Núcleo de Pesquisa procura manter viva a memória dos trajes cênicos

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Dentre os elementos que compõem uma representação cênica, o figurino é o traje usado por um ator. É a peça que o transforma em um ou em muitos personagens e dá vida a ilusão teatral. Foi pensando nisso que, após anos estudando trajes de cena e conservação museológica, o professor Fausto Viana, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, criou o Núcleo de Pesquisa de Trajes de Cenas. A iniciativa tem como objetivo estudar o vestuário utilizado nas mais diversas manifestações cênicas, como o teatro, o circo, o cinema, a televisão, a dança, a performance e outras variantes contemporâneas de arte.

O Núcleo possui dois eixos principais, o primeiro tratando do traje de cena enquanto parte atuante do espetáculo e o segundo enxergando o traje enquanto objeto, que carrega em si “a memória do fazer cênico”,ou seja, materializa fisicamente elementos de uma encenação. Além disso, o grupo também promove ações de conservação preventiva, catalogação, políticas para criação de acervos e iniciativas para disseminação de conhecimento, geralmente em exposições e exibições com caráter histórico e resgate de pesquisa, aproximando o público desta faceta específica da arte cênica.

Início do projeto

A ideia do Núcleo, segundo Viana, surgiu do interesse que havia em conservar os trajes tal qual já faziam as instituições nas quais se especializou. “Em 2004, eu e a professora Elizabeth Azevedo fizemos parte de um projeto pela Fundação Vitae no Teatro Municipal de São Paulo para conservar o acervo deles. Eram mais ou menos vinte mil peças de roupas”, conta o professor. A partir deste trabalho foi elaborado um livreto sobre conservação de figurino, a ser distribuído para diversos teatros do país. Contudo, após o envio do folheto, notou-se que a demanda seria maior do que a mão de obra disponível. “E aí percebemos que teríamos que formar pessoas nessas áreas”, conclui.

A princípio, o grupo se dedicou a oferecer cursos dentro da Universidade. “Dentro da ECA começamos com pequenos cursos de conservação. Fui me aprimorar fazendo pós-graduação fora do país e aí quando abriram edital em 2012 para o núcleo de pesquisa a gente se inscreveu. Hoje somos aproximadamente 15 pessoas trabalhando. Entre mestrandos, doutorandos e alunos de iniciação científica”, explica Viana.

Crescimento do acervo

Uma das grandes ambições do Núcleo é ir além dos membros do grupo e da comunidade USP.  Para seus idealizadores, as atividades desenvolvidas devem atingir também a comunidade que os cerca. “Umas das funções do núcleo é chamar pesquisadores que venham olhar esse traje, estudar e publicar. Mas tão importante quanto chamar pesquisadores é chamar as pessoas da comunidade para verem essas coleções. Explicar que isso é acervo brasileiro, que é público, que é história”, salienta o professor.

De acordo com o coordenador, os processos burocráticos nem sempre colaboram com os planos de crescimento do grupo de pesquisa. “Temos um núcleo com muitas atividades, mas que não possui empregados fixos. Esse é um núcleo que está inserido dentro de uma estrutura muito rígida. Demora na contratação de pessoas, na compra de materiais, na locação de espaços para armanezamento do acervo”, revela.

Outro questão recorrente é a demanda de espaço para que o Núcleo possa receber doações. Hoje, o acervo conta com aproximadamente duas mil peças adquiridas de três acervos principais: Teatro Lírico de Equipe armador da década de 50 e 60,Teatro de São Pedro e coleção da Escola de Arte Dramática (EAD)  e do Departamento de Artes Cênicas (CAC), desde 1948.

Não é somente a falta de espaço que pode inviabilizar uma doação. Para um item ser aceito pelo grupo ele deve se enquadrar em critérios pré-estabelecidos como qualidade da peça, designer e idade do traje. Dentre estes, o critério que possui maior peso na avaliação é a idade do traje, pois é ali que se mensura sua “importância histórica”, define o professor.

Para efetuar doações de peças e/ou acervos para o Núcleo Traje de Cena é necessário entrar em contato com o coordenador Fausto Viana pelo email faustoviana@usp.br

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