Estudo da EERP analisa condições ambientais do rio Pardo

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Camila Ruiz / Assessoria de Imprensa EERP

Pesquisadores percorreram 550 quilômetros do rio Pardo, entre os estados de Minas Gerais e São Paulo, e avaliaram ambientalmente doze trechos diferentes. Os resultados apontam que apesar da diminuição das Áreas de Preservação Permanente (APPs), o rio apresenta boas condições de habitats disponíveis a várias espécies, mas uma sensível diminuição da qualidade físico-química da água em 33,3% dos trechos avaliados.

A dissertação Avaliação ambiental do rio Pardo, Brasil: ênfase para Áreas de Preservação Permanente, ecossistemas aquáticos superficiais e condições físico-químicas da água foi orientada pela professora Susana Inés Segura-Muñoz e defendida em janeiro de 2013 pela bióloga Carolina Freitas Sampaio, na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP.

“Nos trechos próximos às cidades de Ribeirão Preto e Barretos, no Estado de São Paulo, e Ipuiúna, em Minas Gerias, onde foram verificadas atividades humanas nas margens do rio e havia redução nas áreas de preservação, a qualidade da água foi inferior quando comparada aos trechos com vegetação preservada”, revela Carolina.

A pesquisa conduzida pela bióloga teve como objetivo avaliar as condições ambientais no rio Pardo por meio de três métodos distintos: caracterização das Áreas de Preservação Permanente (APP), avaliação da integridade dos habitats e monitoramento de parâmetros físico-químicos da água. Dos 550 quilômetros percorridos, foram analisados 12 trechos, entre março de 2011 e janeiro de 2012.

O rio Pardo nasce no município de Ipuiúna, no leste do Estado de Minas Gerais, passando entre a Serra do Cervo e pelo município de Poços de Caldas, ainda em Minas Gerais. Mas 84% do seu curso está no Estado de São Paulo, percorrendo os municípios de Caconde, São José do Rio Pardo, Mococa, Jardinópolis, Ribeirão Preto, Sertãozinho, Viradouro e Barretos, até desembocar no rio Grande, na divisa entre São Paulo e oeste de Minas Gerais.

Pesquisa

A avaliação da integridade dos habitats foi considerada com boas condições, de acordo com o protocolo utilizado, em quase 100% dos trechos do rio Pardo analisados na pesquisa. O protocolo avaliou as características do corpo d’água através de 10 parâmetros, como substratos de fundo, estabilidade das margens, erosão, preservação das matas ciliares, entre outros.

As menores pontuações foram em relação à diversidade de substratos de fundo, como pedras, cascalho ou galhos submersos. Além disso, a conservação da vegetação do entorno do rio Pardo também foi apontada como crítica em alguns trechos. “Isso gera condições desfavoráveis à colonização da fauna aquática e pode afetar a biodiversidade, diminuindo os refúgios dos organismos aquáticos, seus habitats e áreas de reprodução”, afirma Carolina.

Quanto aos parâmetros físico-químicos, a pesquisadora diz que “eles são atualmente as ferramentas mais utilizadas no monitoramento da qualidade da água em rios”. Nesse quesito, foi analisado o pH da água, que exerce efeitos sobre a fisiologia de diversas espécies aquáticas, a temperatura, oxigênio dissolvido, condutividade elétrica e a turbidez, que está relacionada com a passagem de luz pela camada da água.  No trecho correspondente à foz do rio Pardo e encontro com o rio Grande, na cidade de Colômbia (SP), verificaram-se valores menores de oxigênio dissolvido na água. “O oxigênio dissolvido é essencial para a preservação da vida aquática, já que vários organismos, como os peixes, por exemplo, precisam de oxigênio para respirar”, ressalta a bióloga.

Em quatro trechos, sendo eles a nascente do rio, as cidades de Ipuiúna, São José do Rio Pardo e Serrana, o pH da água estava menor que nos demais trechos analisados, principalmente no período chuvoso. Com o aumento das chuvas, cresce também o transporte de matéria orgânica das margens para o leito do rio. A decomposição dessa matéria orgânica pode diminuir o pH da água. Mudanças no pH podem aumentar o efeito de substâncias químicas que são tóxicas para os organismos aquáticos, como os metais pesados.

Áreas de Preservação Permanente

Em dez trechos avaliados no trabalho, exceto nos trechos Mococa-Casa Branca e Cajuru-Santa Rosa de Viterbo, as Áreas de Preservação Permanente (APPs) eram menores. “Segundo o Código Florestal Brasileiro, as APPs são protegidas, cobertas ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, além de facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas”, diz Carolina.

A pesquisadora conta que foram encontradas modificações nas APPs como pastagem, plantações de cana de açúcar, áreas residenciais e área de lazer privada.  Segundo Carolina, essas atividades podem afetar as condições ambientais das APPs e comprometer a biodiversidade nesse curso da água, afetando na variedade de espécies do rio.

Como melhoria, Carolina sugere a preservação e recomposição da vegetação ciliar, visando à preservação dos habitats e a qualidade ambiental do rio Pardo. Entre os benefícios relacionados à preservação da vegetação ciliar destacam-se a proteção dos corpos de água de fontes poluidoras da circunvizinhança, formação de corredores ecológicos que contribuem na conservação da biodiversidade, contenção de ribanceiras e erosões, interceptação e absorção da radiação solar.

Os resultados indicam que, apesar de apresentar boas condições em quase 90% dos trechos analisados, alguns fatores podem ser melhorados visando à qualidade ambiental do rio Pardo. Dentre essas melhorias está o tratamento adequado de efluentes industriais e urbanos, sensibilização da população sobre o destino correto dos resíduos sólidos e gestão dos resíduos sólidos urbanos por parte do setor público.

Mais informações: (16) 9241-7931, email biologia.carol@yahoo.com.br

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