Língua e Literatura Coreana: nova habilitação da Letras começa em 2013

Parque Nacional Gyeongju, Coreia do Sul | Foto: Wikimedia

No ano que vem a carreira de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP oferecerá mais uma habilitação: Língua e Literatura Coreana. A novidade foi aprovada pelo Conselho Universitário no final de junho, aumentando para 15 línguas – ou formação em linguística – as opções disponíveis para especialização dos ingressantes, que escolhem o foco de sua carreira no final do ciclo básico, no primeiro ano.

O sistema de seleção entre os alunos para as vagas  é conhecido como “ranqueamento”, pois é partir de um ranking das notas obtidas nos dois primeiros semestres que os alunos têm prioridade para escolher a língua. “Por isso é muito importante dedicar-se firmemente no primeiro ano, para obter boas notas e assim alcançar a habilitação desejada”, aconselha Antônio Menezes, professor do Departamento de Letras Orientais da FFLCH e autor do projeto de criação da habilitação em coreano.

Da optativa ao bacharelado

'O Jardim Secreto', telenovela sul-coreana | Foto: Divulgação SBS/Wikimedia

O curso com habilitação em coreano conterá oito semestres, disponibilizando inicialmente 15 vagas, para o período matutino. Menezes, no entanto, observa que haverá um acompanhamento da resposta dos estudantes:

“Se notarmos que há uma demanda maior, poderemos propor o aumento do número de vagas para atender aos ingressantes de Letras e eventuais pedidos de transferência interna”.

Ele conta que a vontade de criar a habilitação em coreano existe há muito tempo – o Departamento oferecia cursos de difusão cultural desde 1990, os quais posteriormente, em 2006, tornaram-se disciplinas optativas de graduação.

Alunos  como Amanda Bueno, interessados pela Coreia, encontravam nas optativas a chance de contato com sua cultura. A estudante está no segundo ano e acabou escolhendo o japonês, mas confessa que, se estivesse disponível antes, teria escolhido o coreano. “Embora o japonês seja muito querido, seria algo bem novo para mim”, declara, ao contar que desde a infância admira a cultura nipônica, estando portanto bastante familizarizada. “O Japão acaba sendo uma porta para a ásia em geral, e hoje, com a internet, é possível explorar” continua.

Amanda gosta especialmente das novelas coreanas, que têm poucos episódios, e mostram um lado do cotidiano e hábitos da população que não se aprende na faculdade. “Na aula nós temos história, pois não aprendemos [na escola], e também muita gramática” conta.

Direto do Extremo Oriente

Seul, na Coreia do Sul. Brasil vive grande onda de investimentos produtivos coreanos | Foto: Wikimedia

Yun Jun Im, professora visitante que atualmente ministra as disciplinas optativas de coreano, explica que o conteúdo seguirá a grade padrão das línguas orientais, isto é, abordará língua, com peso maior (aproximadamente 70%), literatura – clássica e moderna, e cultura, que inclui história.

“Idealmente a academia deveria estudar tudo, mas não é possível”, diz a professora. Ela destaca a importância da Coreia para o Brasil em três pontos: temos a segunda maior comunidade coreana fora do país de origem; há aqui uma grande onda de investimento produtivo, com empresas como Hyundai e Samsung formando polos industriais que demandam trabalhadores fluentes em coreano; e a expressão que a Coreia tem tomado no cenário cultural – como a explosão do movimento K-pop (abreviação do inglês para ‘Pop da Coreia’). E finaliza:

“Em todos os aspectos é um país
interessante de se estudar.”

Para compor o quadro docente haverá contratação de dois professores doutores nos próximos anos.

Os cursos, optativas e, agora, a habilitação são financiados também, desde 2005, pela Korea Foundation, organização do Ministério de Relações Internacionais da Coreia do Sul que promove intercâmbio cultural entre o país asiático e o mundo.

Jinju geommu, dança tradicional coreana | Foto: Wikimedia

O presidente da fundação, Woosang Kim, está no Brasil para a exposição O Espectro Diverso – 600 Anos de Cerâmica Coreana, do Museu de Arte de São Paulo (Masp), e participou de uma reunião com o reitor da USP, João Grandino Rodas, na última terça-feira (14), onde mostrou interesse em criar programas de bolsas de estudo. “Tenho uma profunda crença de que Brasil e Coreia, como potências emergentes da Ásia e da América do Sul, podem ser protagonistas nas relações regionais e internacionais através do status que possuem de ‘honest brokers’ [mediadores confiáveis]”, opina o presidente.

Para ele, os emergentes podem ter uma influência mais positiva em outros países, se comparados com as grandes potências. “Para tirarmos o máximo proveito desse contexto, precisamos de uma compreensão profunda e mútua um do outro”, continua. É isso que ele, cientista político na era da globalização, espera com a habilitação:  “está cada vez mais evidente que, enquanto as pessoas mantiverem contato cultural, os laços permanecerão firmes. Mesmo quando as relações políticas e econômicas se tornarem tensas”.