Novas espécies de insetos recebem nome de pesquisadores da FSP

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Valéria Dias/Agência USP de Notícias

Duas novas espécies de insetos foram identificadas na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP pela professora Eunice A. Bianchi Galati, do Departamento de Epidemiologia, e por seu orientando, Fredy Galvis Ovallos. Os insetos receberam os nomes Nyssomyia delsionatali Galati & Galvis 2012 e Nyssomyia urbinattii Galati & Galvis 2012, em homenagem aos professores Delsio Natal e Paulo Urbinatti, do mesmo Departamento.

Foram esses dois pesquisadores que capturaram os insetos em matas ciliares amazônicas, entre 2008 e 2010, e tiveram a iniciativa de levá-los à professora Eunice para que ela pudesse identificá-los. A espécie N. delsionatali foi capturada no rio Juruena, no noroeste de Mato Grosso; já a N. urbinattii, no rio Teles Pires, entre Mato Grosso e Pará.

Os pesquisadores estavam nessas áreas com o objetivo de realizar estudos de impacto ambiental, pois nos locais seriam construídas pequenas centrais hidrelétricas. “Muitos pesquisadores vão a campo realizar estudos desta natureza e nem sempre destinam o material capturado para um entomologista [profissional que estuda os insetos] que conheça bem os grupos de insetos. Decidimos homenagear os professores Delsio Natal e Paulo Urbinatti pela iniciativa que tiveram”, afirma a professora. As duas novas espécies de insetos são dípteros da subfamília Phlebotominae, e família Psychodidae e são bastante pequenos: têm cerca de 3 milímetros de diâmetro.

Para Eunice, é muito importante que outros pesquisadores tenham esta mesma atitude, contribuindo, desta forma, para o conhecimento da biodiversidade. “Embora, na maioria das vezes, essas incursões de pesquisadores a campo não tenham o objetivo direto de encontrar espécies ainda não conhecidas para a ciência, são oportunidades que não podem ser desperdiçadas para o avanço do conhecimento não só de insetos, mas também de outros grupos de seres vivos.

Gênero Nyssomya

O gênero Nyssomya agrupa várias espécies de insetos, sendo muitas delas vetoras da Leishmania, protozoário causador da leishmaniose. “Mas precisamos realizar várias outras pesquisas para determinar se estas duas novas espécies que identificamos estão associadas a transmissão da doença”, pondera a pesquisadora.

“A pesquisa não teve apoio direto da Fapesp [Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo], mas esta fundação tem possibilitado o desenvolvimento de projetos que contribuem para a formação de alunos entomologistas”, aponta a professora. De acordo com a docente, há ainda outros exemplares de insetos trazidos pelos professores Delsio Natal e Paulo Urbinatti e que ainda estão sendo estudados.

Disciplina

A professora Eunice conta que atualmente ministra uma disciplina na pós-graduação em Saúde Pública que tem o objetivo ensinar os alunos a identificarem os flebotomíneos, insetos responsáveis pela transmissão de algumas doenças como a leishmaniose. Por ser ministrada durante as férias, a disciplina acaba atraindo pós-graduandos de outros estados como Acre, Rondônia, Mato Grosso do Sul, etc.

Durante duas semanas, em oito horas diárias, os alunos aprendem a identificar esse grupo de insetos. “A apostila que utilizo precisa ser atualizada a cada ano com as novas descrições de espécies”, informa.

Um artigo com a descrição dos novos insetos foi publicado na edição de março de 2012 na revista Journal of Medical Entomology, sendo que os desenhos da cabeça do macho e da fêmea de Ny. urbinattii foram usados na capa da revista.

Com informações da Assessoria de Comunicação Institucional da FSP

Mais informações: (11) 3061-7786, ou email egalati@usp.br, com a professora Eunice Galati 

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