Disciplinas do ICMC oferecem formação básica em ciências exatas para alunos de todo o campus

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Fernanda Vilela /Assessoria de Comunicação ICMC

Somente no primeiro semestre de 2013, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, ofereceu 3.512 vagas em disciplinas voltadas aos estudantes das quatro unidades do campus da USP em São Carlos. São as chamadas “disciplinas de serviço”: 15 matérias que dão base para a formação em ciências exatas dos alunos de todas as unidades.

As disciplinas de serviço abrangem as áreas de matemática, computação e estatística, visando propiciar fundamentação teórica para todas as aplicações de ciências exatas. De acordo com a presidente da Comissão de Graduação do ICMC, Renata Pontin, essas disciplinas básicas permitem que os alunos aprofundem seus conhecimentos, além de ser um primeiro contato desses estudantes com o ensino superior, já que as matérias são oferecidas na grade dos primeiros anos da graduação. “Disciplinas como cálculo e geometria analítica são formadoras, pois têm por objetivo preparar o aluno para outro tipo de raciocínio”, explicou.

Entre as disciplinas de serviço mais cursadas por alunos de outras unidades estão Cálculo – que se divide em I, II, III e IV, de acordo com o semestre – Equações Diferenciais, Geometria Analítica, Introdução à Computação e, para os futuros arquitetos, o ICMC oferece a disciplina Matemática para Arquitetura.

A matemática na Engenharia

O filósofo e matemático grego Pitágoras de Samos, pai da palavra matemática (Mathematike, em grego), concebeu e reuniu os sistemas de pensamento que já existiam em diversas civilizações antigas, criando a máxima de que “o número domina o Universo”. Através dos séculos, cientistas investigam e idealizam as leis que regem a natureza. O aperfeiçoamento e a demonstração matemática dessas ideias constituem o conhecimento científico da humanidade. Por isso, engenheiros, físicos, químicos e arquitetos que estão criando o alicerce de suas profissões precisam do cálculo, da geometria analítica, das equações diferenciais e da estatística.

Pontin explica que a engenharia é uma área aplicada que utiliza conceitos da matemática pura. É por meio da união do conhecimento científico e teórico e da lógica de raciocínio que um indivíduo se transforma em um profissional. “Para aproveitar os recursos matemáticos, é necessário um outro tipo de abstração e um raciocínio mais sistematizado e disciplinado”, disse.

As ferramentas matemáticas são aplicadas em ideias gerais dentro de diversos contextos diferentes. O rigor do pensamento matemático tende a ir ao fundo de tudo, mas no ensino da Engenharia não há tempo para isso, e, muitas vezes, a motivação dos estudantes para concluir essas disciplinas acaba ficando comprometida.

O estudante Luis Otávio Marques, que está no segundo ano de Engenharia Civil da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), conta que chegou a ser monitor da disciplina Geometria Analítica durante o primeiro semestre de 2013. “Tinha aptidão na disciplina e consegui ser monitor da turma de Engenharia Elétrica da EESC”, afirmou.

Marques cursou no ICMC, em seu primeiro semestre de curso, três disciplinas: Introdução à Ciência da Computação, Cálculo I e Geometria Analítica. No segundo semestre, foram mais três: Álgebra Linear e Equações Diferenciais; Linguagens de Programação e Aplicações; e Cálculo II. E no terceiro semestre, duas disciplinas: Cálculo III; Métodos Numéricos e Computacionais I. Atualmente, ele está no quarto semestre e continua frequentando o ICMC, agora como aluno de Estatística, Cálculo IV e Métodos Numéricos e Computacionais II.

Ele diz que, apesar das más impressões que geralmente os estudantes de outros cursos têm dessas disciplinas básicas, o rigor matemático e a lógica computacional fornecem aptidões úteis no dia a dia. “A matemática, em especial no ensino superior, tem a capacidade de desmistificar certas impressões, provar outras e estabelecer os critérios para que algo possa ou não ocorrer”, comentou Marques.

Esse cenário reforça a importância do papel do ICMC que, além de oferecer as disciplinas de serviço para as outras unidades, também possibilita que os professores orientem projetos de iniciação científica dos estudantes de todo o campus. Muitos alunos que se destacaram em outras unidades com projetos de pesquisa receberam orientação de professores do Instituto.

Esse foi o caso de Guilherme Mazanti, que se formou em Engenharia Elétrica pela EESC no final de 2011. Ele foi orientado pelo professor do ICMC Hildebrando Munhoz Rodrigues em dois projetos de iniciação científica – “Análise e Integral de Lebesgue” e de “Álgebra Linear e Análise Funcional”. Para Guilherme, esses projetos o ajudaram a ter uma base sólida em matemática e contribuíram muito para que fosse estudar na França, onde ficou por dois anos e meio. Nos últimos três meses do curso, ele desenvolveu um estágio em Controle de Sistemas Dinâmicos, que foi premiado recentemente pela École Polytechnique, instituição em que realizou seus estudos.

Guilherme teve os primeiros contatos com a pesquisa científica por meio dos projetos realizados no ICMC e acredita que o sucesso obtido na França esteja ligado à relação que estabeleceu com os professores do Instituto. “Tenho um carinho muito especial por diversos professores do ICMC. Além de me ensinarem matemática nos meus primeiros anos de graduação, sempre me forneceram uma grande motivação para aprofundar os estudos nessa área”. O agradecimento especial vai ao professor Hildebrando. “Ele me apresentou o programa de duplo diploma da École Polytechnique, além disso, Hildebrando se dedica muito a seus alunos de iniciação científica, isso sempre me serviu como motivação”, concluiu Guilherme.

Base na formação dos químicos

O presidente da Comissão de Graduação do Instituto de Química de São Carlos (IQSC), Sergio Paulo Campana Filho, durante a comemoração dos 40 anos do IQSC, reconheceu a importância do ICMC na formação dos químicos. Segundo o docente, para a compreensão dos fenômenos da química, é indispensável a participação da modelagem matemática. “A estrutura curricular do químico que nós formamos aqui no campus de São Carlos tem uma sólida base em matemática”.

Campana, que também se graduou no IQSC e teve aula com professores do ICMC, comenta que, hoje em dia, o número de disciplinas de serviço foi reduzido se comparado com a estrutura curricular do passado. “O número de créditos diminuiu, mas ainda assim ocupa uma parte muito importante naquilo que a gente delimita como núcleo básico da formação”, disse.

O professor conta ainda que, além da formação básica da química, a matemática também está presente no alicerce acadêmico do físico e em outras carreiras. “Estamos falando de ciências exatas, mas a própria abordagem que a matemática propicia ao intelecto humano é parte formativa, inerente na formação do ensino superior”.

Dedicação reconhecida

A professora do ICMC Lourdes de la Rosa Onuchic foi homenageada durante as comemorações dos 40 anos do IQSC. Sua dedicação desde o início do curso de Bacharelado em Química foi reconhecida pelos dirigentes da Instituição.

A professora Maria Teresa do Prado Gambardella, que faz parte da comissão que organiza as comemorações dos 40 anos do IQSC, comenta a importância que a professora do ICMC teve desde a criação do Bacharelado em Química. “Ela contribuiu muito para o nosso curso, ministrando disciplinas da matemática que são fundamentais na formação dos químicos”.

Onuchic, hoje já aposentada, participou diretamente da escolha das disciplinas presentes na grade curricular do Bacharelado em Química do IQSC. A docente lembra com carinho da época em que lecionava. “Eu sempre vi cada aluno meu como se fosse um filho. Fico feliz com essa homenagem, pois todos os alunos que tive foram filhos que passaram pela minha vida”, finalizou.

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