USP sedia 11 dos 17 novos centros de pesquisa e inovação da Fapesp

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Com o objetivo de estimular a produção de ciência aplicada, e otimizar o relacionamento entre a academia e a sociedade, foram apresentados em junho deste ano os 17 novos centros do programa Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Desses 17 novos centros, 11 têm como instituição-sede a USP.

Os Centros reúnem – na condição de pesquisadores principais ou associados – aproximadamente 500 cientistas do estado de São Paulo e 70 de outros países. O programa tem previsão de duração de 11 anos, e será financiado pela Fapesp e pelas instituições-sede. O valor estimado dos investimentos do programa é de US$ 680 milhões. Desses, US$ 370 milhões serão custeados pela Fundação, e US$ 310 milhões em salários pagos pelas instituições aos pesquisadores e técnicos.

“Este financiamento de grande porte e de longo prazo será uma importante alavanca para levar a pesquisa científica e tecnológica a novos patamares de qualidade e relevância. E por ser um apoio financeiro considerável e de longo prazo, podemos ser mais ousados nas pesquisas que realizamos”, afirma Bernadette Gombossy, pesquisadora responsável pelo Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC). Os Centros contarão ainda com fundos adicionais fornecidos por indústrias parceiras e por outras agências de incentivo à pesquisa.

O programa é considerado um dos maiores investimentos em planos de pesquisa já anunciados no Brasil. Como coloca Marta Arretche, pesquisadora responsável pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM), “no Brasil, temos pesquisadores extremamente talentosos, o que representa um enorme potencial em termos de liderança intelectual em diversas áreas de conhecimento. Entretanto, este potencial é muitas vezes limitado pelo modo de financiamento à pesquisa, predominantemente caracterizado por financiamentos de pequeno porte, irregulares e altamente burocratizados. A criação dos CEPIDs visa, então, criar condições para que pesquisas de grande porte possam contar, em longo prazo, com recursos humanos e materiais estáveis”.

A criação dos CEPIDs visa criar condições para que pesquisas de grande porte possam contar, em longo prazo, com recursos humanos e materiais estáveis.

O Programa CEPID foi iniciado pela Fapesp em 2000, e deu suporte a 11 centros de pesquisa entre os anos de 2001 e 2013. Com o sucesso dos objetivos propostos em todos os planos financiados, em 2011, foi anunciada uma segunda chamada, por meio da qual foram selecionados os 17 CEPIDs atuais. Dos 11 CEPIDs da edição anterior, sete ampliaram seus planos de estudos e foram novamente contemplados no edital de 2011.

Descentralização e difusão do conhecimento

As 17 propostas aprovadas pela Fapesp compreendem os seguintes temas de estudo: alimentação e nutrição; vidros e cerâmica; materiais funcionais; neurociência e neurotecnologia; doenças inflamatórias; biodiversidade e descoberta de novas drogas; toxinas, resposta imune e sinalização celular; neuromatemática; ciências matemáticas aplicadas à indústria; obesidade e doenças associadas; terapia celular; estudos metropolitanos; genoma humano e células-tronco; engenharia computacional; processos oxidantes e antioxidantes em biomedicina; violência; óptica, biofotônica; e física atômica e molecular.

Todos esses campos do conhecimento abarcados pelo programa estão distribuídos em cinco instituições: Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Instituto Butantan, e a USP.

Dessa maneira, houve uma maior distribuição geográfica dos investimentos no estado, uma vez que as sedes das instituições estão localizadas em quatro cidades do interior de São Paulo, além da capital. Espera-se, com essa descentralização da produção científica, que haja uma melhor eficiência na difusão do conhecimento a um público maior e mais diversificado.

 

Além do incentivo à pesquisa, o programa também prevê ações de divulgação científica que buscarão uma maior aproximação entre ciência e sociedade. Os Centros, não apenas desenvolverão investigações científicas focadas em temas específicos e objetivos, como deverão oferecer atividades educativas voltadas para o ensino fundamental, médio e para o público em geral.

Acerca disso, Bernadette Gombossy, do FoRC, exemplifica algumas ações que serão realizadas pelo seu Centro, ao dizer que “a disseminação do conhecimento será atingida através de diferentes formas de comunicação com a sociedade. Em ações como, por exemplo, a promoção de cursos (de especialização ou mestrado profissional), a produção de material de divulgação nas escolas, e a criação de um portal de informação na internet”.

Mais informações: http://www.fapesp.br/cepid/divulgacao_cepid.pdf

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