Clínica do Leite da Esalq analisa em Piracicaba 25% do leite nacional

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Desenvolver e disponibilizar ferramentas para o gerenciamento da pecuária de leite visando ao aumento da eficiência financeira da atividade e melhoria da qualidade do leite é a missão da Clínica do Leite, laboratório do Departamento de Zootecnia, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq). Os indícios de sua criação datam de 1980, quando houve a contratação do docente responsável por ele, Paulo Fernando Machado, pois desde aquela década, o professor vem se dedicando à pecuária de leite, inicialmente, na área de nutrição de bovinos de leite e, posteriormente, às análises da qualidade do produto, no então Laboratório de Análises Bromatológicas. Atualmente, a Clínica do Leite, laboratório inaugurado em 1996, vem atendendo cerca de 35 mil produtores.

Criada a partir do projeto “Programa Integrado de Melhoramento da Produção e da Qualidade do Leite”, com recursos provenientes da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Esalq, Instituto de Zootecnia da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado de São Paulo, Associação Brasileira de Criadores, empresas processadoras e produtores, a Clínica do Leite, em função de suas atividades, tornou-se credenciada junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento como um dos laboratórios integrantes da Rede Brasileira de Laboratórios de Análise da Qualidade do Leite – RBQL.

Machado relata que os trabalhos desenvolvidos na clínica tem como objetivo aumentar a eficiência econômica da cadeia do leite por meio da identificação de áreas de ineficiência zootécnica, avaliação da qualidade do leite e da sanidade da glândula mamária. Isto é possível a partir do uso das informações contidas no banco de dados gerado e do laboratório de análise do leite.

“A Clínica do Leite tem trabalhos ou serviços relacionados às análises do leite, de dados zootécnicos e financeiros das fazendas, que enviam essas informações e nós processamos os relatórios. Acompanhamos cerca de 35 mil delas quanto à eficiência de produção e qualidade, pois as indústrias são obrigadas, por lei, a terem o leite de seus fornecedores analisados. Assim, fazemos essas análises, devolvemos o resultado para a indústria, para o produtor/fornecedor e para o Ministério. Os três setores são clientes da ESALQ nesse serviço. Dessa forma, eles ficam sabendo como anda a qualidade do seu leite, se estão atendendo ou não às exigências legais”.

Cerca de 25% do leite nacional, proveniente da região de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso, é analisado na Esalq. “A maior parte do leite consumido aqui em São Paulo, é analisado na Clínica do Leite, porque a produção desses estados é processada e transportada para São Paulo, onde é consumido”, afirma o professor.

De acordo com Machado, três pontos são fundamentais para promover o produto. “Em primeiro lugar, o produtor de leite precisa perceber que a melhoria é importante para toda a cadeia, para todos os interessados. O segundo passo, ele tem que perceber que é capaz de melhorar a qualidade do leite, e para isso é necessário ter informações, profissionais que mostrem a ele que ele tem condições e o que ele tem que fazer para melhorar. O terceiro ponto, é que ele tem que sentir que vai valer a pena investir na qualidade do leite. Se não houver um pagamento por um leite de melhor qualidade, ele não vai investir”.

Para estabelecer um paralelo em relação à importância desse tipo de serviço, Machado comenta que quando formou-se, em 1974, comentava-se que uma vaca produzindo 20 litros de leite seria uma vaca de alta produção. “Hoje temos rebanhos comerciais onde se encontram vacas produzindo de 70 a 80 litros, e toda essa produção precisa ser analisada. Nós caminhamos para o aumento de produção por cabeças para um aumento de concentração de vacas por fazenda. Esse é um caminho já percorrido por outros países, e aqui não vai ser muito diferente”, afirma o docente.

Além das análises, a clínica oferece treinamentos, pois os produtores sentem a necessidade em saber como é que se faz para melhorar a produtividade e a qualidade do leite. “Nessa linha, temos uma série de cursos que oferecemos a produtores e técnicos das indústrias. Somando essas ações de análises e cursos, acabamos tendo acesso a dados da qualidade do leite, dos produtores, das indústrias e de suas dificuldades. A partir desses dados, desenvolvemos novas análises, novas metodologias e novos procedimentos para a melhoria do setor. Estudamos desde o comportamento do produtor, do ordenhador, como também desenvolvemos softwares de diagnóstico para qualidade e produtividade. Todas essas informações acabam gerando pesquisas importantes para a Esalq”, finaliza Machado.

Informações pelo site www.clinicadoleite.com.br , ou pelo telefone (19) 3429-4278 .

Da Assessoria de Comunicação da Esalq

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