Pesquisadora da FEARP estuda impacto de custos indiretos para clientes que mudam de banco

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Júlio Bernardes/Agência USP de Notícias

Mudar de banco gera despesas que incidem de forma indireta sobre o cliente, mesmo que a mudança seja motivada pela perspectiva de pagar taxas de juros menores em financiamentos. Em pesquisa da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP, a economista Mariana Oliveira e Silva calculou que a mudança pode custar em média R$ 471,20 para o consumidor. Para gastar menos, o estudo sugere que o cliente fique  atento e compare as tarifas e taxas de serviços e juros cobradas pelos bancos.

De acordo com a economista, não há cobrança direta de taxas para o fechamento de contas, conforme resoluções do Banco Central (BC). “No entanto, a mudança da conta de um banco para outro apresenta custos implícitos que acabam sendo arcados pelo consumidor”, aponta. O estudo faz parte de uma dissertação de mestrado apresentada no último dia 29 de abril, orientada pelo professor Cláudio Ribeiro de Lucinda, da FEARP.

Os custos indiretos estão associados ao relacionamento que o cliente mantém com o banco. “Se ele é um bom pagador, certamente obterá de seu gerente limites maiores do cheque especial, e muitos bancos não cobram juros por alguns dias”, relata a economista. “Quando esse cliente muda sua conta, precisa construir novamente uma relação de confiança para voltar a usufruir dessas vantagens, o que implica em maiores gastos com crédito”. Segundo o BC, a taxa média de juros cobrada no cheque especial é de 136% ao ano, em média.

Custo da burocracia

O custo aproximado da mudança foi calculado a partir dos dados trimestrais sobre valores de tarifas, juros e pacotes de serviços oferecidos por 57 bancos com carteira comercial entre os anos de 2009 e 2011, reunidos pelo BC, principal fonte das informações analisadas pela pesquisa.“O valor médio da mudança ficou em R$ 471, 20, o que inclui as despesas indiretas adicionais”, afirma Mariana. “Por exemplo, um cliente que troca de banco devido às taxas de juros menores do crédito imobiliário, mesmo com a portabilidade de crédito terá um custo com a burocracia, pagando pelos serviços de cartório”.

A pesquisa também encontrou evidências de que os clientes de bancos menores têm custos de mudanças, em média, maiores. “Isso pode estar atrelado ao fato de que os grandes bancos brasileiros são essencialmente bancos de varejo, enquanto que os bancos menores são, geralmente, mais especializados”, explica Mariana. ”O atendimento a nichos específicos pode levar à maior importância de manutenção do relacionamento entre o cliente e o banco, justificando-se, assim, o maior custo de mudança encontrado”.

A economista aponta que o cliente pode contornar os custos implícitos e pagar menos pela mudança se tiver a possibilidade de comparar as taxas embutidas nos pacotes de serviços oferecidos. “No período analisado pela pesquisa não havia uma exigência específica para as instituições financeiras apresentarem esses valores”, conta. “Agora, uma nova norma do BC regulamentando a divulgação irá facilitar as comparações entre bancos”. A nova norma entrou em vigor no final de junho de 2013.

Quanto maior o nível de informação do cliente, maior será a possibilidade de fazer a transição a um custo menor, assegura Mariana. “Mudar com a percepção das diferenças de tarifas, custo de serviços e taxas de juros ajuda a evitar boa parte dos gastos”, enfatiza.

Mais informações:  email maoliveiraesilva@gmail.com

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