Documentário com participação da ECA mostra outras faces de Inezita Barroso

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Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Há mais de 30 anos à frente do programa Viola, minha Viola, na TV Cultura, a apresentadora Inezita Barroso mostra que ainda há muito a ser descoberto sobre ela no documentário Inezita Barroso – A Voz da Viola, dirigido por Guilherme Alpendre, ex-aluno da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.

O lançamento do filme aconteceu no dia 21 de novembro, na Biblioteca Brasiliana Guita José Mindlin, coroando um projeto iniciado em 2007 na disciplina “Documentários em Vídeo”, do curso de jornalismo, e que contou com o apoio do professor Renata Levi e demais alunos da turma. De acordo com ele, foram muitos os colaboradores, entre alunos de jornalismo e audiovisual da ECA e alunos da PUC, além do apoio oficial da Tv Cultura.

Inezita – A Voz da Viola

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

O documentário, construído ao longo de seis anos, mostra de forma sensível a carreira de Inezita, hoje com 88 anos. Alpendre conta que sempre nutriu forte admiração pela  apresentadora, não só por sua relevância na televisão, mas também pelos seus trabalhos  anteriores e que poucos conhecem. Além de mesclar depoimentos da cantora e imagens  de arquivos, a produção também conta com entrevistas dos músicos Paulo Vanzolini e  Tinoco e dos atores Ruth Souza, Renato Consorte e Paulo Autran.

 Amei de paixão. Me fez chorar, me fez dar risada. E ainda tem muito o que fazer com  a nossa música paulista.

O vídeo resgata outras faces da cantora e compositora de música caipira. Inezita também  foi atriz de filmes como Ângela, de Tom Payne e Abílio Pereira de Almeida, e Mulher de  Verdade, de Alberto Cavalcanti. “Faz 33 anos que ela apresenta o Viola, Minha Viola. Ou  seja, quem tem 50 anos a ouve neste programa desde os 17. São quase duas gerações que só conhecem esse pedaço da vida dela, e eu queria ajudar a divulgar tudo o que ela fez antes: cinema, televisão, gravações de música popular”, diz Alpendre.

Inezita, que estava presente na exibição do documentário, assistiu ao filme pela primeira vez no dia do lançamento. “Amei de paixão. Me fez chorar, me fez dar risada. E ainda tem muito o que fazer com a nossa música paulista”, conta. “Fiquei muito emocionada”, completa.

Mãos à massa

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

O contato com Inezita e sua colaboração para a realização do filme foram surpreendentes, segundo Alpendre. “Eu falei: ‘ó, o pessoal da TV Cultura falou que só faz o documentário se a senhora assinar e se comprometer a fazer’. E ela só respondeu: ‘Assino.’”, relembra o diretor.

Apesar disso, nem tudo foram flores. De acordo com o diretor, a produção foi intensa, dada a grande quantidade de material de arquivo. Os envolvidos no projeto, segundo Alpendre, foram à TV Cultura duas vezes por semana durante seis meses para assistir aos vídeos do programa e anotar tudo o que era relevante.

A imagem de arquivo no Brasil, como um todo, é muito mal tratada e muito mal valorizada.

Fora o trabalho de garimpo, havia ainda um outro problema: a condição em que se encontravam os arquivos. “A imagem de arquivo no Brasil, como um todo, é muito mal tratada e muito mal valorizada”, critica. “É muito difícil trabalhar com esse material porque temos que lidar com arquivos muitos ruins e eu não estou falando de arquivos da década de 70, não. Me refiro ao conteúdo dos anos 2000.”

Guilherme Alpendre, porém, ressalta que os ganhos do trabalho vão além da satisfação de vê-lo concluído. Para ele, do encontro com Inezita nasceu uma amizade que se deixa transparecer um pouco no filme e uma confiança que é a base para que esse trabalho tenha acontecido. “Se não fosse pela generosidade de Inezita, que cedeu horas e horas da vida e do tempo dela para que gravássemos, nada disso seria possível.”

Serviço

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

O documentário foi disponibilizado gratuitamente no site do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), uma vez que o projeto não tem fins lucrativos.

O filme foi realizado com recursos da Secretaria de Audiovisual do Ministério da Cultura, e apoio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da USP, da ECA e da TV Cultura, além de recursos próprios empregados pelos envolvidos na produção do filme.

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