Evento mostra experiência da USP em ensinar com cultura e extensão

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Na manhã desta segunda (17), uma bela apresentação da Orquestra Sinfônica da USP – símbolo do valor que a Universidade dá à cultura e também ao público que não faz parte dela – marcou o início do simpósio Aprender com Cultura e Extensão. O evento expõe até quarta-feira (19), no Paço das Artes, mais de 600 projetos realizados nos últimos anos em que Universidade contribuiu diretamente com a sociedade, em uma mostra viva do que significa a extensão.

Na solenidade de abertura, a pró-reitora de Cultura e Extensão, Maria Arminda do Nascimento Arruda, exaltou a reformulação por qual as políticas para extensão passaram recentemente, proporcionando ganhos tanto para a formação dos alunos quanto para a  comunidade como um todo. “A ideia é que possamos construir agentes de cultura, agentes de atuação na sociedade, a partir das bolsas do Aprender com Cultura e Extensão”, explicou Maria Arminda, citando o programa em que estão inseridas as iniciativas apresentadas.

Atualmente, o Aprender com Cultura e Extensão desenvolve 571 projetos e tem 1.200 alunos bolsistas de todas as áreas do conhecimento. Para que as bolsas de R$ 400,00 mensais com vigência de 12 meses sejam concedidas, é necessário que cada projeto passe por uma comissão avaliadora. “À medida em que as bolsas são concedidas, são semelhantes às de Iniciação Científica, só que voltadas para o campo da cultura e extensão. Portanto, o programa envolve qualificação e julgamento de mérito”, ressaltou a pró-reitora.

Fora dos ‘muros’

O simpósio apresenta, através de painéis, todos os projetos realizados desde 2009. Dessa forma, pode mostrar tanto para o público interno, quanto ao externo à USP, o que de melhor vem sendo produzido na Universidade. “Não adianta fazer pesquisa para dentro, que não extrapole os muros da Universidade”, defende José Clóvis de Medeiros Lima, assessor técnico da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão (PRCEU).

Entre as ações apresentadas está o Projeto Santuário, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnica (FMVZ) da USP, em que alunos levam a escolas públicas em bairros de baixa renda um teatro educativo para ensinar o cuidado e respeito com seus animais de estimação. Em seguida, uma campanha de castração é feita na região como controle populacional e promoção da saúde dos próprios animais.

Outro projeto de destaque é o Redigir, mantido pelos alunos de Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, onde o foco é proporcionar aulas de português e redação, mas principalmente, de cultura e cidadania, também a pessoas de baixa renda. As inscrições para novas turmas abrem semestralmente.

A professora Glória da Anunciação Alves, orientadora da Semana de Geografia, destaca em seu projeto a articulação entre Universidade e Escola. Criado pelos próprios estudantes de graduação, por este projeto, alunos USP fornecem apoio ao desenvolvimento de ações para o ensino de geografia em escolas públicas. As iniciativas  são posteriormente apresentadas durante a realização de uma Semana.

“Achei muito forte ouvir um aluno dizendo: ‘eu entrei na USP pela porta da frente’.
Para esses alunos, muitas vezes, a Universidade parece um sonho distante, e esse projeto quer aproximá-lo daqui”, relata a professora.

Achei muito forte ouvir
um aluno dizendo: ‘eu entrei
na USP pela porta da frente’.

Segundo Glória, que é docente do do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, são mais de mil crianças participantes da Semana.

Além dos benefícios para a sociedade, há também o crescimento acadêmico e pessoal do aluno que se envolve com os projetos. Luanne de Souza Pires, graduanda do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos, acredita que por meio da matemática, e de simples gestos, é possível mudar a vida das pessoas.

“Eu vi que nunca é tarde para aprender. Eles [alunos do projeto] me falavam bastante que conseguiam enxergar tudo de modo diferente e que isso mudou muitas coisas para eles”, relata a estudante, que apresenta o projeto Matemática no contexto da educação e da economia solidária, já no seu terceiro ano de existência.

Prêmiação

Como parte do julgamento de mérito dos trabalhos relatados pela Pró-Reitora, serão oferecidas premiações para os destaques de cada grande área do programa:

Área 1: Engenharia, Matemática, Computação, Química, Física e áreas afins.

Área 2: Médica, Saúde Pública e Educação Física e áreas afins.

Área 3: Artes, Literatura, Arquitetura e áreas afins.

Área 4: História, Educação, Psicologia e áreas afins.

Área 5: Direito, Economia, Contabilidade, Administração e áreas afins.

Os alunos do melhor projeto de cada área receberão bolsas de intercâmbio com unidades parceiras para apresentar e desenvover o projeto no exterior. Os segundos lugares de cada área receberão uma distinção honrosa como forma de valorização do projeto. Estes premiados serão escohidos por membros de uma comissão avaliadora, mas o público também participará do julgamento, escolhendo o melhor projeto, independente de cada área. O vencedor da votação popular também ganhará uma bolsa de intercâmbio.

“Os alunos participantes dos trabalhos selecionados como melhores terão oportunidade de os apresentarem, com financiamento da Pró-Reitoria, em instituições universitárias do exterior. É a ideia, ao mesmo tempo, da requalificação, da busca permamente pela qualidade e da internacionalização”, pontua a pró-reitora Maria Arminda.

Apesar de a primeira edição do Simpósio ter ocorrido em 2009 e a segunda só estar sendo realizada em 2012, o planejamento da PRCEU é que a partir de agora o evento ocorra anualmente.

Programa

Além da apresentação dos painéis, ao longo do evento haverá diversas mesas de discussão e palestras que abordarão temas que dizem respeito a cultura e extensão universitária, bem como o papel da Universidade nisso.

Consulte a programação completa no site da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão. A participação é gratuita a todos os interessados e o cadastramento é feito no local.

O Paço das Artes fica na Av. da Universidade, 1, Cidade Universitária, São Paulo, próximo ao Portão 1. O horário de visitação é das 9 às 18 horas.

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