Artista computacional expõe trabalhos na ECA

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Bruna de Alencar dos Santos / Laboratório Agência de Comunicação

Tania Fraga trabalha com arte computacional interativa desde 1987, usando tecnologias computacionais de realidade virtual, computação afetiva e física. Artista e arquiteta, é coautora do projeto de arquitetura do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB), doutora em comunicação e semiótica pela Pontífica Universidade Católica (PUC) da São Paulo, e atua como pesquisadora associada na UnB.

A pesquisa Tessituras Numéricas, desenvolvida como pós-doutorado na Escola de Comunicações e Artes (ECA), com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), investiga sistemas computacionais afetivos integrando poeticamente objetos físicos e virtuais em simbiose criativa com as pessoas. Esses sistemas aplicam recursos artísticos e computacionais para intensificar a relação poética entre o público e o universo técnico-artístico.

Nos dias 8 e 9 apresentará a exposição Exoendogenias, durante Semana de Pesquisa da ECA 2012, que acontece no prédio central da ECA. O convite para expor suas obras surgiu depois que a professora Maria Cristina Costa, do Departamento de Comunicações e Artes (CCA), conheceu seu trabalho com arte computacional interativa.

Tânia Fraga afirma que seu objetivo é sempre poético-estético, define arte computacional interativa como arte feita por programa. ”Para mim na arte computacional o artista deve programar o software ou hardware que está desenvolvendo”, afirma a artista.

A arte computacional no modelo apresentado pela artista Tania Fraga só existe dentro das universidades, com a exceção de alguns artistas que contratam um programador para fazer trabalhos esporádicos. “Eu chamo de arte experimental porque é pura pesquisa, você tem tudo por fazer, principalmente, na área da arte porque nada é feito para artista”, diz Tania. “No geral softwares são feitos para serem aplicados e nós, artistas, trabalhamos com a criação de linguagem, explorando possibilidades que ainda não aconteceram. Essa pesquisa só pode acontecer dentro da Universidade, portanto a exposição está em um lugar adequado, que é a Semana de Pesquisa da ECA”, afirma Tania.

A artista acredita que somente haverá uma mudança na área artística quando o artista se aprofundar no conhecimento de todo o processo artístico, e não somente uma parte. “Para mim só vai haver uma mudança de paradigma quando o artista passar a programar. Não dá para pensar no novo, se você não sabe os processos que ele implica”, diz Tania. “Como você vai fazer uma pintura, se você não sabe usar a tinta? Como você vai fazer uma cerâmica se você não conhece a cerâmica? Não conhece os procedimentos?”, questiona a artista.

Enigma é um objeto robótico cujas respostas aos movimentos do interator acontecem através de mudanças nas manchas luminosas que se movimentam em seu interior. Como realizar as mudanças é um enigma a ser descoberto pelo interator. Enigma é um objeto robótico que responde com variações de cores, de padrões luminosos, de números de LEDs acesos e de velocidades de acendimento dos LEDs. Os LEDs estão montados na base de uma caixa de madeira reciclada e de PETG. As cores, a leveza, e os movimentos resultam de uma construção precisa e cuidadosa. A opção poética é a leveza e a charada que oferece ao interator. A opção funcional é a simplicidade.“Eu escolhi o nome Enigma porque eu sempre deixo possibilidades para o usuário poder descobrir, eu nunca dou uma solução pronta”, justifica Tania Fraga

O outro trabalho, Variações Númericas é constituído de seis cybermundos, mundo virtual, onde se pode controlar os diferentes processos de cada mundo por meio de um capacete neural.

Mais informações: site www.eca.usp.br

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