Simpósio internacional no MAC discute arte e educação em espaços culturais

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Leila Kiyomura/ Jornal da USP

Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP
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Professora Kátia Canton durante Simpósio no MAC

“Espaços da Mediação: a arte e seus públicos” é o tema do segundo Simpósio Internacional Estratégias do Ensino da Arte Contemporânea em Museus e Instituições Culturais. Sob a coordenação do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, o evento reuniu, entre os dias 5 e 8 de novembro, professores, pesquisadores, críticos e artistas em um amplo debate sobre a arte e educação iniciado na primeira edição.

“No ano do seu 50⁰ aniversário e em plena instalação de sua nova sede, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo prossegue em sua meta de consolidar-se como um espaço universitário voltado para a pesquisa e a extroversão de seu acervo tão significativo”, observa o diretor Tadeu Chiarelli. “Dentro dessa atividade, projetar e levar a público a segunda edição desse simpósio internacional é certificar que o MAC está no caminho correto, no sentido de potencializar o debate acadêmico para a esfera coletiva.”

O evento tem a organização de Carmen Aranha e Katia Canton, professoras do Programa de Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte (PGEHA) da USP. Explicam que, após o primeiro simpósio, a discussão sobre mediação de arte nos espaços culturais ganhou novos contornos. E destacam a importância do MAC como um espaço propício às questões que nutrem o debate sobre os sentidos da educação da arte contemporânea. “Na primeira edição do simpósio, realizada em 2011, foram priorizadas as reflexões sobre conceitos e estratégias vigentes nos diversos museus e espaços culturais da cidade”, explica Carmen. “Agora, o foco é o visitante, o espectador da obra de arte e a necessidade de cooptar o público e proporcionar o seu acesso ao patrimônio cultural.”

Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP
Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP
Monica Nador, Hannes Neubauer e Kátia Canton

Pesquisadoras e curadoras das exposições do MAC, Carmen e Katia argumentam que é preciso dar as ferramentas necessárias para que o público possa se aproximar da obra de arte e criar uma relação vivencial com os seus significados. “Quando falamos em arte, falamos, antes de tudo, de uma faculdade intrínseca ao ser humano que é a da fruição estética: há uma potencialidade da criação simbólica que ativa a emoção, a memória e a imaginação”, orienta Katia. “Além disso, as novas propostas metodológicas, no campo da educação da arte em museus e instituições culturais, abarcam formas de ativação do espectador como um cocriador da interpretação artística. Nossa principal intenção é colocar o espectador no centro do debate como um ser autônomo e plenamente equipado para relacionar-se com o objeto artístico.”

Carmen e Katia pontuam a instalação do MAC em sua nova sede com 13 mil metros quadrados dedicados à arte contemporânea, um espaço dez vezes maior do que a sede na Cidade Universitária. “Lá, a equipe da Divisão de Educação recebe diariamente a comunidade em geral e o público escolar, tanto do ensino formal quanto do informal, além de universitários, professores, coordenadores e pesquisadores em arte.”

Os educadores do MAC USP – Andrea Amaral Biella, Evandro Carlos Nicolau, Maria Angela Francoio, Renata Sant’Anna, Silvia Miranda Meira e Sylvio Coutinho – participam do simpósio apresentando os trabalhos desenvolvidos dentro da instituição. “Lembramos que a Divisão Técnico-Científica de Educação e Arte do MAC USP, coordenada por Evandro Carlos Nicolau, tem uma longa tradição na constituição do pensamento e de metodologias do ensino da arte em museus, onde as ações educativas estão presentes desde 1963”, salienta Carmen.

Educar para a arte

Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP
Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP
Ana Amália Barbosa

A experiência pioneira no Brasil em arte-educação de Ana Amália Barbosa com alunos que apresentam lesões cerebrais abriu a programação na terça-feira, dia 5. A professora apresentou o método que foi pesquisando e desenvolvendo para estimular as crianças à arte. “Antes de começar, quero deixar claro que, apesar de meus alunos terem paralisia cerebral, ou, melhor dizendo, terem lesões cerebrais, ou mais modernamente falando, encefalopatia congênita, não sou arte-terapeuta, não faço nem pretendo fazer arte-terapia”, esclareceu Ana. “Sou arte-educadora e o que eu faço é arte-educação. Porém, acredito que todo fazer artístico tem função terapêutica.”

O segundo Simpósio Internacional Estratégias do Ensino da Arte Contemporânea em Museus e Instituições Culturais reuniu o trabalho dos professores e pesquisadores das principais universidades e centros culturais do País, como o Instituto de Artes da Unesp, Instituto Tomie Ohtake, Fundação Bienal de São Paulo e do Programa Nacional Biblioteca da Escola-Professor do Ministério da Educação. Importante também a presença dos convidados internacionais como o artista alemão Hannes Neubauer, que desenvolve projetos em arte pública, o escultor e editor da revista Public Art Review, o norte-americano Jack Becker, e os artistas e pesquisadores alemães Jean Kirsten e Sabine Fichter.

Mais informações pelo site: http://200.144.182.130/pgeha/index.php/programacao.

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