HU apresenta baixos níveis de desperdício de materiais

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Paloma Rodrigues / Agência USP de Notícias

O desperdício de materiais observado no centro cirúrgico do Hospital Universitário (HU) da USP é considerado baixo. Os dados positivos foram encontrados em pesquisa realizada na Escola de Enfermagem (EE) da USP, pela enfermeira Liliana Cristina de Castro. “Por ser um hospital escola, ele poderia apresentar um desperdício maior, já que o exercício da profissão é realizado ao mesmo tempo em que os alunos aprendem. Mas constatamos que os índices são similares aos de outras instituições”. O Hospital Universitário da USP apresentou um desperdício médio total de 9,34% dos materiais, sendo apenas 1,23% de desperdício evitável, o restante foi causado pela inadequação das embalagens dos produtos.

Liliana foi orientada pela professora Valeria Castilho e acompanhou 275 cirurgias aleatórias durante quatro meses, o que representa 17,7% do total de cirurgias realizadas no período. Para mapear os materiais, ela dividiu seu trabalho em duas partes: um formulário catalogando todos os materiais encaminhados, utilizados e estornados, além de um segundo formulário identificando quais deles não foram usados e desperdiçados.

A pesquisadora destaca que grande parte do desperdício não pode ser evitada. “Algumas embalagens contém uma quantidade excessiva de produtos, o que faz com que parte de seus itens precise ser descartado ao final da cirurgia”, diz. Como exemplo, ela cita os pacotes de compressa cirúrgica. Cada pacote contém cinco unidades. Se na cirurgia não forem utilizadas as cinco unidades, as restantes têm de ser descartadas, já que não podem ser reaproveitadas por conta de risco de contaminação. O desperdício não evitável somou 8,14%.

Foi considerado desperdício evitável aquele em que toda a embalagem foi descartada, ou seja, a abertura do produto não precisava ter sido feita.

Modelo Just in Time

Dentre os motivos que colaboram para os baixos índices de desperdício, está o Sistema de Gerenciamento de Materiais Informatizado (SGM), que está baseado no método Just in Time, ou seja, no estoque mínimo e na reposição contínua dos materiais. O modelo, que foi empregado no hospital em 2008, se baseia no estoque mínimo, pois os materiais são constantemente repostos.

Liliana explica que isso evita a perda de materiais e melhora a distribuição entre os setores. “As vezes, dentro de um hospital, determinado produto falta em um setor e sobra em outro, mas não acontece o remanejamento porque cada um deles tem sua própria área de suprimentos. Isso não acontece na reposição contínua”.

No SGM, os materiais são retirados diariamente da sala de suprimentos do centro cirúrgico, 24 horas antes das cirurgias. São montados os kits que serão usados durante os procedimentos. O sistema registra todos os materiais usados durante a cirurgia e já os deixa registrados no cadastro do paciente. Foram estes cadastros que Liliane consultou para preencher seu primeiro formulário, da totalidade de materiais usados no hospital. O segundo era preenchido dentro do próprio centro cirúrgico, durante a cirurgia, listando tudo o que estava sendo descartado.

A enfermeira diz que se surpreendeu com o baixo índice, pois o HU é um hospital universitário, onde os estudantes aprendem durante os procedimentos. Isso poderia incorrer em um maior número de erros durante o uso e descarte de materiais, mas não foi o que aconteceu. “O que deve ser feito agora, após a implantação do SGM em outras unidades, é criar um índice com os materiais desperdiçados para que suas embalagens possam ser discutidas na indústria”. E completa dizendo: “Essas inadequações causaram a maioria do desperdício, produzindo impacto para o meio ambiente por usar matéria-prima, além da geração de resíduos. Isso é nocivo ao homem e uma responsabilidade da indústria”, completa.

Mais informações: email lilianacastro@usp.br

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