Pesquisador do Cena simula ambiente futurista com maior concentração de CO2

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Da Assessoria de Imprensa do Cena

Por meio de uma técnica que bem poderia servir de inspiração para um filme de ficção científica, pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba, estão utilizando um ambiente com a concentração de carbono mais alta do que existe atualmente na Terra. A ideia é simular uma atmosfera mais carregada de dióxido de carbono (CO2), em uma quantidade estimada para ser alcançada somente daqui a 30 anos.

A cena não chega lembrar a de um filme futurista, até porque o experimento está instalado em uma plantação de braquiárias, que dá um ar mais bucólico ao ambiente. Porém, o aspecto campal é quebrado por redondéis, onde a entrada do carbono é mais intensa, gerando um clima estimado para alcançarmos somente daqui 15 a 20 anos, caso as expectativas sobre o efeito estufa se concretizem.

O enriquecimento de gás carbônico no ar livre acontece em uma escala de 200 partes por milhão (ppm) a mais do que a ciência considera ser o limite máximo para segurança do planeta. Sensores são acionados automaticamente de acordo com a direção e intensidade do vento e liberam mais CO2 sobre as plantas.

“Atualmente, trabalhamos com um nível de 550 ppm, já que o índices de concentração de CO2 na atmosfera é de cerca de 370 a 400 ppm”, afirma Adibe Luiz Abdalla, professor do Cena e orientador do trabalho.

O campo da Embrapa, que fica no município de Jaguariúna, em São Paulo, é onde está localizado este experimento. A área possui 12 redondéis, com 10 metros de diâmetro, nos quais seis são equipadas com injeções de C02 em seu interior, criando a atmosfera de CO2 elevado. A outra metade possui atmosfera ambiente.

O estudo objetiva determinar os efeitos de crescimento dessa gramínea em duas atmosferas contrastantes, o ambiente natural e o enriquecido. “Em um ano de acompanhamento, pudemos observar um aumento de 20% nas plantas que estavam em ambiente enriquecido, mostrando que a elevação de CO2 aumenta a fotossíntese e a produção de biomassa”, explica Abdalla.

Apesar desse significativo aumento, a braquiária enriquecida é menos digestível para o animal. Outro dado negativo desse trabalho indica que somente a produção de cana-de-açúcar e de pastagens é que deve se beneficiar com o clima mais quente, demais culturas como algodão, arroz, feijão, soja, milho e trigo tendem a produzir menos.

Essa pesquisa pertence ao projeto Face, sigla de free air carbon dioxide enrichment, e os resultados parciais desse primeiro ano de coleta serão publicados em um evento sobre gases de efeito estufa que ocorrerá em junho na Irlanda.

Mais informações: http://www.cena.usp.br/pt/

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