“Mundo em Convulsão”: evento debate tensões sociopolíticas contemporâneas

Publicado em Sociedade, USP Online Destaque por em

Foto:George Campos/USP Imagens
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Os movimentos sociais que reverberam desde a crise econômica de 2008 apontam para um colapso nas estruturas organizacionais dos Estados. Guerras, terrorismo, impasses nas políticas públicas. Como isso afeta a formação dos indivíduos e dos governos?

Com inspiração nessas incertezas e no desejo de entender as inúmeras causas que originaram as tensões mundiais contemporâneas, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP promove, nos dias 8 e 9 de outubro, o Simpósio Internacional Um Mundo em Convulsão.

De acordo com o professor da FFLCH e coordenador do evento, Osvaldo Coggiola, o seminário vai discutir assuntos que impactaram a sociedade, tais como as manifestações de julho e junho no Brasil, o terrorismo e a chamada Primavera Árabe, promovendo paralelamente um debate democrático entre a população e os especialistas. “O evento vai se organizar em função dos problemas atuais. Inicialmente, o Brasil ocupava apenas uma mesa e agora serão três ou quatro mesas, em razão dos acontecimentos de julho”, afirma Coggiola.

Pluraridade de temas

Foto:George Campos/USP Imagens
Foto:George Campos/USP Imagens

De acordo com o professor Rodrigo Ricupero, também coordenador do simpósio, mais temas foram sendo agregados à programação conforme iam surgindo pautas de interesse geral. “Vivemos um processo histórico sem precedentes nos últimos anos, com milhares de pessoas indo às ruas lutar por uma democracia efetiva e pelo atendimento de suas reivindicações, tanto nos EUA, como na Europa, e, numa escala ainda mais impressionante, no norte da África e no Oriente Médio, com a derrubada de ditaduras”, explica Ricupero. “Um processo histórico como esse não ocorre a todo momento, então buscamos compreendê-lo em conjunto, daí a amplitude das mesas”, completa.

Um processo histórico como esse
não ocorre a todo momento.

Se antes a prioridade do simpósio eram assuntos de largo alcance, como América Latina e a morte de Hugo Chávez, as mobilizações no Brasil tornaram necessária a inclusão destas manifestações no debate. Assim, o evento cresceu drasticamente: das oito mesas anteriores para as 20 agora previstas.

Tensões no Brasil

Os movimentos que aconteceram no Brasil recebem destaque no evento porque tiveram forte impacto na população como um todo. Além de discussões que procuram esclarecer as insatisfações que levaram às recentes manifestações, também haverá uma mesa de debate que tentará fazer a ligação entre as rebeliões de ruas, os movimentos e as redes sociais. Para essa discussão foram convidados os membros do coletivo Mídia Ninja, Pablo Capilé e Bruno Torturra, que transmitiram grande parte dos confrontos nas redes digitais.

Foto:George Campos/USP Imagens
Foto:George Campos/USP Imagens

Para Coggiola, as reivindicações da população, em sua maioria, estão relacionadas com a ineficácia dos serviços públicos. “O fato de terem aparecido insatisfações ligadas à vida cotidiana, como transporte, saúde e educação é muito significativo”, comenta.

Coggiola ressalva que o seminário não almeja determinar mudanças estruturais para o país, mas sim debater, entender o papel da sociedade nessas inquietações, e como os estudiosos vêem a adesão pública aos movimentos.

É preciso tentar entender e discutir o que esses jovens querem, como enxergam o mundo.

Ele aponta ainda a importância de um evento como este ser realizado dentro na Universidade. “A USP, como universidade pública, tem essa responsabilidade de dar um retorno para a sociedade, de propor debates, esclarecimentos”, afirma. “Mesmo porque a Universidade tem conhecimento que seus alunos estavam ou ainda estão envolvidos com os movimentos sociais de algum modo. Logo, é preciso tentar entender e discutir o que esses jovens querem, como enxergam o mundo. Isso tudo, de um jeito ou de outro, acaba se refletindo aqui dentro”, completa.

Programação

Entre os destaques da programação do primeiro dia estão as mesas “África – uma nova partilha?”; “Europa – Crise Terminal?” e “Israel/Palestina – Conflito sem fim?” Além das mesas reservadas para tratar as manifestações no Brasil e a cobertura nas redes sociais. Já no segundo dia, uma mesa irá tratar sobre o tema “Emancipação das mulheres em um mundo em crise”, enquanto outra traz à tona a problemática dos “Fundos de Pensão – Fim da previdência pública?”.

Segundos os coordenadores, foi marcado mais de um debate para o mesmo horário para que o evento não se estendesse por muitos dias.

A programação completa está disponível no site http://mundoemconvulsao.fflch.usp.br/node/1, onde também é possível realizar as inscrições, gratuitas. Serão fornecidos certificados de frequência.

O endereço da FFLCH é Av. Prof. Luciano Gualberto, 315, Cidade Universitária, São Paulo.

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