Transporte mais eficiente é obtido por redes inteligentes, aponta estudo do ICMC

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Da Assessoria de Comunicação do INCT-SEC

Os avanços em tecnologia da informação e comunicação permitiram a criação de um sistema de transporte inteligente (ITS) que possibilita fabricantes a equiparem veículos com computador de bordo, dispositivos de comunicação sem fio, sensores e sistemas de navegação. Por meio de diferentes sensores (como para detecção de condições da estrada, meteorológicas, estado do veículo, radar e outros), câmeras, computadores e recursos de comunicação, os automóveis podem recolher e interpretar informações com o propósito de ajudar o motorista a tomar decisões.

Os estudos estão sendo feitos no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, pelo pós-doutorando Leandro Villas.

As aplicações potenciais permitem a coleta de informações em tempo real sobre o tráfego, as condições das estradas, a proximidade de outros veículos, entre outras. Esses dados são capturados por um grande número de sensores que ficam a bordo dos veículos e nas estradas, podendo ser transmitidos para outros automóveis ou infraestrutura rodoviária. Nesse contexto, indústria e academia buscam desenvolver padrões e protótipos para redes veiculares.

As chamadas Redes Ad Hoc Veiculares (VANETs) fazem parte dos futuros Sistemas Inteligentes de Transporte Terrestre e compreendem a integração e comunicação entre sensores, veículos e componentes fixos de beira de pista (roteadores, gateways e serviços). As VANETs são um tipo especial de Redes Ad hoc Móveis (MANETs), em que veículos equipados com capacidade de processamento e de comunicação sem fio criam uma rede espontânea ao estarem em movimento na pista.

O pesquisador Leandro Villas, formado em Ciências da Computação, também ligado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC) desenvolve pesquisa nessa área sobre o tema Disseminação de Dados na Próxima Geração de Redes Veiculares Inteligentes.

Aplicações

Ele explica que VANET é uma parte importante dos sistema de transporte inteligente (ITS) e tem enorme potencial de aplicações e valor comercial. “Por exemplo, um estudo de 2008 conduzido por Marcos Cintra, Ph.D. em Economia por Harvard, mostrou que o custo pecuniário de congestionamento na cidade de São Paulo foi de aproximadamente R$ 33,5 bilhões. Oitenta e cinco por cento do custo está associado com o tempo perdido no trânsito; 13% é devido ao combustível consumido e 2% é decorrente de aumento das emissões de poluentes.”

O custo do congestionamento pode ser reduzido com o uso de VANETs, pois podem fornecer informações atualizadas e dinâmicas sobre as condições de tráfego e reduzir o número de acidentes nas estradas, enquanto proporciona aos condutores e passageiros aplicações para a condução confortável, tais como serviços de localização, streaming de multimídia, notícias locais, informações turísticas e mensagens de alerta sobre a rodovia e ruas da cidade.

O pós-doutorando também afirma que “espera-se como resultado da pesquisa que as soluções de disseminação de dados em VANETs a serem concebidas superem as limitações das soluções atuais com a integração de diferentes tecnologias e o tratamento simultâneo de desafios, como congestionamento de transmissões, partição e fragmentação temporal de rede. Pretende-se também que essas soluções inovadoras possam ser aplicadas na indústria nacional.”

INCT-SEC

Atualmente, Villas é bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), sob supervisão do professor doutor Jó Ueyama, do ICMC e INCT-SEC.

O objetivo do INCT-SEC, sediado no ICMC, em São Carlos, é agregar habilidades, competências e infraestrutura necessárias para o desenvolvimento de sistemas embarcados críticos, com o intuito de capacitar a academia e a indústria brasileira no desenvolvimento científico-tecnológico de aplicações de relevância e de alto impacto econômico-social em áreas estratégicas do país, como agricultura, segurança e defesa nacional, aviação e meio ambiente.

Mais informações: email faiccleo@gmail.com, com o pesquisador Leandro Villas

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