Estudo da FMRP aponta que idosos “frágeis” têm maior taxa de pressão arterial elevada

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Antonio Carlos Quinto / Agência USP

Pessoas com mais de 60 anos, portadoras da Síndrome da Fragilidade possuem, em geral, pressão arterial mais elevada e apresentam maiores fatores de risco em relação a problemas cardiovasculares. Um estudo realizado na cidade de Fortaleza, no Ceará, envolveu 77 idosos acima de 60 anos e constatou que estas pessoas também apresentam maior circunferência abdominal e colesterol HDL (bom) baixo. “São todos fatores que predispõem a riscos de infartos e acidente vascular cerebral [AVC]”, revela a professora Nereida Kilza da Costa Lima,do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

Nereida orientou a pesquisa de doutorado Avaliação de fatores de risco cardiovascular, com ênfase na pressão arterial, na Síndrome da Fragilidade em idosos, da enfermeira Rachel Gabriel Bastos Barbosa. O estudo integra o projeto Fragilidade do Idoso Brasileiro (Fibra), de abrangência nacional. “Em Ribeirão Preto, o projeto é coordenado pelo professor Eduardo Ferrioli, que também é do Departamento de Clínica Médica”, conta a docente.

Características da síndrome

Nereida explica que a síndrome é ocasionada, principalmente, pela perda das reservas do organismo em pessoas acima dos 60 anos. Com base em definições da pesquisadora norte-americana Linda Fried, da Columbia University (EUA), foram levados em conta os seguintes critérios para a caracterização da síndrome: perda de peso recente do idoso, em média 4,5 quilos ou 5% do seu peso corporal; queixas de cansaço avaliadas por um questionário; testes de força realizados com dinamômetro – aparelho que é fechado com as mãos; questionário que constate baixo nível de atividade física; e cronometragem de tempo em caminhada da distância de 4,5 metros. A professora explica:

“Se a pessoa tiver 60 anos ou mais e apresentar três dos parâmetros, pode ser considerada frágil.”

Entre os 77 idosos analisados, Rachel identificou três grupos. Do total, 23 foram considerados frágeis, outros 23 não-frágeis, e 31 foram identificados como pré-frágeis. “Estes apresentavam um ou dois dos critérios de avaliação”, descreve Nereida. Os três grupos foram comparados pelas medidas de suas pressões arteriais. Uma série foi feita em consultório por Rachel. “Outra forma de medida foi a realizada pelos próprios pacientes, em suas casas com aparelhos semi automáticos”, conta a docente. Os pacientes foram selecionados em domicílios e encaminhados para os exames para ambulatórios, em Fortaleza.

Segundo Nereida, uma terceira forma de aferição usou o sistema MAPA de medida de pressão arterial. “Nesta modalidade, o paciente é monitorado por um aparelho num período de 24 horas. Foi justamente aí que foram encontradas as principais diferenças e foi apontado que a pressão arterial dos idosos mais frágeis era mais alta”, relata a professora. Além da pressão arterial, outros exames de laboratório também foram realizados, revelando que os “frágeis” também tinham a homocisteína mais alta, que é um aminoácido (parte das proteínas) que aumenta quando existem processos inflamatórios, como nos pacientes com cardiopatia e com Alzheimer.

“O estudo mostra uma associação entre a síndrome e os riscos de problemas cardiovasculares, mas não uma relação de causa e efeito”, explica Nereida. “A pesquisa servirá de base para novos estudos”, reforça. Segundo a professora, o combate à fragilidade dos idosos passa pela prática de atividades físicas, alimentação adequada e pelo controle de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, entre outras, que podem agravar o quadro. “Estatísticas de estudos norte-americanos estimam que a síndrome já atinge, no mundo, 46% da população com mais de 85 anos”, conta a docente.

Mais informações: (16) 3602-0002, com a professora Nereida Kilza da Costa Lima, email nereida@fmrp.usp.br

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