Produção da USP é debatida nos estandes da Rio+20

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Sylvia Miguel, especial para o USP Online

Até 24 de junho a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP promove debates, exposições e interação com o público visitante da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. No estande localizado no Armazém 1 do Píer Mauá é possível ter acesso à produção científica da USP produzida desde 1992 sobre os temas “Sustentabilidade” e “Desenvolvimento Sustentável”.

Através de um código de barras em 2D (QR-Code) impresso em cartões de visitas, é possível escanear no celular as informações. A decodificação dos dados pelo aparelho dá acesso a um link que disponibiliza o conteúdo parcial dos resultados da produção acadêmica reunida pela equipe do SIBI, o Sistema Integrado de Bibliotecas da USP. O projeto Vinte anos de produção USP sobre temas da Conferência Rio+20 é coordenado pela professora Sueli Mara Soares Pinto Ferreira. O conteúdo pode ser acessado pelo site www.prceu.usp.br/rio20.

O público também interage com os professores da Universidade através de intervenções culturais e participa de exposições e debates informais promovidos no local. O professor Eduardo Tessari Coutinho, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, numa intervenção de mímica apresentada no dia 17 de junho, mostrou um quadro incluindo elementos simbólicos sobre relações de poder, armas e sustentabilidade.

Economia Solidária

O professor Paul Singer, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, participou na terça-feira (19) da programação sobre Economia Solidária que aconteceu na Tenda 24 da Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo. O evento integrou a programação paralela da Rio+20 e se concentrou na discussão sobre cooperativas autogestionadas.

Na segunda, dia 18, agentes comunitários de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais apresentaram os bancos comunitários incubados dentro do Núcleo de Economia Solidária da USP (NESOL).

O NESOL incuba bancos comunitários desde 1998. O novo projeto de incubação começou em 2011 nos quatro estados que apresentaram seus trabalhos. “Atualmente há 60 pessoas contratadas para o projeto, entre agentes de desenvolvimento comunitário, gerentes de banco, caixa e agentes de crédito”, disse o professor Augusto Câmara Neiva, coordenador do NESOL e professor da Escola Politécnica da USP.

Os bancos autogestionados levantam capital a partir de eventos comunitários e fazem empréstimos para pessoas das comunidades locais. “Ao contrário do que se pensa, a inadimplência é muito baixa”, diz Neiva.

Ativismo e trocas de conhecimento

Ao lado da Tenda 24 do Aterro do Flamengo onde estão centralizados alguns debates promovidos pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP, ativistas e universitários de diversos estados promovem uma Feira de Troca de Sementes Criola. São sementes cultivadas por gerações através de processos naturais de seleção. Há amostras de uma diversidade de sementes de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Espírito Santo. Os expositores se organizam no entorno da Rede de Grupos de Agroecologia do Brasil (REGA do Brasil), que pode ser acessada pelo link http://regabrasil.wordpress.com/

O Aterro do Flamengo se transformou também em palco de manifestações de inúmeras entidades vindas de todas as partes do Brasil. Milhares de militantes do Movimento dos Sem-Terra e da Via Campesina marcharam em fila indiana desde o Sambódromo, onde estão acampados, ate o Aterro do Flamengo, paralisando o trânsito na região central do Rio de Janeiro na manhã da última segunda-feira (18).

A Via Campesina é um dos maiores movimentos populares internacionais e reúne milhões de camponeses, pequenos e médios produtores, sem-terra, indígenas e trabalhadores rurais. Os ativistas participam de diversas plenárias na Cúpula dos Povos e organizam uma mobilização global na quarta-feira (20), com concentração na Avenida Rio Branco e Avenida Presidente Vargas, na capital carioca.

Ativistas da “Marcha Mundial de Mulheres” gritavam palavras de ordem a favor do aborto, grupos indígenas promoveram passeatas e idosos e cuidadores de idosos debatiam a regulamentação profissional para cuidadores.

Na Trilha de Darwin

A embarcação Tocorime Pamatojari está atracada na Marina da Glória até o dia 22 de junho com a exposição Rio+20 na Trilha de Darwin, que conta com o apoio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão e do Museu de Zoologia da USP. Com curadoria da professora Maria Isabel Landim, do Museu de Zoologia, a mostra reúne objetos e réplicas do museu para contar a fascinante viagem do naturalista inglês Charles Darwin e suas descobertas realizadas a bordo do HSM Beagle.

Na segunda-feira, o físico Daniel H. Garrison, da agência espacial NASA, apresentou a jovens do Projeto Grael algumas atribuições do departamento que dirige na NASA e respondeu perguntas sobre curiosidades do espaço e da profissão de astronauta. “Vista lá de cima é possível ter uma noção muito clara de quão frágil é a vida na Terra e quanto todas as coisas no planeta estão intimamente ligadas. É por isso que precisamos cuidar muito bem do nosso planeta”, enfatizou.

A programação do navio contou também com palestra do redator-chefe da revista National Geographic Brasil, Matthew Shirts. O jornalista americano falou sobre as origens da revista, da National Geographic Society e sobre como foram produzidas algumas das mais impressionantes fotografias que deram fama à publicação.

A exposição itinerante inaugurada no dia 15 de junho está aberta ao público aos sábados, domingos e terças-feiras pela manhã, até o dia 22 de junho. Nos outros dias, um grupo de monitores recebe jovens de instituições sociais para falar de Darwin, sustentabilidade e biodiversidade.

A visita ao barco termina com uma atividade de educação ambiental realizada por Gabriel Monteiro, mestre do IO, que participa do projeto Plásticos e Poluentes Orgânicos no Ambiente Marinho (PPOAN).

Mais informações: site www.prceu.usp.br/rio20 

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