Evento na FAU-Maranhão discute sustentabilidade nas edificações

Publicado em Meio ambiente, USP Online Destaque por em

Sylvia Miguel / Jornal da USP

Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP
Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP

A logística, a eficiência da edificação, o uso racional de recursos naturais e energia, bem como o bem-estar das pessoas, parecem estar no centro das preocupações do arquiteto italiano e urbanista Mario Cucinella. Os conceitos presentes em diversas obras grandiosas do arquiteto foram abordados durante uma palestra que Cucinella apresentou no dia 14 de outubro na unidade Maranhão da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. O arquiteto discorreu especialmente sobre seu projeto Masterplan para San Berillo, que se encontra exposto na seção “Espaço Público” da décima edição da Bienal de Arquitetura de São Paulo.

No auditório da FAU-Maranhão, Cucinella debateu sustentabilidade e conforto urbano, mostrando números sobre as construções em geral no mundo que demonstram a escassez de recursos e de espaços, com a necessidade crescente de edificações cada vez mais inteligentes e eficazes. O debate não poderia ser mais apropriado, num momento em que a décima edição da Bienal busca justamente refletir sobre espaço público e mobilidade, através do tema “Cidade: Modos de Fazer, Modos de Usar”.

A Bienal de Arquitetura de São Paulo, inaugurada no dia 12 de outubro, acontece até 1º de dezembro em diversos locais da cidade, com exposições e debates espalhados por espaços culturais como o Centro Cultural São Paulo, Sesc Pompeia, Masp, Praça Victor Civita, Centro Universitário Maria Antonia, entre outros.

A seção “Espaço Público”, dedicada aos projetos de infraestrutura urbana e à questão das águas, acontece na Praça Victor Civita, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Nesse local, Cucinella apresenta seu Masterplan para San Berillo através de uma série de desenhos.

Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP
Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP

Quando chamado para remodelar o bairro de San Berillo, na cidade de Catânia, região da Sicília, na Itália, o local havia estado por mais de 50 anos em processo de degradação. Cucinella conta que havia sido construído, bem na área central do bairro, um grande e compacto bloco, impedindo a livre circulação, “semelhante a uma ferida bem no centro da cidade”, disse. O local foi todo rearticulado com o atual espaço. Rampas, terraços, pórticos e jardins suspensos alteraram a luminosidade e o bem-estar das pessoas que por lá circulam, mostrou.

Segundo Cucinella, metade da energia na União Europeia é consumida nas edificações. Em 2030, teremos cerca de 50% mais metros quadrados construídos em relação ao que temos hoje, ou seja, dos 143 bilhões de metros quadrados construídos no mundo, haverá um acréscimo de cerca de 73 bilhões de metros quadrados até 2030, disse Cucinella. Além disso, se mantido o atual ritmo de construções, no ano de 2030 teremos um aumento de emissões de dióxido de carbono da ordem de 7,5 gigatoneladas.

Segundo o arquiteto, edifícios mais eficazes são capazes de reduzir algo em torno de 17% das emissões de dióxido de carbono, e só o design de arquitetura é capaz de reduzir 36% dessas emissões. “Com tudo isso, a preocupação com água, energia e sustentabilidade nas construções é uma necessidade”, disse.

Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP
Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP

Além da sustentabilidade, a arquitetura do futuro deverá se preocupar também com a inserção da obra no contexto, de forma a adotar expressões compatíveis com o lugar em que a mesma está inserida, mostrou Cucinella.

Com 20 anos de carreira, o arquiteto, reconhecido por uma arquitetura contemporânea e voltada à sustentabilidade e à inclusão, já recebeu inúmeros prêmios e tem realizado diversos projetos significativos, entre eles, o Centre for Sustainable Energy Technologies em Nigbo, na China, o novo edifício de uso misto do One Airport Square, em Accra, Ghana, o edifício multifuncional em via Santander, em Milão, na Itália, e a estação Villejuif-Leo Lagrange, do metrô de Paris, França, entre outros. Seu escritório, atualmente sediado em Bologna, na Itália, foca especialmente temas energéticos e ambientais, design industrial e pesquisa tecnológica, em colaboração com universidades e programas da Comissão Europeia.

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