Inibidor favorece substância que destrói célula de tumor, aponta estudo da FCF

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Júlio Bernardes / Agência USP de Notícias

Na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, pesquisas detalham os efeitos de inibidores da Indolamina Dioxigenase (IDO), enzima que reduz a imunidade do organismo e favorece o crescimento de cânceres. Os pesquisadores descobriram que alguns inibidores também podem favorecer a produção de outras substâncias que destroem linhagens de células tumorais, como a melatonina. As descobertas podem ajudar na compreensão dos mecanismos de ação de medicamentos contra o câncer e auxiliar na proposta de desenhos de estruturas químicas para novos fármacos.

A professora Ana Campa, da FCF, que coordena as pesquisas, conta que uma célula tumoral, para ser tornar um câncer, necessita superar uma série de obstáculos e assegurar seu crescimento. “Além de contornar os sinais de morte emitidos para as células comuns, ela desenvolve uma autossuficiência para crescer e garante sua nutrição criando uma rede de vasos em torno do tumor”, diz. “Ela também possui grande mobilidade, se reproduz de forma ilimitada, é insensível aos fatores que inibem seu crescimento e tem a capacidade de enfraquecer o sistema imune do organismo no combate ao câncer”.

A redução na capacidade de combate contra o crescimento do tumor está associada à enzima Indolamina Dioxigenase (IDO), que age sobre o triptofano, um aminoácido presente na alimentação. “O triptofano faz parte de proteínas e de rotas bioquímicas que sintetizam a serotonina, a melatonina e também as triptaminas, moléculas ativas no sistema nervoso central”, afirma a professora da FCF. “No entanto, a IDO estimula a produção das quinureninas, que paralisam o sistema imune, permitindo o crescimento dos tumores. A terapia nesses casos procura utilizar inibidores que impeçam a atividade da enzima”.

Experimentos

Os pesquisadores da FCF realizam experimentos para identificar padrões de metabolismo de triptofano em tumores e novos inibidores da IDO. “Ao mesmo tempo são testadas a atividade inibitória de medicamentos já utilizados na terapia antitumoral”.

O trabalho “The expanding roles of 1-methyl-tryptophan (1-MT): In addition to inhibiting kynurenine production, 1-MT activates the synthesis of melatonin in skin cells” demonstrou que o 1-metil-triptofano, um inibidor conhecido e em fase de ensaio clinico, também aumenta a concentração de melatonina.

Colocada em culturas de 12 linhagens de células tumorais de melanoma (câncer de pele), a melatonina inibiu o crescimento de tumores em parte das linhagens”, aponta a professora. O artigo foi publicado na edição de julho da revista The FEBS Journal, publicado pela Federation of European Biochemical Societies (FEBS).

Outro experimento demonstrou que as triptaminas, substâncias derivadas do triptofano, também são inibidoras da IDO. “Esses compostos, entre os quais está a dimetiltriptamina, devem possuir um efeito endógeno, realizando a inibição dentro das células”, descreve Campa. O resultado do estudo é descrito no artigo “Tryptamine and dimethyltryptamine inhibit indoleamine 2,3 dioxygenase and increase the tumor-reactive effect of peripheral blood mononuclear cells”, publicado em julho pela revista Cell Biochemistry and Function.

As pesquisas finalizadas e outras em andamento são do Laboratório de Bioquímica Clínica da FCF, sob a coordenação da professora Ana Campa e a colaboração dos professores Ernani Pinto e Silvya Engler e das doutoras Ana Carolina Moreno e Silvana Sandri. O tema também é estudado por pós-graduandos do Laboratório.

Mais informações: email anacampa@usp.br, com a professora Ana Campa

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