Museu Paulista prepara atividades para crianças e famílias durante as férias

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Nos dias 6 e 7 de julho, teve inicio a programação especial de férias do Museu Paulista (MP) da USP. Buscando atrair os mais diversos públicos, serão realizados jogos, visitas especiais e oito oficinas diferentes nos períodos da manhã e tarde, até dia 28 de julho, sempre aos finais de semana.

Denise Peixoto, supervisora do Serviço de Atividades Educativas do MP, conta que a ideia é oferecer atividades mais lúdicas, com brincadeiras e jogos, e também diversificadas, para envolver faixas etárias variadas. Um dos objetivos é incentivar o compartilhamento de experiências entre os próprios visitantes. “Durante a semana, nosso forte é a recepção de visitas agendadas por escolas. Centralizamos as oficinas nos finais de semana para atrair o público espontâneo, principalmente de famílias”, explica Denise.

Para esta edição, a equipe do Educativo revisitou atividades que já realizavam, propuseram alterações e novas ideias foram surgindo. O “Jogo da Encomenda”, por exemplo, promoverá um breve roteiro pelas exposições e, depois, formará um ateliê de pintura onde os visitantes serão estimulados a assumir o papel de pintores dos séculos 19 e 20. Eles deverão produzir pinturas a partir de encomendas feitas pelo diretor do Museu.

Sala de Jogos

Durante toda a programação, há também um espaço reservado para versões de jogos populares adaptados ao acervo do Museu, como o “Retrato a retrato”, “Jogo da Memória” e “Bingo de objetos”. As atividades da Sala de Jogos acontecem das 9 às 16 horas, simultaneamente às oficinas. Segundo Denise, este espaço já foi organizado em edições anteriores do projeto e deu muito certo: “As famílias gostaram de passar um tempo neste ateliê de atividades. Às vezes, enquanto o pai estava brincando com um jogo, o filho estava se divertindo com outro, era muito interessante”, conta.

A educadora afirma que, no geral, as pessoas ainda pensam o lazer e o ensino como momentos dissociados. Mostrar que é possível a mistura desses dois elementos é o que busca o Educativo do Museu. “A gente busca promover reflexões, mas mesmo na hora em que estamos passando algo mais estruturado, tentamos colocar esse sabor, fazer a criança não ficar em uma situação tão passiva de receptor”, afirma a educadora.

A experiência é o que vale mais. E a formação de um público para o museu também. “A criança vê aquele monte de coisa que talvez ela nem consiga entender completamente, mas ela vai ter passado por uma experiência mais simpática ao espaço do museu. Isso aumenta a probabilidade de ela ter vontade de retornar a museus e até criar uma prédisposição maior para visitas mais tradicionais”, acredita Denise.

Conhecimento para todos

O Serviço de Atividades Educativas do MP foi implantado em 2001. Desde então, ele tem estruturado e desenvolvido suas atividades em linhas de ação que, articuladas às linhas de pesquisa da instituição, procuram elaborar estratégias educativas para atender a um público tão diversificado.

O Programa de Visitas Orientadas (PROVO) oferece atividades educativas para grupos escolares, prioritariamente do Ensino Fundamental e Médio, a partir dos eixos temáticos do Museu e dos Parâmetros Curriculares Nacionais. Atualmente, são cinco roteiros oferecidos. “Mas o aluno não vem para aquela visita guiada enfadonha, não é percorrido o museu todo, tem sempre um tema que mobiliza a sala e, relacionado a ele, atividades extras e com material de estímulo, como música e objetos para toque”, ressalta Denise.

A estratégia é repensada quando o público é o da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A educadora relembra que, embora pareça óbvio, muitas vezes é esquecido que esse público não tem letramento ainda, mas possui experiência de vida e é preciso respeitar isso. “A gente tende a infantilizar o adulto, mas ele tem cultura, conhecimento, possui toda a condição de refletir de uma maneira estruturada sobre aquilo que estamos apresentando”, afirma.

Para o público com alguma necessidade especial – adultos e crianças com deficiência intelectual, física, visual, auditiva ou múltiplas, distúrbios psicossociais e dependentes químicos – há o Programa de Inclusão para Pessoas com Deficiência (PIMP). Denise explica que a intenção não é segmentar essas pessoas do resto do grupo, mas permitir que o educador esteja preparado para lidar, por exemplo, com uma classe que tenha algum aluno com deficiência. O conceito utilizado é o da experiência dialogada, que procura envolver todos os participantes – com ou sem deficiência – na mesma dinâmica. “Toda a classe faz o mesmo percurso, consideramos essencial inserir o aluno especial na discussão. Mantém-se a qualidade da visita, mas é preciso reconhecer que muitas vezes o próprio museu tem uma acessibilidade limitada e quando o prédio que é deficiente, a criança não deve pagar por uma responsabilidade que não é dela”, defende Denise.

“A exposição é uma parte importante, mas há toda uma dinâmica de preparação de material pedagógico e de apoio à mediação, além de pesquisa de público e conhecimento do perfil do visitante”

As tarefas da equipe educadora não são fáceis. “A gente vai experimentando, adaptando, quebra a cara, volta, aí dá certo”, define Denise. Para ela, é importante chamar a atenção para o fato de que o trabalho educativo em museu não se limita ao atendimento do público. Ela reconhece a importância deste serviço, mas ressalta que para se fazer um bom atendimento é preciso estar conectado com outros setores do Museu. “Nossa equipe participa das discussões sobre planejamento e montagem de exposições, sobre restauro. A exposição é uma parte importante, mas há toda uma dinâmica de preparação de material pedagógico e de apoio à mediação, além de pesquisa de público e conhecimento do perfil do visitante”, explica. Este trabalho capacita o monitor de informações que permitem um bom atendimento. “Como planejar a monitoria se não conhecermos o conteúdo da exposição e o que o público potencialmente acha, pensa e entende?”, questiona Denise.

Mais informações: (11) 2065-8000, site www.mp.usp.br

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