Pesquisa do HCFMRP aponta que células-tronco podem ativar produção de sangue

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Da Assessoria de Comunicação Institucional do Hemocentro de Ribeirão Preto

Pesquisa com participação do Hemocentro de Ribeirão Preto investiga os mecanismos que levam as células-tronco pluripotentes (iPS) a alongarem seus telômeros para poder ativar as células hematopoéticas, que produzem sangue. Os telômeros são pontas de cromossomos que os protegem de danos ao DNA. As células iPS poderão ser utilizadas como terapêutica da anemia aplástica (AA), doença hematológica em que a célula-tronco hematopoética praticamente desaparece e, portanto, a medula óssea para de produzir células do sangue, como hemácias, glóbulos brancos e plaquetas. O estudo foi realizado por Rodrigo Calado, do Centro de Terapia Celular (CTC) do Hemocentro, ligado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP, e por pesquisadores do National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos.

Quando se deriva células iPS de um paciente com telômeros muito curtos, ela consegue alongá-los, aumentando a capacidade delas se multiplicarem. O pesquisador explica que o estudo contribuiu para descobrir fragilidades e verificar em quais os pontos ainda é necessário progredir nas pesquisas de reprogramação celular e alongamento telomérico em pacientes com anemia aplástica. “Neste artigo verificamos ser possível estabelecer a reprogramação das células de pacientes com anemia aplástica e deficiência da telomerase. Com isso, em um futuro próximo poderemos utilizá-las no tratamento da doença”, relata Calado.

Entretanto, enquanto as células normais conseguiam alongar os telômeros durante a reprogramação, ou seja, rejuvenescer os telômeros destas células, os pacientes que tinham mutação apresentaram dificuldade no alongamento. “Se corrigirmos os telômeros ou a enzima que falta, será possível corrigirmos esta diferenciação?”, esta ainda é uma dúvida dos pesquisadores.

Os pesquisadores verificaram que fatores ambientais como, por exemplo, a concentração de oxigênio durante a cultura da célula pode também modular o alongamento telomérico destas células. “Quanto menos oxigênio, mais longos ficam os telômeros. Isso nos mostra que a concentração deste elemento químico pode modular ou contribuir para este processo celular”, relatou Calado.

Estabilidade

Ainda é necessário entender como a concentração de oxigênio modificou a expressão da telomerase e a estabilidade dos cromossomos. A partir deste entendimento será possível tentar as vias teloméricas para tentar melhorar a função das células do sangue nestes pacientes com anemia aplásica. Outro aspecto verificado está ligado à contribuição de fatores genéticos nas alterações cromossômicas.

Foram observados quatro pacientes, dos quais foram coletados material extraído dos fibroblastos da pele do paciente, que são células maduras, ou da própria medula óssea, as células-tronco mesenquimais. Segundo Calado, a metodologia adotada no estudo foi a reprogramação da célula madura ao estágio de pluripotência induzida, semelhante ao observado em células-tronco embrionárias. Por meio deste padrão as células são transformadas em imaturas e passam a ter capacidade de se transformar em qualquer tipo de tecido do organismo adulto. “Qualquer célula madura e especializada do organismo pode ser reprogramada para um estado de pluripotência, ou seja, células-tronco adultas podem ser “resetadas” para se transformar em uma célula com as mesmas características de uma célula-tronco embrionária”, explica Calado.

Este modelo é baseado nas descobertas do cientista japonês Shinya Yamanaka, que em 2012 recebeu o Nobel de Medicina por suas descobertas neste campo. Ele criou o padrão utilizado por pesquisadores em todo mundo de reprogramação celular por meio do uso das células iPS (sigla inglesa de “células-tronco pluripotentes induzidas”).

Os resultados deste estudo serão apresentados pela primeira vez no Brasil, durante a conferência USP-Paris-Diderot Simpósio de Hematologia e Imunologia. O encontro acontece nos dias 9 e 10 de maio, no teatro da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), em São Paulo, A organização é da FMRP e da FMUSP, com apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP e da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH). O CTC do Hemocentro de Ribeirão Preto é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) na FMRP.

A pesquisa de Rodrigo Calado teve apoio da Fapesp. O artigo Defective telomere elongation and hematopoiesis from telomerase-mutant aplastic anemia iPSCs foi publicado em 1º de maio no The Journal of Clinical Investigation publicado pela American Society for Clinical Investigation (Estados Unidos).

Mais informações: (16) 2101-9350, na Assessoria de Comunicação Institucional do Hemocentro de Ribeirão Preto

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