Projeto envolvendo Centro de Sismologia da USP detecta evento sísmico automaticamente

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Luciana Silveira / Assessoria de Comunicação do IAG

Um pequeno evento sísmico de magnitude 3.0 foi detectado e localizado automaticamente pela Rede Sismográfica Brasileira (BRASIS) no último dia 30 de julho, às 14:43:17.6 (horário local), em Minas Gerais. A detecção, pioneira no Brasil, é o resultado de trabalhos de implantação de estações sismográficas e de melhoria dos links de comunicação via telefonia celular das estações da BRASIS  e da Rede RSIS (Observatório Nacional), permitindo que a maioria delas realize transmissões de dados em tempo real.  O trabalho envolveu pesquisadores e técnicos da Rede BRASIS, no Centro de Sismologia da USP, formado pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) e pelo Instituto de Energia e Ambiente (IEE), Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade de Brasília (UnB).

Os analistas do Centro de Sismologia da USP também alteraram o código do sistema de processamento SeisComp3 (SC3) para permitir dois processos paralelos de detecção, um para sismos mais distantes (sistema padrão para telessismos, que já vem detectando sismos fora do Brasil desde 2011) e outro ajustado para sismos locais e regionais. O evento do dia 30 de julho foi detectado inicialmente com o processamento dos sinais de nove estações (quatro da rede BRASIS e cinco da rede RSIS) pelo sistema SC3 do IAG, que localizou o epicentro próximo a Itabira (Minas Gerais). Esse evento provavelmente corresponde a uma enorme detonação feita por alguma das mineradoras na região.

Assim que um evento é detectado e uma localização preliminar é feita, um e-mail é enviado automaticamente a todos os integrantes do grupo de Sismologia do IAG. Ao receber a primeira mensagem, o técnico-operador José Roberto Barbosa analisou os dados da localização preliminar, conferiu as marcações das ondas P (onda sísmica longitudinal de maior velocidade), incluiu chegadas das ondas S (onda sísmica de vibrações transversais de velocidade menor) e melhorou a localização do evento.

Epicentro

O técnico também utilizou duas estações adicionais (Paraibuna, em São Paulo, e Peixe, no Tocantins), totalizando 11 estações entre 220 quilômetros (km) e 350 km de distância. Quando a localização final conferida pelo operador é inserida no banco de dados do sistema, um novo e-mail é enviado ao grupo. O epicentro e as estações usadas, assim como os dados de cada estação podem ser acessados na página do Centro de Sismologia da USP.

O IAG iniciou a instalação das suas primeiras estações da rede BRASIS no início de 2010. “A detecção deste pequeno evento sísmico é resultado de anos de esforço da equipe da rede na implantação de um sistema complexo envolvendo muito trabalho de campo, aprendizado de novas tecnologias e desenvolvimento de software”, avalia o professor Marcelo Assumpção, do IAG, coordenador da Rede Sismográfica Brasileira.

“A cooperação e integração de toda a comunidade sismológica do Brasil foi muito importante. Temos agora mais ânimo para terminar a implantação da rede no resto do país e buscar maneiras de manter a Rede no futuro”. A Rede Sismológica Brasileira é formada pelo Observatório Nacional, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) , IAG e UnB (com colaboração da Unesp e IPT).

Entre os próximo objetivos da rede está a instalação de estações na Amazônia, o uso de transmissão própria por satélite, melhor disseminação destas informações ao público, e, principalmente, a definição de estratégias para sua manutenção. O projeto de implantação da Rede BRASIS tem apoio da Petrobras, dentro da rede temática de Geotectônica.

Mais informações: (11) 3091-4783, email marcelo@iag.usp.br

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