Professor de jornalismo da ECA integra Conselho da Cidade de São Paulo

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Giuliano Tonasso Galli / Laboratório Agência de Comunicação

O rosto de Eugênio Bucci é conhecido não só pelos alunos de jornalismo do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, para quem o professor ministra, atualmente duas disciplinas: Ética e Especialização em Jornalismo: livro-reportagem. Além das atividades na ECA, Bucci é articulista e escreve quinzenalmente na página 2 do jornal O Estado de S. Paulo. É também colunista quinzenal na Revista Época e atua como colaborador do site Observatório da Imprensa.

Integrou o Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta (TV Cultura de São Paulo) entre 2007 e 2010 e, desde 2009, participa do Conselho Deliberativo do Instituto Vladimir Herzog. Entre 2003 e 2007, foi presidente da Radiobrás – empresa pública do Governo Federal criada para gerir todas as emissoras de rádio e televisão do governo brasileiro espalhadas pelo país.

Desde março deste ano, Bucci tem uma nova função: integrante do Conselho da Cidade, órgão criado pelo novo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, para promover o diálogo entre a administração municipal e a sociedade.

Em 1984, quando era aluno da Faculdade de Direito (FD) da USP, Bucci foi presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto. No ano seguinte, a gestão eleita era presidida pelo atual prefeito de São Paulo e, desde então, os dois conservam uma amizade.

Na entrevista abaixo, o professor Eugênio Bucci fala sobre o Conselho da Cidade e o que espera da gestão do prefeito Fernando Haddad.

LAC: De que forma o senhor acha que pode contribuir com as discussões do Conselho da Cidade?
Bucci: Acredito que posso contribuir como conselheiro se der bons e bastantes conselhos, com independência, clareza e espírito público.

LAC: Atualmente, dentro do Conselho, o senhor se considera um representante da Universidade ou dos meios de comunicação?
Bucci: Eu me considero um jornalista e professor. Não represento ninguém, pois não recebi delegação de ninguém. Fui apenas escolhido pela Prefeitura e acho que meu modo de pensar traduz um pouco dos valores da imprensa livre e também da Universidade.

LAC: A criação do Conselho da Cidade atende a uma das promessas de campanha mais bem aceitas do programa do prefeito. O senhor acha que a sociedade sentia falta desse tipo de representatividade, que permanece ativa mesmo depois do governante ser eleito?
Bucci: A criação do Conselho traz uma abertura que oxigena a Prefeitura, sem a menor dúvida. Passa por ali, pelas reuniões do Conselho, uma infinidade de questões que afetam diretamente a comunidade. Debatê-las nesse fórum ampliado trará elementos novos para o prefeito e também ajuda a manter esse grupo de cidadãos mais informados sobre o que se passa no poder executivo municipal.

LAC: O senhor acha que é possível repetir esse modelo nos governos estadual e federal?
Bucci: Claro que sim. O Governo Federal já tem algo parecido e dá alguns bons resultados.

LAC: O Conselho possui uma diversidade muito grande entre os seus componentes, que inclui até membros da oposição ao atual prefeito. Até que ponto isso realmente engrandece as discussões ou não serve apenas como argumento para avalizar as ações do governo, que normalmente é criticado por não dialogar com a oposição?
Bucci: É muito positivo que haja diversidade dentro do Conselho. O prefeito enxergou essa virtude e apostou nela.

LAC: Recentemente, o Conselho da Cidade teve papel determinante na revogação do aumento da tarifa de ônibus. Como o senhor avalia esse episódio?
Bucci: Não acho que tenha sido tão determinante. O prefeito ouviu também o Conselho, mas ouviu outros prefeitos, ouviu o governador, e tudo isso pesou na decisão acertada que ele tomou.

LAC: Até aqui, qual a sua avaliação da administração do prefeito Haddad?
Bucci: Fernando Haddad é um dos melhores quadros políticos hoje em atividade no Brasil. O começo foi difícil, mas ele está indo muito bem. É professor da nossa Universidade, foi um grande ministro da Educação e tem dado demonstração de que tem capacidade de diálogo e também capacidade executiva. Será um grande prefeito.

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