HCFMRP tem atendimento especial para pênfigos (“fogo selvagem”)

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Do Serviço de Comunicação Institucional do Campus de Ribeirão Preto

Pacientes acometidos por pênfigos – que tem na forma pênfigo foliáceo um nome mais popular, o “fogo selvagem” – ganham encontros especiais em ambulatório do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP. Após estudos da relação entre estresse emocional e a indução e evolução da doença, especialistas verificaram que, além do preconceito e do sentimento de vergonha que levam ao isolamento, existe grande dificuldade no diálogo do doente com a equipe médica, uma vez que se trata de uma enfermidade cujas causas ainda não estão estabelecidas.

Com estas informações, a autora da pesquisa, a psicóloga Aline Bicalho Matias, explica: “introduzimos no Ambulatório de Dermatoses Autoimunes do HCRP um grupo mensal, de caráter informativo”. Os encontros são conduzidos pela professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) e orientadora do trabalho, Ana Maria Roselino, e discutem questões relativas ao adoecimento e tratamento. Familiares e pacientes ficam sabendo o que a ciência já desvendou sobre a doença, o diagnóstico (enfatizando o fato de não se tratar de doença contagiosa), as principais formas de tratamento e seus efeitos colaterais.

O espaço – aberto para diálogo, esclarecimento de dúvidas e troca de experiências – começou no início do ano passado e pretende ajudar na desmistificação do “fogo selvagem”, que acomete a pele, e do pênfigo vulgar, pele e mucosas. Elas formam bolhas que tendem a romper, originando erosões ou úlceras dolorosas que sangram com facilidade.

Conheça mais sobre o pênfigo

O termo pênfigo vem do grego pemphix, que significa bolha, e compreende um grupo de doenças “bolhosas” autoimunes que atinge a pele e as mucosas. A literatura médica descreve dois tipos principais de pênfigos: o pênfigo vulgar (PV) e o pênfigo foliáceo (PF). No PV, as bolhas acometem a pele e as mucosas, por isso é considerado mais grave. As lesões são mais profundas e o paciente pode não se alimentar devido à dor. Por isso, o tratamento deve começar o mais cedo possível. Já o PF acomete somente a pele.

Ainda não se sabe o que causa o pênfigo, mas existem evidências, mostrando que envolve fatores genéticos, estressantes e ambientais. Na FMRP, o grupo de pesquisadores liderados pela professora Ana Roselino estuda esses fatores já há algum tempo. Entre eles, os potenciais são: predisposição genética, estresse, picadas de insetos, algum tipo de infecção viral e intoxicação pelo meio ambiente.

O diagnóstico é feito através de exame clínico e de biópsia da pele ou da mucosa. O tratamento é feito com altas doses de corticoide via oral. Quando não se obtém resposta eficaz, o paciente recebe a pulsoterapia mensal endovenosa, aplicação injetável de dexametasona e ciclofosfamida (DCP). Segundo os especialistas, esta última via de administração tem se mostrado mais eficaz.

O pênfigo foi descrito pela primeira vez em Paris em 1844. No Brasil, foi em 1903. A diferença entre os dois, no entanto é que, ao contrário do de Paris que se trata de um tipo raro e esporádico, o brasileiro é endêmico de determinadas regiões. Este fato torna a doença curiosa, dizem os estudiosos, pois é ao mesmo tempo autoimune e endêmica.

Apesar da falta de casuística, estudos mais recentes mostram que no Brasil o pênfigo aparece no Mato Grosso e em Brasília, no Distrito Federal, além dos locais tradicionais da doença, nos estados de Goiás, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul e região nordeste do estado de São Paulo.

Estudo de 21 anos dos casos paulistas atendidos pelo HCRP mostrou tendência de crescimento do pênfigo vulgar em relação ao foliáceo, manutenção da faixa etária entre 10 e 20 anos para a incidência do foliáceo e de diminuição da idade mínima para o vulgar, acometendo pessoas mais jovens. Para a professora, esses achados devem sinalizar outros caminhos para explicar a doença no país.

As pesquisas recentes mostram também que é antiga a ideia de que o pênfigo tem maior incidência em pessoas que vivem em áreas rurais. Relatos de casos atendidos no Hospital Universitário de Brasília concluem que a doença também afeta as classes sociais mais altas. São, principalmente, moradores de áreas urbanas que frequentam zonas rurais por lazer ou pela profissão. Assim, adianta a professora, que o pênfigo “não afeta com maior frequência trabalhadores rurais e, sim, indivíduos que frequentam áreas com rios, lagos, represas ou cachoeiras”. Ela acredita ainda que, até a próxima década, o pênfigo será um dos diagnósticos mais comuns das dermatoses autoimunes.

Mais informações: (16) 3602-2447, (16)  3602-2715

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