografia tinha função primordial de capturar imagens e fazer decalques do mundo real, hoje ela é a porta de entrada para o mundo das imagens. Wagner problematiza: “Como percebemos todas essas mudanças? Até que ponto os papéis que foram atribuídos à fotografia como contadora da História não estão um pouco abalados?”. Estas são algumas das questões que seu projeto de pesquisa procurará responder.

Mais informações: (11) 3091-1646/4028, email lac-eca@usp.br 

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