Projeto do IPq ajuda idosos a reencontrar o desejo e a saúde sexual

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Foto: Marcos Santos / USP Imagens
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Para uma pessoa saudável, não há limite de idade para a prática sexual. Embora esta pareça ser uma afirmação simples, muitas pessoas que chegam à terceira idade se questionam se continuar pensando em sexo é normal. Outras, por outro lado, acreditam que a perda de desejo é uma consequência natural do envelhecimento e deixam de procurar ajuda para mudar esta situação. “Essa é uma das grandes questões que trabalhamos aqui: a de que a sexualidade é para a vida toda”, afirma a coordenadora do ProSex – Programa de Estudos em Sexualidade, Carmita Abdo.

Criado no Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), onde Abdo também é professora, o ProSex reúne diversos profissionais da saúde, como psiquiatras, psicólogos, ginecologistas, urologistas, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, dedicados ao ensino, pesquisa e atendimento em todas as áreas que envolvem a sexualidade. Um dos temas trabalhados pela equipe é o sexo na terceira idade.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
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Segundo a coordenadora do programa, o idoso hoje está muito interessado em se manter sexualmente ativo, porque a longevidade é uma realidade. “Há algumas décadas, a mulher entrava na menopausa no final da vida. Hoje a mulher vai viver praticamente metade da vida nessa condição, então ela procura saber como continuar sexualmente ativa”, afirma Carmita. Mas é o homem quem mais se preocupa com essa questão ao envelhecer. A psiquiatra conta que entre os homens que procuram o ProSex, dois terços são idosos. Já em relação às mulheres, a questão se inverte: as idosas representam apenas um terço. Essa diferença pode ser explicada pelo tabu que o tema ainda representa para elas e também porque a mulher, quando sai da fase reprodutiva, preocupa-se menos com a sexualidade do que os homens.

Triagem e tratamento

São diversos os motivos – e angústias – que levam idosos a procurar o ProSex. A questão a ser trabalhada pode ter sido originada tanto de uma doença cujas consequências refletiram na prática sexual, como ter um fundo emocional. Também é possível que seja de ordem física, por exemplo, dores musculares que afetam a mobilidade no sexo. É comum que o tratamento envolva todas essas esferas e, nesse sentido, o serviço multiprofissional mostra sua importância.

No momento da triagem, que é o primeiro atendimento realizado, o médico vai avaliar se o programa pode, realmente, ajudar a pessoa ou se o caso deve ser encaminhado a outros profissionais do Hospital das Clínicas. Após essa primeira avaliação, independentemente da situação do paciente, todo homem é encaminhado ao urologista e toda mulher, à ginecologista. “No caso de uma disfunção erétil, por exemplo, se o urologista não identificar nenhuma base orgânica para o problema, então o paciente recebe alta e vai para o atendimento medicamentoso e o tratamento com psiquiatra e psicólogo”, explica Carmita Abdo.

Segundo a psiquiatra, o sexo acaba sendo uma forma de trazer a pessoa para o médico e de cuidar da saúde também em outros aspectos, principalmente em relação aos homens. “Eles vêm para atender a questão sexual, mas nós percebemos outras necessidades e encaminhamos para um tratamento mais geral, da saúde como um todo. Mesmo porque sem saúde física e emocional, ninguém faz um sexo de qualidade”, afirma.

Sem saúde física e emocional, ninguém faz um sexo de qualidade.

A pesquisadora acrescenta que, paralelamente a esse tratamento, os pacientes também frequentam o Espaço Saúde Sexual, voltado à educação sexual de adultos, onde é oferecido um curso de cinco aulas, preparadas de acordo com as necessidades de cada turma. “Tiramos dúvidas, discutimos tabus, preconceitos. Percebemos que esse curso melhora muito o aproveitamento do tratamento dos pacientes”, relata a coordenadora do ProSex.

Informação

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
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O Espaço Saúde Sexual, originalmente, era um serviço que oferecia atendimento por telefone para pessoas com dúvidas envolvendo sexualidade. Segundo Carmita, a demanda foi tão grande que as dez linhas à disposição não eram suficientes para atendê-la. Mesmo mudando a forma de atendimento para o email, era difícil responder a tantas dúvidas. Essa percepção de que o interesse e procura por informação eram muito grandes foi o que levou a pesquisadora a criar dois sites, com o objetivo de divulgar o tema.

O Portal da Sexualidade reúne conhecimentos a respeito da saúde sexual e atende três tipos de público: população em geral, profissionais de saúde e educadores, e médicos. O conteúdo foi planejado levando em conta o interesse e linguagem de cada segmento. Um das seções do portal trata justamente do sexo na terceira idade. Já o Museu do Sexo é um museu virtual que apresenta criações literárias, pinturas, esculturas, lendas, entre outras produções que envolvem a temática sexual.

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