FEARP participa de projeto de gestão de empreendimentos culturais

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Rita Stella / Serviço de Comunicação Social da Prefeitura USP de Ribeirão Preto

Parceria firmada pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP com o Conservatório de Música Contraponto quer combater o déficit de professores de música, a ausência de gestores de empresas culturais e fazer chegar ao público, principalmente o jovem, música brasileira de qualidade.  Para atingir esse objetivo, um projeto conjunto de “Empreendedorismo Cultural” se encontra em plena atividade e integra diferentes programas, alguns já com data agendada, como é o caso do show “Nova Bossa”, com a banda Ravidan, que acontecerá nos dias 20 e 27 de junho.

Tudo começou quando, no ano passado, a coordenadora do Núcleo de Pesquisas em Gestão Tecnológica, Inovação e Competitividade da FEARP ( InGTec), Geciane Porto, conheceu Elaine Souza, diretora da Contraponto, escola de música sediada em Ribeirão Preto (interior de São Paulo). Já no final do ano durante os ensaios do 27º Festival de Música e Artes (Femac) da escola, elas começaram a pensar sobre uma possível parceria.

Do encontro da gestão com a arte, alguns pontos críticos da realidade das artes foram revelados. A diretora da Contraponto conta que em 28 anos de trabalho vem presenciando “a dificuldade do artista e do diretor de escolas de arte em trabalhar com a parte administrativa”. Ela explica que, tanto uma escola de música quanto uma produtora de shows são empresas diferenciadas que exigem “quase uma inovação administrativa ao casar a cultura com a gestão”.

E não foi apenas a falta de profissionais para gerir cultura que chamou a atenção dos especialistas do InGTec. A Contraponto vem, ao longo de mais de duas décadas de existência, formando músicos e professores e desenvolvendo projetos sociais, como o de descobrir e retirar de situação de risco jovens talentos, oferecendo vagas gratuitas em seus cursos técnicos. Ao lado da formação e do trabalho social, iniciativas dos profissionais em pesquisar e resgatar música popular brasileira (MPB) por meio da fusão de ritmos e uso de tecnologia, também saltaram aos olhos dos pesquisadores da USP.  Em duas oportunidades, 20 e 27 de junho de 2013, a Banda Ravidan, surgida em um laboratório na escola,  mostrará o resultado de mais de dois anos de estudos, experimentação e resgate histórico musical.

Modelos para gerir cultura

As atividades práticas que o projeto se impõe devem desenvolver boas práticas de gestão e criar um modelo para administrar eventos culturais. É o que espera seus coordenadores. Além da organização e produção de dois shows, o projeto prevê também o lançamento de um CD com os trabalhos do Ravidan; a ampliação das bolsas do “Adote um Músico”, curso técnico ofertado anualmente pela Contraponto a 30 adolescentes carentes; realização de masterclass sobre tendências da MPB e workshops sobre direitos autorais.

Para a professora Geciane, esses pilotos — dos shows e do CD — contribuirão na identificação de “melhores práticas de gestão” que nortearão e ajudarão a dar profissionalismo a uma área carente no País. Ao contrário de países europeus, locais onde os empreendimentos culturais são bem estabelecidos, no Brasil, conta a professora, essas experiências são pouco difundidas, demandando o que ela chama de “inovação para a área de cultura”.

Na prática, o projeto do curso técnico de música já recebeu reconhecimento do Ministério da Educação (MEC). Ainda este ano 30 adolescentes deverão iniciar sua formação. O financiamento virá da captação de recursos do impostos de renda doados ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Ribeirão Preto. Com o apoio do InGTec, a Contraponto aguarda agora finalização do cadastro junto ao Programa de Ação Cultural da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo — o ProAC. Assim, esperam ampliar as vagas e beneficiar mais 40 jovens. Elaine, a diretora da Contraponto, lembra que existe carência de professores de música no mercado e que a situação demandará mais profissionais por conta da volta da disciplina à grade curricular do ensino fundamental, ocorrida no ano passado.

Também como resultado prático, Geciane garante que todo o conhecimento que as atividades produzirão deverá gerar uma disciplina optativa ou um curso de extensão sobre “Gestão de Empreendimentos Culturais”. O projeto da FEARP/Contraponto também quer que sons normalmente limitados pelo mercado musical cheguem ao público, em especial ao jovem. ”A sociedade está preocupada com qualidade e o melhor desempenho dos produtos que adquire, mas o mesmo não acontece com a música”, ressalta Geciane.  “O projeto pode tomar a abrangência social necessária para atrair jovens e adolescentes”.

Nova Bossa

Vitor Ferreira, 23 anos, guitarrista; Rafael Ramos, 24 anos, contrabaixista, e Daniel Villas Boas, 29 anos, baterista, são professores do Conservatório Contraponto. Eles começaram em 2010 um laboratório, que chamaram Ravidan, para pesquisar novos sons, ritmos e  história. Até que, inspirados por influências musicais divergentes, decidiram resgatar a MPB por meio de uma linguagem moderna, misturando sons e elementos não tradicionais.

Integrados ao projeto da FEARP/Contraponto, os músicos explicam que o Ravidan tem o objetivo de expandir a área de contato da MPB com o público mais jovem e, para isso, articulam elementos musicais e novas tecnologias. O violão foi substituído pela guitarra elétrica; o contrabaixo utiliza efeitos sintéticos e a bateria tem sua participação intensificada, além da adição de elementos eletrônicos. Tanto as apresentações do show “Nova Bossa” quanto o primeiro CD do grupo, que também será gravado este ano. A banda acredita que essa fórmula híbrida, de canção e sonoridade contemporânea, possa aumentar os espaços para a veiculação da cultura brasileira para as novas gerações.

Mais informações: (16) 3602-3522

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