USP inaugura Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin

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Julio Bernardes / Agência USP de Notícias

A USP inaugurou no dia 23 de março, às 18 horas, o prédio da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, localizado na Cidade Universitária (Zona Oeste de São Paulo). O investimento total na obra foi de R$ 130 milhões e também fazem parte das instalações um auditório, salas de exposição, instalações para digitalização e restauro de livros e espaço para projetos de pesquisa. A cerimônia de inauguração teve a participação do reitor da USP, João Grandino Rodas, do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e da ministra da Cultura, Marta Suplicy.

O edifício, com 20 mil metros quadrados de área, abrigará 60 mil volumes de livros e documentos sobre o Brasil, com destaque para a coleção reunida pelo advogado, empresário e bibliófilo José Mindlin, doada a USP em 2005. A cerimônia teve início com a exibição do vídeo “Uma Vida Entre Livros”, que relatou a trajetória de Mindlin e da formação de seu acervo. Em seguida, o professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciencias Humanas (FFLCH) da USP, Antonio Cândido lembrou que Mindlin era muito mais que um simples bibliófilo. “Ele não se resumia a ser um colecionador de livros, era um grande leitor, com muito discernimento, e a formação de sua Biblioteca lembra um escritor compondo sua obra”, contou. “Queria que todos usufruíssem de seu acervo. Era um desses homens que fazem a vida parecer melhor”.

Confira imagens da biblioteca na Fotorreportagem do USP Online.

Falando em nome da família de Mindlin, o filho Sergio Mindlin fez um agradecimento a todas as pessoas da USP que colaboraram na realização do projeto, em especial ao Reitor e aos professores Antonio Marcos de Aguirra Massola, diretor executivo da Fundação de Apoio à USP (Fusp), que supervisionou a execução da obra, e Istvan Jancsó (que morreu em 2010), primeiro diretor da Biblioteca. “Com esta inauguração, o que era uma iniciativa familiar, com minha mãe, Guita Mindlin, cuidando da conservação e restauro do acervo, se transforma em um centro de estudos para pesquisadores do mundo todo”, afirmou. “As pessoas passam e os livros ficam. Uma longa vida a Biblioteca”.

A cerimônia se encerrou com o descerramento da placa comemorativa da inauguração da Biblioteca. Após a solenidade, o reitor da USP destacou a importância da doação realizada por Mindlin e sua família. “No Brasil, não existe essa tradição de doações, o processo não é simples, mas aqui foi plantada a semente para que outras pessoas façam o mesmo gesto”, disse Rodas. “Para a USP, a inauguração deste edifício é um divisor de águas, pois recupera a ideia que havia nos anos 1960 e 1970 de um bem público monumental, moderno e de ponta, e leva aos brasileiros o ideário de que doar ao poder público e um excelente modo de disseminar a cultura e o conhecimento”.

O prefeito Fernando Haddad declarou que com a inauguração, São Paulo está um pouco maior e espiritualmente mais rica. “Além de seu grande acervo, a Biblioteca também é um chamamento para pensar mais o Brasil, um convite para a reflexão sobre a história do País e o seu futuro”. A ministra Marta Suplicy lembrou do apoio do Ministério da Cultura ao projeto, por meio da lei de incentivo cultural (Lei Rouanet) e do Fundo Nacional de Cultura, levantando recursos da ordem de R$ 23 milhões. “O conteúdo desta obra é extraordinário”, disse. “No auditório, o Ministério irá instalar um dos cinemas digitais que utilizam o cabeamento de fibra óptica da Rede Nacional de Pesquisa (RNP)”. A construção da Biblioteca também teve o apoio da Petrobras, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de empresas privadas.

