O quarto

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Seu José, com 91 anos, e dona Egle, com 87, “precisam ser poupados de emoções mais fortes, e é a vez de os filhos continuarem a caminhada”, diz Maria Cristina Vannucchi Leme. Pós-graduada em História, ela trabalha hoje como assessora parlamentar em Brasília.

Para falar de como o irmão segue presente na vida da família, Maria Cristina cita o verso de Chico Buarque: “A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu”. “A lembrança dele está em toda a casa, nos livros, discos, na mesa de pingue-pongue, não só no quarto”, descreve. “Este continua sendo chamado de ‘quarto do Alexandre’, contém os móveis originais, mas outros objetos e peças de mobiliário foram adicionados. Acho que a decoração sofreu uma renovação saudável; seu quarto não é um santuário intocado.”

Em março de 1973, a ditadura brasileira matou o brilhante estudante de Geologia da USP Alexandre Vannucchi Leme; o Lê, filho do seu José e de dona Egle e irmão mais velho de Maria Regina, Maria Cristina, Miriam, José Augusto e Beatriz; o Minhoca, colega querido na Universidade e no movimento estudantil.

Mas não matou sua memória, nem a dignidade de quem a mantém.

No dia 15 de março, sexta-feira, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça realiza a 68ª Caravana da Anistia, com ato oficial de reconhecimento, pelo Estado brasileiro, de Alexandre Vannucchi Leme como anistiado político (às 12 horas, no Instituto de Geociências da USP, na Cidade Universitária). Na cerimônia também será entregue o novo atestado de óbito do jornalista Vladimir Herzog aos seus familiares. Às 18 horas, Dom Angélico Sândalo Bernardino celebra missa na Catedral da Sé.

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