Estudos reunidos em lançamento evidenciam a arquitetura como patrimônio da história

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Leila Kiyomura / Jornal da USP

“Na história das políticas de preservação no Brasil, a arquitetura, ao lado das belas-artes, ocupa um lugar hegemônico. Como se sabe, aliás – assim como na historiografia especializada –, os universos das assim chamadas artes menores, decorativas ou populares, e os processos materiais de sua produção, foram sistematicamente menosprezados, insuficientemente documentados e valorizados.” Com essa observação, os arquitetos e professores João Marcos Lopes e José Lira, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, abrem a reflexão sobre a arquitetura como patrimônio cultural no livro Memória, Trabalho e Arquitetura, que está sendo lançado pela Editora da USP (Edusp) e pelo Centro de Preservação Cultural (CPC), também da USP.

Lopes e Lira reuniram as pesquisas apresentadas no simpósio Memória, Trabalho e Arquitetura, promovido há quase três anos pelo CPC. “Na ocasião, as comunicações reunidas foram divididas em quatro mesas sucessivas, debatidas publicamente, a partir dos comentários lançados por cada um dos quatro moderadores convidados, importantes especialistas da área, com inúmeras contribuições ao desenvolvimento das temáticas e abordagens aqui contempladas”, esclarecem os professores. “A ideia foi refletir coletivamente sobre o estado da arte nesse campo a partir da discussão de estudos monográficos recentes, capazes de sugerir caminhos possíveis para a pesquisa histórica, a crítica historiográfica, a reflexão teórica e as ações de preservação.”

O trabalho coletivo que resultou na publicação, segundo os organizadores Lopes e Lira, traduz um desejo comum de aproximar esforços, perspectivas e preocupações na produção acadêmica em patrimônio cultural, história da arquitetura, da arte, da urbanização, da técnica e da história social do trabalho. “A aposta aqui consignada é que olhares a princípio tão diversos para o mundo edificado possam vir a colaborar na constituição de uma escrita da história e do patrimônio da arquitetura brasileira que não desconsidere as relações de produção nem os ofícios práticos que a conformam, apontando para outras articulações entre pensamento e ação, teoria e prática, técnica e política.”

Mais informações: site http://www.edusp.com.br/detlivro.asp?id=413988

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