O projeto do edifício da Biblioteca foi elaborado pelos arquitetos Eduardo de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb, com assessoria da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. “Além de um ambiente protetor, este será um centro de referência da cultura brasileira”, disse Almeida. Loeb, que é neto de Mindlin, afirmou que a inauguração representa a realização do sonho não apenas de seus avós, mas de todos que colaboraram com a concretização da obra. “A família nunca se sentiu dona dos livros, mas guardiã deles, e sempre permitiram sua utilização em pesquisas e exposições. Agora esta iniciativa terá continuidade, pois este é um patrimônio de todos”, destacou. “Este é um espaço pensado para ser 100% aberto ao público, 24 horas por dia”.

O diretor da Biblioteca, Pedro Puntoni,  disse que o acervo possui 60 mil volumes, que incluem a coleção de Mindlin e outros acervos, como o do professor Istvan Jancsó (1.000 volumes) e a coleção completa do jornal “O Estado de S.Paulo”, desde o primeiro número, publicado em 1875 (7.000 volumes). “O espaço tem capacidade para 150 mil volumes, e possui potencial para crescimento”, afirmou. “Haverá recursos para aquisições, que também poderão ser obtidos em projetos de incentivo fiscal, além do recebimento de novas doações”, afirmou.

Segundo o diretor, a Biblioteca possui 16 funcionários, número que deverá chegar a 33, e seis professores colaboradores que realizam projetos de pesquisa desde a criação da Biblioteca, em 2005. “A ideia é trazer outros pesquisadores, nas áreas de história do Brasil, literatura, tecnologias de acesso à informação, entre outras”, disse. “Na origem de tudo, quando José Mindlin doou seu acervo, a intenção não era apenas a de oferecer uma Biblioteca para ficar guardada, mas de criar um centro de estudos e pesquisas dentro da USP”.

Puntoni relatou que a Biblioteca planeja a realização de exposições e atividades no auditório ao longo do ano, e está em estudo a criação de cursos de pós-graduação em Humanidades Digitais. No primeiro andar da biblioteca estão localizados os livros reunidos pelo colecionador Rubens Borba de Moraes, que foram incorporados à coleção de José Mindlin, livros de História, relatos de viajantes e de expedições científicas no Brasil desde o século XVI, obras sobre a presença dos jesuítas no País, além de manuscritos e provas tipógraficas de livros, como “Grande Sertão Veredas”, de Guimarães Rosa. Também há um setor de mapas e livros de grande formato. O segundo andar possui obras de literatura brasileira, entre elas primeiras edições de escritores como Machado de Assis e Euclides da Cunha, e livros do sociólogo Gilberto Freyre e do folclorista Luis da Câmara Cascudo. No terceiro andar estão obras de referência, como dicionários e enciclopédias, livros de arte e periódicos.

O subsolo abriga um salão de exposições temporárias. Também há um espaço com as máquinas de digitalização de livros e instalações para tratamento de imagens, além de um laboratório para conservação e restauro de livros e documentos. O local possui ainda um arquivo deslizante, com capacidade para 90 mil volumes, e painéis para guardar quadros e obras de arte. Outras áreas do edifício sediarão o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), o Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBi) da USP e uma livraria da Editora da USP (Edusp), que deverão ser entregues até o final do ano.

As primeiras exposições da biblioteca estarão abertas para o público a partir de 25 de março, de segunda-feira a sexta-feira, das 9h30 às 18h30. “Não faço nada sem alegria” é uma exposição de longa duração com painéis, fotos e vídeos sobre a vida de José e Guita Mindlin, a formação do acervo da Biblioteca, a construção do edifício, a cultura do livro, a história da imprensa e o prazer da leitura. “Destaques da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin” é uma mostra de cerca de cem títulos da coleção que estarão expostos até 28 de junho. A entrada é gratuita. O acesso ao acervo para consultas terá início no dia 2 de abril, das 13 às 17 horas, mediante agendamento. O endereço é Rua da Biblioteca, s/nº, Cidade Universitária, São Paulo.

Mais informações: (11) 3091-1154, site www.brasiliana.usp.br

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