Pesquisadores da USP utilizam tecnologia móvel para acompanhar pacientes em tratamento de tuberculose

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Camila Ruiz / Assessoria de Imprensa da EERP

Pesquisadores da USP utilizam aplicativo móvel instalado em smartphones com sistema operacional Android para operar um sistema integrado e padronizado de registro para o acompanhamento do tratamento dos pacientes com tuberculose. O aplicativo foi criado pelo professor Domingos Alves, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, e por dois alunos sob sua orientação. A cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, pelo alto número de casos da doença, foi escolhida para o teste piloto da implantação dessa nova tecnologia, que já recebe apoio da Secretaria Estadual e Ministério da Saúde para expandir o seu uso em outros municípios do Brasil.

Uma das coordenadoras do projeto, professora Tereza Cristina Scatena Villa, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP afirma que a duração do tratamento pode ser de, no mínimo seis meses, sendo que a ingestão dos medicamentos precisa ser supervisionada e registrada diariamente por um profissional de saúde.  Nesse sentido, diz ela, o aplicativo permite que o profissional tenha acesso fácil às informações de cadastro e de acompanhamento do paciente. “Ele pode, ainda, inserir novas informações para o gerenciamento clínico do caso, como exames realizados (baciloscopia e RX), esquema terapêutico, além de ações para avaliação das pessoas que entraram em contato com os doentes, uma vez que a tuberculose é transmitida pelo ar.”

A professora também destaca que “muitos pacientes com tuberculose recebem diariamente o medicamento em seu próprio domicílio e este fato justifica ainda mais a importância do uso da tecnologia móvel [smartphones], uma vez que o profissional de saúde terá na tela do celular todas as informações para um melhor acompanhamento do paciente, permitindo atualizar as informações em tempo real”.

Pretende-se ainda, diz ela, que o dispositivo substitua diversos formulários de acompanhamento dos casos de tuberculose, assim as informações serão complementadas e registradas, por meio de relatórios semanais e mensais, junto ao Sistema de Informação Estadual e Nacional sobre Tuberculose. “Com isso será evitada a perda de informações e permitida uma real avaliação da situação epidemiológica da doença. O uso dessa tecnologia inovadora também permitirá o agrupamento sistematizado das informações. Assim, os profissionais terão acesso aos dados do usuário centralizados em um único local, facilitando a tomada de decisão em relação à terapêutica e evitando a duplicidade de registros.”

Já para o paciente, as vantagens são muitas. “Ele terá uma diminuição nos gastos com deslocamento ao serviço, pois poderá agendar consultas e receber informações durante a medicação supervisionada no domicílio.”

Testes

Os testes do novo aplicativo começaram em janeiro deste ano em uma Unidade de Saúde de Ribeirão Preto. Segundo Nathalia Halax, aluna de mestrado da EERP e uma das responsáveis pela realização do teste, junto com Nathalia Crepaldi, graduada em Informática Biomédica da USP, essa iniciativa é muito motivadora para todos e, principalmente, para os profissionais de saúde, que reconhecem a importância do dispositivo na sistematização dos registros. “O interesse dos profissionais vai além do esperado. Eles acreditam que os pacientes e o próprio serviço têm muito a ganhar com a utilização da tecnologia móvel em termos de acesso a informações atualizadas de resultados de exames e outras intercorrências que ocorrem durante o tratamento”, afirma Nathalia.

Até o início deste mês, foi feito o cadastramento de aproximadamente 30 pacientes em tratamento na Unidade de Saúde, para os ajustes necessários e capacitação dos profissionais para a utilização da tecnologia móvel de gerenciamento da assistência à Tuberculose.

O projeto multicêntrico Estudo de pontos de estrangulamento do controle da tuberculose na atenção primária, do Ministério da Ciência, Técnologia e Inovação; Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); e Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estatatégicos (SCTIE); e Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit), área de Pesquisa em Doenças Negligenciadas; é coordenado pelos professores Tereza Cristina Scatena Villa, da EERP, e Antônio Ruffino-Netto, da FMRP.

Além dos coordenadores, participam desse projeto o professor Domingos Alves, da FMRP; os professores Pedro Fredemir Palha, Ricardo Alexandre Arcêncio e Aline Aparecida Monroe, da EERP; e alunos de graduação e pós-graduação de ambas as unidades de ensino. “É uma pesquisa que constitui um trabalho em rede com a participação de quatro faculdades de Medicina: USP, Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio), Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp); e nove de enfermagem: USP, Uni-Rio, UFRN, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) e Universidade do Estado do Amazonas (UEAM), além de profissionais de saúde municipais, estaduais e do Ministério da Saúde, procurando fortalecer o elo ensino-pesquisa-assistência.”

Mais informações: (16) 3602-3407

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