Hospital Amigo do Idoso, HU é referência na prevenção de quedas

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Foto: Marcos Santos / USP Imagens
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O Hospital Universitário (HU) da USP é portador do selo Hospital Amigo do Idoso. A unidade vem sendo reestruturada desde o ponto de vista do atendimento, da coleta de exames e tratamento até a organização de campanhas educacionais para melhorar a qualidade de vida desses pacientes.

Para conquistar o selo, é preciso que a instituição possua um grupo dedicado às principais síndromes associadas à essa faixa etária. A principal iniciativa é o Grupo de Prevenção de Quedas. O objetivo é diminuir o risco do idoso cair, reduzindo os fatores de risco. São realizadas atividades diferenciadas dependendo do diagnóstico do paciente. Entre elas encontram-se mudança do hábito alimentar e exercícios físicos – gerais e para fortalecimento específico, como por exemplo, para incontinência urinária – e orientações para melhora da qualidade de sono.

Coordenado pelo médico Egídio Lima Dórea, o grupo nasceu em outubro de 2010. Em 2009, Dórea realizou um projeto junto ao Governo de São Paulo para instalação de praças de prevenção de quedas para idosos. A primeira praça foi construída no Parque da Água Branca e o modelo começou a ser replicado em diversas cidades do estado. A construção da praça no HU foi o ponto de partida para a formação do Grupo de Prevenção de Quedas.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
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“Um ser humano acima de 65 anos é mais propenso a cair do que os demais. Estudos mostram que 30% dos idosos caem no período de um ano. Dos que já apresentaram episódio de queda, 50% voltam a cair no ano subsequente. Quanto maior número de fatores de risco presentes, maior a probabilidade de queda; a diminuição de um fator pode reduzir esse risco”, explica o coordenador.

A queda acontece quando um dos fatores se apresenta em quadro agudo. Os principais são: alterações ósseo-musculares, osteoartrose, deficiências visuais (catarata), perda da propriocepção (capacidade dos tendões e músculos se adaptarem ao ambiente), aumento do tempo de reação, incontinência urinária, depressão, interações medicamentosas, solos inadequados, má iluminação, uso de sapatos com solas muito ou pouco escorregadias, e falta de adaptação do ambiente.

Segundo o médico, “a queda representa um marco na vida do idoso. Depois desse evento, muitos perdem a qualidade de vida e desenvolvem distúrbios emocionais. Portanto, é preciso evitá-la”.

A queda representa um marco na vida do idoso. Depois desse evento, muitos perdem a qualidade de vida e desenvolvem distúrbios emocionais.

Os critérios de inclusão no grupo são: ter acima de 65 anos, ter tido pelo menos uma queda no último ano, ou ter um déficit de locomoção muito importante, que coloque o paciente em alto risco de cair em um futuro próximo. Os participantes são buscados ativamente, ou seja, são encontrados nas enfermarias, ambulatórios e pronto-socorros. As próprias enfermeiras realizam uma triagem e encontram histórico positivo para quedas, ou o médico que está atendendo o paciente pode encaminhá-lo. O grupo é aberto e a consulta pode ser marcada via agendamento no site do hospital.

Passo a passo

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
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O programa se baseia em um conceito multidisciplinar. Quando o paciente chega, ele passa por uma avaliação com a nutricionista, que checa índices de subnutrição, desnutrição e orienta sua dieta. Na segunda etapa, o paciente responde a questionários que ajudarão na análise dos fatores de risco como: histórico de quedas, quando, onde, que período do dia ocorreu o acidente e quais fatores precederam o evento. Esse processo visa verificar sua acuidade visual e auditiva, indícios de osteoporose, depressão, incontinência urinária, alterações no padrão de sono e medo de cair.

Após esse procedimento, o idoso é encaminhado para profissionais específicos que analisarão seus exames (cardiovasculares, neurológicos, entre outros). Passam por fisioterapeutas, que aplicam escalas de marcha e equilíbrio para determinar a presença da força muscular; pela enfermagem, que verifica a adequação postural do paciente; pela área farmacêutica, que é responsável por determinar o histórico completo de todos os medicamentos que o paciente consome e analisar se há alguma interação ou substância que aumenta o risco de queda; e a terapeuta ocupacional, que realiza questionamentos sobre ambiente de risco em casa e no trabalho e correlaciona com a frequência e local das quedas.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
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Depois, os pacientes são direcionados para a atividades específicas relacionadas a seu diagnóstico: exercícios físicos, avaliação fonoaudiológica, psicoterapia, entre outros. O acompanhamento é realizado durante um ano. O paciente é abordado pelo telefone após 30, 45, 60, 120 dias (época em que é feito o retorno ao médico), seis meses e um ano. Ele é questionado sobre a efeitividade das medidas tomadas.

Além do acompanhamento e do tratamento, o grupo realiza, na segunda segunda-feira de cada mês, uma palestra com diversos profissionais para comentar assuntos relacionados ao envelhecimento e apresentação de um filme também focado nesse processo.

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