Grupo analisa imaginário e a construção de vínculos sociais nas cidades

As experiências subjetivas e os diferentes jeitos de conviver no ambiente urbano | Foto: Wikimedia

Completando em breve um ano de existência, o grupo de pesquisa multidisciplinar Mitopoética da Cidade tem como principal meta a compreensão das relações entre paisagens, imaginários e mitos.
Estes processos, como argumenta a coordenadora Sandra Maria Patrício Vichietti, “são cruciais para a configuração dos diferentes modos humanos de ser, viver e conviver”.

Segundo ela, o grupo compartilha a esperança de que entender melhor essas relações permite contribuir com subsídios teóricos e práticos para o planejamento de programas – governamentais ou não – de intervenções no ambiente urbano.

Mitos e vínculos

De tribos a civilizações, todas sociedades se apoiam em mitos que orientam e modelam a vida. Mas o que, afinal, estuda a mitopoética? A mitopoese, isto é, a criação dos mitos, “narrativas simbólicas, de natureza imaginativa, que dizem respeito à condição humana e à maneira de viver dos indivíduos e coletividades”, como define a professora.

Em torno deste assunto se reuniram dezessete pesquisadores de unidades da USP e de outras universidades brasileiras e portuguesas nas áreas de Psicologia, História Oral, Arquitetura, Ciências Sociais, Educação e Letras. “O objetivo é dialogar sobre o imaginário, a experiência subjetiva privada, a mitopoética individual e coletiva, a configuração das paisagens e do modo de viver das coletividades”, conta a pesquisadora, que começou esta articulação no seminário Psicologia Social & Imaginário, realizado no Instituto de Psicologia (IP) da USP.

São Miguel Paulista | Foto: Jorge Maruta

Assim, pesquisa evoluiu de temas oriundos da psicologia social, área de estudo da docente desde o final da década de 1990, e abarca vários fenômenos que surgem nas relações entre indivíduos e grupos humanos.

Mas, para Sandra,  a compreensão sobre a urbanização do mundo e as transformações do jeito de viver do homem contemporâneo não podem ser alcançadas por uma única disciplina acadêmica. Então, “a psicologia social tem o papel de promover o diálogo transdisciplinar sobre estes temas”.

Da Luz ao Porto

No atual estágio das pesquisas, o grupo estuda o imaginário e a paisagem dos bairros paulistanos da Luz, São Miguel Paulista e Itaquera, assim como de cidades da região noroeste do estado de São Paulo e da região dos lagos, no estado do Rio de Janeiro. “Nossa pesquisa visa discutir os processos  de socialização, a experiência subjetiva privada e as atividades cotidianas dos habitantes”, descreve a professora.

Nestes trabalhos, é adotado um conjunto de procedimentos de coleta, análise e interpretação de ‘informes’ sobre a paisagem e o imaginário de seus habitantes, nos quais estão contidos dados qualitativos e quantitativos, de natureza espacial e temporal, que abrangem diferentes aspectos da vida humana. Depois de coletados, tais dados são processados e discutidos pelos pesquisadores.

O próximo desafio é a construção de estudos comparativos. “Já há um esboço para um projeto conjunto a ser desenvolvido no bairro da Luz, em São Paulo, e no bairro da Ribeira, na cidade do Porto, em Portugal”, anuncia a pesquisadora.

O grupo realizou também um acordo com a Universidade de Lisboa, visando facilitar o intercâmbio entre alunos e pesquisadores das duas instituições.

Porto, em Portugal - cidades refletem como seus moradores vivem e produzem o espaço | Foto: Marcio Kaneko

Pós-graduação

Em agosto, o grupo ofecerá no IP a disciplina para a pós-graduação Cidade, Paisagem e Imaginário: Elementos para a Compreensão do Ethos Humano, aberta a todas as unidades da USP. As aulas ocorrerão de 20 a 31 de agosto de segunda à sexta-feira, das 13 às 17 horas.

De acordo com a docente, a disciplina visa oferecer elementos teórico-metodológicos transdisciplinares que qualificam as noções de ‘ethos’, ‘paisagem’ e ‘imaginário’, habilitando os alunos a integrarem tais dimensões em estudos que focam os fenômenos histórico-culturais relacionados. O curso apresentará o pensamento de Ludwig Feuerbach, Rosário Assunto e Gilbert Durand, base para os estudos na área.

A equipe coordenada por Sandra também pretende lançar, em setembro, a publicação Psicologia Social e Imaginário. Leituras Introdutórias (Ed. Zagodoni), destacando os trabalhos apresentados no seminário que deu origem ao grupo.

Mais informações: (11) 3091-4184, email mitopoeticaurb@usp.br