Fuvest é porta de entrada para o “sonho possível” de uma vaga na USP

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Neste domingo 132.271 estudantes realizaram, na capital e no interior do estado de São Paulo, as provas da primeira fase do vestibular da Fuvest, um dos mais concorridos do país, e que seleciona aqueles que irão ingressar nos cursos da USP em 2012. A lista de aprovados para a segunda fase e os locais do exame serão divulgados em 19 de dezembro

Confira aqui o caderno de prova, o gabarito oficial geral e o gabarito oficial com correspondência de prova.

O modelo de vestibular como conhecemos hoje, da Fundação Universitária para o Vestibular, a Fuvest, entrou em vigor em 1976. Portanto, esta é a 35ª edição do exame. A mudança mais significativa deste ano é o aumento de 22 para 27 pontos o número necessário de acertos para o candidato não ser eliminado do vestibular.

Desde que a Universidade foi criada, na década de 1930, foram usados diversos modelos de seleção: exames classificatórios e eliminatórios, provas orais e escrita, modelo teste e dissertação, exames separados por faculdades e unificados e medidas que foram incluídas ao longo do tempo, como o teste de redação, as questões interdisciplinares e, mais recentemente, o uso de bônus na nota da prova, lançado em 2006.

Tais modificações procuram um aprimoramento constante no sistema de seleção, sempre visando propiciar o ingresso dos melhores, mas sem deixar de levar em conta as mudanças na sociedade e no ensino – e o contexto maior no qual a USP está inserida. Torna-se, assim, aquele que é o sonho de muitos estudantes que vêm se preparando – o ingresso –  um objetivo possível.

Inclusão: Inclusp e Pasusp

O sistema do Programa de Inclusão Social da USP (Inclusp) atende aos alunos que cursam ou cursaram o ensino médio integralmente em escola pública (Federal, Estadual ou Municipal). Hoje, o acréscimo chega até a 8% da nota que o candidato receber na primeira fase da Fuvest. Para participar, basta o aluno indicar, na ficha de inscrição da Fuvest, a opção de participar pelo programa

Dentro do Inclusp há o Programa de Avaliação Seriada da USP (Pasusp), que concede um bônus a mais ao estudante que também cursou o ensino fundamental inteiro em rede pública. Até o ano passado, o Pasusp só contemplava os alunos que estava cursando o 3º ano do ensino médio. O bônus era de até 3%, variando pelo desempenho do aluno em uma prova à parte da Fuvest. Se somado com o Inclusp, o bônus máximo era de 12%. Para este ano, o bônus pode chegar até a 15% somando-se os dois programas, além de ser aplicado também ao aluno do segundo ano do ensino médio que faz a prova, mas com algumas diferenças.

Segundo o responsável pelo projeto do Pasusp, o professor Mauro Bertotti, do Instituto de Química (IQ) da USP, o objetivo é “estimular este aluno a se inscrever como treineiro para se familiarizar com a prova” e ir mais confiante no próximo ano, já valendo a vaga. O bônus desse aluno do segundo ano pode chegar até 5% e o mesmo é isento da taxa de inscrição. Esse acréscimo fará parte da composição de sua nota no próximo ano, com possilidade de bonificação em até 10% (totalizando os 15% com a soma do bônus de até 5% no segundo ano e de até 10% no terceiro ano).

Este ano, cerca de 21 mil alunos do segundo ano preencheram uma ficha de inscrição com foto datada e assinatura do diretor da escola em que estudam – requisitos para participar do programa. Cerca de 4 mil não se atentaram para a necessidade também de se inscrever na Fuvest, até porque, o Pasusp não questiona o aluno sobre qual carreira optou, o que acontece na ficha de inscrição do vestibular.

Ainda assim, Bertotti comemora a forte adesão dos alunos e acredita que o Pasusp pode, a longo prazo, ajudar a melhorar a educação pública, já que o bônus incentiva o bom aluno de escola pública a permanecer nela, fazendo com que os pais também pressionem o poder público para proporcionar uma educação de mais qualidade.

Questionado sobre possíveis aumentos no bônus o professor explica que depois desta mudança “é preciso aguardar alguns anos o programa se consolidar para depois mensurar o resultado”. Segundo Bertotti, o bônus é uma forma de “dar um empurrãozinho para o bom aluno, que não passaria por pouco, conseguir o ingresso na Universidade”, continuando a premiar o mérito dos estudantes.

Escola Pública

Com tais programas de bonificação, o número total de estudantes oriundos da rede pública na USP tem aumentado. Segundo dados da Fuvest, 33,4% (49.059) dos inscritos deste ano são de origem integralmente de escola pública, enquanto que ano passado foram 28,4% – um aumento proporcional de 5%. O Pasusp colaborou fortemente para tais resultados. No primeiro ano de aplicação do programa, o porcentual de alunos de escola pública aprovados saltou de 26,31% em 2008 para 30,01% em 2009.

Há uma constante busca pela integração da escola com a universidade pública, também para contornar o problema de falta de informação dos alunos sobre a USP. Muitos deles não chegam a ter informações básicas, como a de que a USP é pública e gratuita, e acabam visualizando a entrada como inacessível. Um projeto que tem produzido avanços neste sentido é o Programa Embaixadores da USP, em que uspianos que cursaram anteriormente o ensino público retornam às suas escolas de origem para dar informações sobre a Universidade e falar sobre os programas de acréscimo de pontos no vestibular, isenção da taxa de inscrição e de apoio à permanência estudantil para alunos de baixa renda.

Os protagonistas

Vindo de escola pública ou privada, garra e determinação são lemas que pairam na cabeça de todos os vestibulandos que buscam acesso às melhores universidades do país, como a USP. É o caso Tamara Amanda, 18, que fez o ensino médio em escola pública estadual.  A vestibulanda do curso de Odontologia acredita que os bônus contribuem para o ingresso à faculdade, mas que só isso não adianta.  “Eu acho que ajuda para quem fica por pouco, mas quem não está preparado não consegue passar”.  Mesmo com a pontuação acrescida, Tamara se sente ligeiramente em desvantagem em relação aos seus concorrentes alunos de escolas particulares. A maioria de seus amigos de colégio não prestaram Fuvest.

Ricardo, 18, fez o ensino técnico em escola pública e pretende ingressar no curso de Engenharia de Computação. Ele concorda com Tamara ao afirmar que somente a bonificação não aprova o candidato: “o bônus ajuda, mas quem não sabe nada com certeza não passa”. Apesar de ter feito um ano de cursinho, acredita estar em igualdade com os concorrentes de escola privada.

Pouco antes do início da prova, Heronice da Paz Nascimento Tenório, mãe da vestibulanda de Pedagogia Jaqueline, faz críticas ao ensino que a filha teve em escola pública. Porém, mesmo com as dificuldades, ela se diz confiante no ingresso da filha e afirma que a carreira que escolheu, de professora, é extremamente importante para a sociedade, pois “todas as profissões passam pelo mestre”.

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