Pesquisa da EERP aponta que idosos vivem bem e não deixam de realizar atividades cotidianas

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Camila Ruiz/ Assessoria de Imprensa da EERP

Os idosos estão vivendo bem. Esse é um dos principais achados da pesquisa realizada pela enfermeira Thaís Ramos Pereira Vendruscolo, em estudo apresentado à Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP. Os idosos convivem bem com alguns problemas de saúde, afirmando que não são impedidos de realizar atividades cotidianas.

Com o envelhecimento populacional e maior expectativa de vida, a sociedade precisa de estratégias para enfrentar os desafios sociais e de saúde com relação à qualidade de vida destas pessoas. Com isso em mente, a pesquisadora ouviu essa parcela da população, priorizando a percepção que tem sobre sua própria saúde. “É importante a percepção do idoso em relação à sua vida no contexto social e de saúde, por isso, o estudo teve como finalidade promover o conhecimento sobre a qualidade de vida desta população.”

As informações obtidas devem auxiliar as políticas públicas para benefícios à saúde do idoso, acredita Thaís, “por meio da ação multidisciplinar das equipes de saúde”.

A pesquisa analisou a qualidade de vida, independência funcional e sintomas depressivos dos idosos que vivem em suas residências. Foram entrevistadas 240 pessoas com 60 anos ou mais de ambos os sexos, entre novembro de 2010 e fevereiro de 2011 na cidade de Ribeirão Preto.

O perfil dos entrevistados revelou uma mostra de idade média de 73 anos e com maioria do sexo feminino. Elas moravam com o cônjuge e apresentavam cinco ou mais morbidades, sendo prevalentes a hipertensão arterial, seguida de problemas de coluna, doença vascular, visão e audição prejudicadas. A maioria estava entre a independência completa ou modificada. Na modificada, os idosos necessitavam de ajuda técnica como: alguns acessórios para caminhar, se alimentar, usar o banheiro.

Homens sofrem mais com depressão

Alguns idosos da pesquisa, segundo Thaís, apresentavam doenças crônicas e história prévia de incapacidade. Ela explica que as incapacidades são físicas, psicológicas e sociais. Assim, ele deixa de participar do trabalho e de outros eventos sociais, o que pode aumentar o risco de sintomas depressivos, afetando até a família do idoso que acaba perdendo a autonomia.

O estudo constatou que, ao envelhecer, muitas vezes as pessoas deixam de se envolver em atividades sociais e físicas, o que pode levar o idoso à solidão, tristeza e alteração de humor, interferindo na sua saúde. Thais afirma que “devem ser estabelecidas estratégias para o desenvolvimento de ações saudáveis a essa população, para que a qualidade de vida do idoso melhore”.

Mas apesar dessas dificuldades, a pesquisa pôde demonstrar que, em relação à qualidade de vida, muitos relatam viver bem e, na maioria das vezes, os problemas relacionados à saúde não o impedem de realizar tarefas cotidianas. Fato que o mantém inserido e participativo na sociedade.

Thaís afirma que sua pesquisa mostrou que as ações multidisciplinares das equipes de saúde são essenciais para melhoras na vida do idoso. “A equipe multidisciplinar deve agir em concordância para que as ações sejam organizadas e planejadas visando o restabelecimento da saúde.”

Associadas ao trabalho multidisciplinar dos profissionais da saúde, a pesquisadora afirma ser necessário o incremento de políticas públicas efetivas a essa parcela da população, além da promoção de estratégias preventivas nos serviços de saúde.

A dissertação Qualidade de vida, independência funcional e sintomas depressivos de idosos que vivem no domicílio foi orientada pela professora Rosalina Aparecida Partezani Rodrigues, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, e defendida em janeiro de 2013.

Mais informações: (16) 3602-1300, email thaisvendruscolo@yahoo.com.br

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