Sistema desenvolvido na FFLCH analisa entoação da língua automaticamente

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Tela do ExProsodia - aplicativo propicia análise automática da entoação de voz durante uma narrativa | Foto: Reprodução

Antonio Carlos Quinto / Agência USP de Notícias

Na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, um grupo de pesquisadores trabalha num projeto de análise automática da entoação na língua portuguesa. O ExProsodia é um sistema que compreende a entoação como uma sequência de tons, iguais ou diferentes, produzidos pela voz durante a fala. “Quando a pessoa está nervosa pode falar num tom mais agudo, ou se utilizar de um tom mais grave quando informar uma notícia ruim, por exemplo”, diz o professor Waldemar Ferreira, um dos idealizadores do ExProsodia.

O sistema, desenvolvido em visual basic para Excell, obteve o segundo lugar no concurso de software da II Olimpíada USP de Inovação promovido pela Agência USP de Inovação, em 2011, na categoria Tecnologias Sociais Aplicadas e Humanas. Segundo Ferreira, o projeto será apresentado em eventos na Espanha e em Portugal, em setembro deste ano.

O projeto nasceu no pós-doutorado do professor e hoje conta com outros pesquisadores do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH. “Nosso grupo é composto por professores, alunos de mestrado, doutorado e de iniciação científica”, conta o docente, ressaltando que o sistema já foi, inclusive, patenteado.

Aplicações

O sistema, que está disponível para pesquisas na FFLCH, poderá ter inúmeras aplicações. Segundo o professor, já foi testado em algumas situações e com respostas satisfatórias. “Estudos que se utilizaram do aplicativo mostram, por exemplo, que durante um diálogo duas pessoas tendem a utilizar um mesmo tom de voz”, conta, lembrando que estudos da área de Psicologia também já fizeram uso do ExProsodia.

Ferreira lembra ainda que narrativas de pessoas não letradas apresentam melhores resultados mais regulares nas

análises com o aplicativo. “Essas pessoas têm como base de sua comunicação a sua narrativa oral. Apresentam, portanto, uma língua mais suscetível à análise. Pessoas não letradas sabem usar melhor sua voz”, descreve.

Na prática, uma narrativa gravada é submetida ao aplicativo que apresenta gráficos de acordo com as variações da fala. “O sistema busca pontos de contato da fala e procura encontrar musicalidades da narrativa”, explica Ferreira.

O desenvolvimento do sistema em visual basic foi desenvolvido pelo próprio grupo de pesquisas da FFFLCH. De acordo com Ferreira, existe a possibilidade de aperfeiçoamento do aplicativo, desde o grupo possa contar com programadores especializados da área de informática. “Acredito que seja possível o sistema ter uma interface mais amigável e que seja operado em outro tipo de programa mais viável que o Excell”, diz o docente.

Mais informações: (11) 99822-0219, com o professor Waldemar Ferreira; email waldemar.ferreiranetto@gmail.com

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