Cinusp apresenta mostra em homenagem a Carlos Reichenbach

Cena de "Alma Corsária", que estará na mostra | Foto: Divulgação

O Cinema da USP Paulo Emílio (Cinusp) realiza, de 10 a 19 de julho, a mostra Homenagem a Carlos Reichenbach, contemplando o trabalho do ex-professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e cineasta brasileiro, falecido em 14 de junho, ao completar 67 anos.

De acordo com a programação,  serão exibidas obras das mais aclamadas de “Carlão”, como era conhecido pelos amigos, colegas e fãs, a exemplo de “Filme Demência” (1985), “Alma Corsária” (1993) e “Falsa Loura” (2007), última longa-metragem dirigido por ele.

Segundo o coordenador de programação do Cinusp e co-curador da mostra, Marcos Kurtinaitis, a ideia da homenagem póstuma a Reichenbach não poderia, inicialmente, ser executada a curto prazo. “Não havia como ‘encaixar’ uma nova mostra em nossa grade de programação para os meses seguintes, porém, com o adiamento de exibições que ocorreriam agora no início de julho, com parceiros externos, pensamos que seria uma ótima oportunidade de não deixar o falecimento dele passar em branco”.

Para a montagem  da lista de exibição, além de verificar com acervos e distribuidoras quais filmes do diretor estariam disponíveis para o período de exibição, a equipe do Cinusp também privilegiou os filmes que tivessem cópias em película, pois é algo que “teria agradado ao homenageado e se alinha à proposta da nossa instituição, que é oferecer autênticas sessões de cinema ao público da USP”, explica Marcos Kurtinaitis.

Classificado, à época de sua morte, pela ministra da Cultura, Ana de Hollanda, como “inquieto e vanguardista”, Reichenbach nunca foi muito reconhecido pelo grande público. Para Kurtinaitis, entretanto, isso não significa defasagem de qualidade no trabalho do cineasta.

“Os filmes do ‘Carlão’ não eram todos herméticos, ‘filmes cabeça’, e sim buscavam diálogo com o público, mas como eram produzidos e distribuídos com poucos recursos, acabavam ficando afastados do conhecimento das pessoas”.

Ele argumenta ainda que não havia distância prática entre os temas abordados e o gosto da audiência brasileira, mas sem divulgação e apoio de distribuidoras fortes, ele não teve oportunidade de aparecer mais no cenário cinematográfico brasileiro.

Contribuições

Parte importante da região que foi polo industrial cinematográfico na São Paulo dos anos 1920 e 30, conhecida como Boca do Lixo (localizada no bairro da Luz), o trabalho de Reichenbach foi um marco no desenvolvimento do cinema independente paulistano, mesmo que o cineasta tenha nascido no Rio Grande do Sul.

“Ele provou ser possível fazer cinema com muita inventividade, sem recorrer às concessões do mercado, sem precisar de comédias rasteiras nem de atores ‘globais’ nos elencos”, diz  o curador.

Apesar dessas criações, Kurtinaitis avalia que o maior trabalho de Reichenbach foi fora das telas.

“Foi professor da ECA e de inúmeras oficinas e cursos livres, programador e curador de diversas mostras e  grande ‘agitador cultural’, participando de debates e eventos sobre cinema. Foi iniciador de muitos cinéfilos e cineastas”.

O coordenador de programação aponta que esta influência foi sentida por praticamente todos os cineastas paulistanos independentes que vieram depois, e também citou diretores que seguiram a linha de trabalho do gaúcho, como Wilson de Barros, “pela maneira como enxerga a metrópole paulistana”. Ela também se deu sobre outros mais ‘novos’, como o professor da ECA Roberto Moreira [“Contra todos” e “Quanto dura o amor?” de 2003 e 2009, respectivamente], pela abordagem crua de personagens da periferia paulistana”.

Programação

Diferentemente de outras exibições do Cinusp, esta mostra não contará com as tradicionais conversas e debates a respeito dos filmes, do diretor e de seu trabalho. “Como a montagem ocorreu em caráter de urgência, não foi possível esperar pela confirmação de presença de convidados a palestrar ou debater sobre o assunto, além do período de férias em que estão os estudantes, o que acabaria tornando um desperdício trazermos um convidado sem uma garantia mínima de público”.

De 10 a 12 de julho, o evento terá sessões às 16 e às 19 horas, e partir do dia 13 (exceto em 14 e 15 de julho), só ocorrerão as sessões das 16 horas, inclusive com documentários que tiveram participação e depoimentos de Reichenbach. As sessões são gratuitas e ocorrem na sede do Cinusp, Rua do Anfiteatro 181 – Colméia – Favo 04.

Veja a programação completa neste link.