Núcleo de Economia Solidária da USP discute Bancos Comunitários

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Formas de economias mais humanizadas são discutidas desde a primeira Revolução Industrial. Este pensamento é construído em oposição ao desenvolvimento de tecnologias que transformaram a sociedade, mas é somente no final do século XX que surge o conceito de Economia Solidária. Em uma concepção mais imediata e prática, Paul Singer – economista e titular da Secretaria Nacional de Economia Solidária (SNES), do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE) – acredita que esta é uma estratégia econômica que viabiliza uma “possível luta contra as desigualdades sociais e o desemprego”. Em 1998, o intelectual contribuiu para a criação, da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP) da USP.

Nas últimas décadas se percebe, no país, o crescimento da organização de economias solidárias a partir de formas de trabalho menos centralizadas (associativistas e cooperativistas). Hoje, o Núcleo de Economia Solidária (Nesol) da USP age de forma a viabilizar projetos e ideias de iniciativas populares em um processo de incubação – criação ou desenvolvimento de pequenas e microempresas nas suas primeiras etapas de vida. O Núcleo tem estudado, ainda, maneiras de implementar e manter ativos os chamados bancos comunitários, tema discutido em encontro no último dia 23 de abril:  Finanças Solidárias – VIII Encontro dos Bancos Comunitários de Desenvolvimento da Região Sudeste.

A Economia Solidária na USP

O Nesol foi criado em 2002 junto à Pró-reitoria de Cultura e Extensão e desde então procura desenvolver a formação de profissionais preparados para a atuação no campo da Economia Solidária além de atividades de pesquisa destinadas à geração de novos conhecimentos. Por isso, o Núcleo é amplamente plural; sua estrutura de funcionamento é baseada no trabalho de professores, pós-graduandos e graduandos das mais diversas áreas do conhecimento.

As atividades desenvolvidas pelo Nesol buscam, além de aumentar a produção acadêmica em temas relacionados à Economia Solidária, constituir um ambiente aberto para a reflexão e prática de atividades que envolvem autogestão e cooperativismo – criando subsídios para o aperfeiçoamento das metodologias de incubação e estratégias para o desenvolvimento deste tipo de economia. Aproximando ainda mais a academia do mercado e sociedade. Organizada por Paul Singer quando professor  da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da USP já trabalhou em conjunto com o Nesol na iniciação de projetos com Bancos Comunitários.

 Os bancos comunitários são meios para a comunidade se desenvolver por si mesma.

Ao tratar da incubação destes bancos, a pesquisadora do Nesol, Juliana Braz, ressalta que a pluralidade adquirida pela constituição do Núcleo é indispensável. Por trabalharem com frequência em áreas periféricas dos grandes centros urbanos, é importante poder se apoiar em conhecimentos advindos das ciências humanas (e não somente nos parâmetros e índices estatísticos para tentar mantê-los funcionando). O coordenador do Núcleo, professor Augusto Neiva, da Poli, reconhece que “o apoio aos Bancos Comunitários têm em sua aplicação certas dificuldades, mas o esforço é válido”. Dentre os desafios de se organizar uma incubadora para bancos comunitários, o professor alerta que bancos podem quebrar. “Há histórias de bancos de sucesso que quebraram no primeiro dia, mas eles não desistiram”.

15 anos de Banco Palmas

O Núcleo lançou, no último dia 23 de abril, um livro que divulga a pesquisa sobre o desenvolvimento de um Banco Comunitário cearense. O Banco Palmas 15 anos (A9 Editora, 2013) discute e apresenta o caráter humano dos clientes e funcionários do banco no seu desenvolvimento. O Nesol desenvolveu sua pesquisa indo atrás de informações in loco para entender como o banco conseguiu se manter por tanto tempo inserido efetivamente dentro do Conjunto Palmeira, região periférica de Fortaleza. “Os bancos comunitários são meios para a comunidade se desenvolver por si mesma”, ressalta a pesquisadora Juliana Braz.

De acordo com Braz, a proposta agora é trabalhar com os indicadores apontados pela pesquisa e tentar reproduzi-los no Banco Palmas, que se tornou exemplar. “O que estamos fazendo agora é ver se eles conseguem utilizar os indicadores desenvolvidos. Queremos ver também como criar séries históricas destas informações”, mas ressalta que “os dados têm que fazer sentido para as pessoas”, senão o esforço não traz resultado.

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