Pesquisa da FMRP indica que ambiente pode influenciar na qualidade de vida de diabético

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Fernando Pivetti / Agência USP de Notícias

Aspectos relacionados à vida social e ao meio ambiente são fatores que influenciam a qualidade de vida de pessoas com diabetes mellitus. É o que aponta um estudo elaborado pelo Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

A pesquisa fez um levantamento da qualidade de vida dos pacientes diabéticos em quatro domínios: físico, psicológico, meio ambiente e relações sociais. Foram estudados dois grupos de pessoas com diabetes mellitus: um com controle glicêmico satisfatório e outro com controle glicêmico insatisfatório, avaliado por meio do resultado do exame da hemoglobina glicada.

O trabalho, desenvolvido pela nutricionista Simara Maria Barboza, se baseou em um estudo analítico do tipo caso-controle, com o propósito de identificar características que ocorrem em maior ou menor frequência entre os casos do que entre os grupos de controle. O estudo foi constituído por 90 pessoas com diabetes mellitus tipo 2, de ambos os sexos, sendo 30 casos e 60 controles, com idades entre 40 e 79 anos e com pelo menos um ano de diagnóstico do diabetes mellitus.

Dois questionários foram utilizados para o levantamento de dados. Um referente a características sócio-demográficas e clínicas; e o outro, para mensurar a qualidade vida: o WHOQOL-BREF, que possui questões gerais sobre qualidade de vida e outras que contemplavam quatro domínios (físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente).

“O domínio físico refere-se à dor, desconforto, energia, fadiga, repouso, mobilidade, atividades da vida cotidiana, dependência de medicação ou de tratamentos e capacidade de trabalho. O domínio psicológico trata dos sentimentos positivos e negativos, pensar, aprender, memorizar, concentração, auto-estima, aparência e espiritualidade. Já o domínio das relações sociais se refere ao apoio social e atividade sexual. E o domínio meio ambiente traz o próprio ambiente físico, o transporte, a segurança física, ambiente no lar, recursos financeiros, cuidados de saúde, oportunidades de adquirir novas informações e habilidades, oportunidades de lazer”, explica Simara.

Quando comparados os resultados de cada domínio, observou-se que os dois grupos pesquisados têm uma baixa satisfação da qualidade de vida no domínio psicológico, seguido pelo domínio físico, o domínio das relações sociais, e por último, o meio ambiente, tido como o domínio que mais influenciou a qualidade de vida dos entrevistados. De uma forma geral, nos quatro domínios estudados as médias de pontuação do grupo dos casos foram maiores do que as médias encontradas no grupo de controle, embora apenas nos domínios relações sociais e meio ambiente as diferenças foram significantes para as estatísticas.

Estudos ainda pouco explorados

Simara conta que a pesquisa foi motivada pelos altos índices de novos casos da doença a cada ano, ainda que seus elementos, diagnósticos, programas educativos de prevenção e tratamento sejam conhecidos, e que o estudo social sobre diabéticos era pouco explorado. “Como é que existindo tantos elementos de diagnósticos já conhecidos, programas educativos, possibilidades de se limitar o dano, ainda há índices tão altos de prevalência de diabetes mellitus, ocupando os primeiros lugares como causa de morte em muitos países? Por quais motivos ainda ocorre a não aceitação da condição de se conviver com diabetes mellitus em algumas pessoas? Por que a recusa de realizar as mudanças no estilo de vida e os cuidados iniciais, que talvez possam permitir uma vida melhor?” questiona.

Para a pesquisadora, o estudo cria um grande apoio para os profissionais que trabalham com portadores de diabetes mellitus. Ela acredita ser de grande importância priorizar os aspectos ligados à relações sociais e meio ambiente nas atividades educativas voltadas aos pacientes. “É necessário olhar para a pessoa com um todo, observar seus medos, suas angústias, conversar com seus familiares, proporcioná-los atividades que lhe tragam prazer, auto-estima e segurança, em vez de ficarem fechados em uma sala só ouvindo sobre diabetes e doenças associadas”, afirma Simara. Segundo ela, é importante que uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, nutricionistas, psicólogos e educadores físicos, esteja presente para que as atividades educativas tenham sucesso e sejam dinâmicas, alegres e que as pessoas participem ativamente.

Mais informações: email simara.barboza@yahoo.com.br

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