Articulação entre teatro e matemática ajuda o aprendizado, aponta pesquisa da FE

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João Ortega / Agência USP de Notícias

O ensino da matemática pode ser favorecido quando aplicado ao teatro, aponta pesquisa na Faculdade de Educação (FE) da USP.  Quando inserida na ação teatral, a matemática fica mais contextualizada, o que facilita a aprendizagem dos estudantes. “Vai além da lousa”, explica a professora Andrea Gonçalves Poligicchio, autora do trabalho.

Antes de iniciar o estudo, a pesquisadora já havia utilizado essa forma de ensino  na escola da Fundação Bradesco em Osasco (Grande São Paulo), em que lecionava para o ensino fundamental II (de 5ª a 8ª série). Os alunos davam sugestões para os roteiros, que deveriam ter conteúdo apresentado em aula. O roteiro final era feito pela professora. A matemática poderia aparecer nas falas dos personagens, no enredo e até no cenário. Com isso, os alunos conseguiam absorver melhor os conteúdos.

Segundo Andrea, os alunos apreciavam o trabalho e mostravam estar entendendo a matéria. Tanto o teatro quanto a matemática transitam, em níveis crescentes de abstração, entre o real e o imaginário. O teatro é a materialização desse imaginário em uma história, e, quando a matemática entra nesse enredo, ela também se concretiza, tornando-se mais compreensível aos estudantes.

A dissertação de mestrado Teatro: materialização da narrativa matemática foi orientada pela professora Maria Cristina Bonomi, com colaboração do professor Nilson José Machado. A pesquisa teórica procurou consolidar os sete anos em que a professora aplicou esse método de ensino. “Virou pesquisa porque nem todos acreditam que seja possível juntar matemática e teatro”, conta Andrea. Um dos problemas que existem no ensino clássico da matemática, segundo ela, é que os temas são trabalhados muito isoladamente, sem significado.

Espetáculos

A lógica e a dedução estavam muito presentes nos espetáculos realizados pelas turmas. Além de serem aspectos essenciais para a matemática, também estão inseridos em tramas de mistério, por exemplo. Em uma das peças, o personagem Sherlock Holmes recebe pistas para desvendar um enigma e utiliza o raciocínio dedutivo para isso.

Outras disciplinas também foram trabalhadas em algumas das apresentações. Por exemplo, existe um conceito hipotético de física, chamado buraco de minhoca, que diz que seria possível em uma região do espaço o encontro entre o futuro e o presente. Em um dos espetáculos, ele foi inserido no enredo, nos quais os Jetsons, personagens futuristas, encontravam os Flinstones, família de desenho animado que se situa na Idade da Pedra. Em outra peça, Aristóteles, filósofo da Grécia Antiga, aparecia para falar sobre ética, lógica, silogismo e falácia em discursos publicitários.

Histórias clássicas foram adaptadas para se encaixarem no método criado pela pesquisadora. No conto da “Branca de Neve” o número de anões, diferentemente dos sete usuais, deveria ser calculado pelos personagens através do uso de potenciação.

Andrea pretende que o método de aproximação entre matemática e teatro seja difundido para outras instituições de ensino. Esse foi um dos motivos de sua consolidação por meio da dissertação de mestrado. Ela acredita que isso pode ajudar no aprendizado de vários estudantes em relação às diversas disciplinas. O novo projeto da professora é dar assessoria às escolas onde houver interesse de implementar essa forma de ensino.

Mais informações: (11) 9758-2241; email andrea.poligicchio@hotmail.com, com Andrea Gonçalves Poligicchio 

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