Alunos são protagonistas em projetos da Comissão Ambiental da Biologia

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Poucos lugares são tão propícios quanto a Universidade para se desenvolver como um espaço de discussão e incentivo ao pensamento crítico sobre os mais variados temas. Quando o assunto envolve desenvolvimento sustentável e conservação ambiental não é diferente, e a USP tem buscado oferecer meios para este diálogo.

No Instituto de Biociências (IB) da USP, por exemplo, está em ação a CamBio (Comissão Ambiental da Biologia). A comissão envolve alunos da graduação e pós, e foi criada em 2009 pela estudante Sheina Koffler e um grupo de alunos. Desde então é voltada às atividades relacionadas à extensão universitária com a organização de palestras e oficinas práticas que levam em conta a conservação e consciência ambiental dentro e fora da USP.

A CamBio atua de forma a complementar à grade curricular do bacharel formado pelo instituto ao tratar dos temas relativos à sustentabilidade. “A Comissão Ambiental da Biologia veio mais para fortalecer e contribuir com a formação dos estudantes. É um espaço que realiza atividades: desde debates sobre temas do meio ambiente à atividades práticas de extensão universitária, como oficinas de compostagem” conta Augusto Bitencourt, um dos membros da comissão e aluno do IB.

O projeto conta com a supervisão dos professores do Departamento de Ecologia, Jean Paul Walter Metzger e Vânia Regina Pivello. “Eles, dentro de ecologia, são os professores mais representativos na área de conservação e sustentabilidade”, continua Bitencourt, justificando a escolha dos docentes. Mas não são somente estudantes desta área que participam do projeto, que é composto, ao todo, por 15 membros. “Estes temas de sustentabilidade estão aí para qualquer tipo de cidadão, para qualquer aluno de biologia”, completa.

Atividades de Cultura e Extensão

 Vinculada à Comissão de Cultura e Extensão Universitária (CCEx), a CamBio recebe apoio da  universidade para a manutenção dos projetos contínuos desenvolvidos pelo grupo, além de  estar presente nos eventos organizados pela CCEx. “A gente tem um vínculo com a Comissão  de Cultura e Extensão, e toda vez que organizamos uma palestra a gente pode estar atrelado com as temáticas propostas por eles, mas temos  espaço para propor ideias novas”, conta Gustavo Satoru, aluno da pós-graduação em  biologia molecular e membro da comissão.

 Como é uma entidade reconhecida pela comunidade do instituto, se integra às atividades do IB para divulgação de ciência e meio ambiente. É o caso do “Bio na Rua” (projeto que vai às  escolas discutir ecologia), a “Semana do Meio Ambiente” (semana temática e que conta com  a organização de palestras, workshops e mesas de discussão) e da produção mensal de artigos para o jornal de circulação interna do instituto “RNA mensageiro” (uma brincadeira com a molécula que traduz o DNA durante a síntese proteica).

Todas as atividades da comissão contribuem para a formação dos participantes de maneira multidisciplinar. Bitencourt conta que, para realizar os projetos, foi preciso desenvolver outras capacidades além das adquiridas pelo conhecimento em sala de aula “A gente acabe desenvolvendo várias competências e habilidades não só relacionadas à biologia, mas também às questões administrativas ou logísticas”. Além, é claro, de estimular o pensar ecológico e viabilizar a discussão entre os membros.

A composteira

Projeto em longo prazo do grupo, a composteira da CamBio mobiliza vários departamentos do IB. Funcionários e alunos já estão acostumados a separar e depositar os resíduos orgânicos nas caixas de coleta da comissão que ficam dentro das copas e cozinhas do instituto. “Para a composteira funcionar, é preciso ter a manutenção semanal. A gente se organiza para que todos possam ajudar na manutenção, que envolve ir até as copas dos departamentos para pegar os resíduos depositados e levá-los à composteira”, explica Satoru.

Para a manutenção de uma leira (um ‘montinho’ composto pelos resíduos e folhas secas), Augusto Bitencourt conta que é necessário que os membros da comissão se organizem para realizar com frequência a revolução do material orgânico. “A gente tem que revolver semanalmente para que o processo de decomposição bacteriana aconteça com mais eficiência”.

O composto orgânico, resultado deste processo, é utilizado nos jardins do IB como adubo. “A ideia era fechar um ciclo de produção de alimentos. Transformar estes resíduos em adubo e utilizá-los aqui no IB”, Augusto Bitencourt conta também que a comissão planeja realizar uma análise química deste material e definir quais são as características do composto produzido, otimizando sua ação e podendo aplicá-lo nas pesquisas do departamento.

Mais informações: site http://www.ib.usp.br/cambio

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