Estudo da Poli propõe metodologia para compartilhamento de dados de transportes

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Valéria Dias / Agência USP de Notícias

O transporte rodoviário de produtos perigosos (TRPP) têm aumentado no Brasil nos últimos tempos. Junto com este aumento, têm crescido também o número de acidentes. Foi essa demanda que motivou a bióloga Janaína Bezerra Silva a pesquisar o tema em sua dissertação de mestrado pela Escola Politécnica (Poli) da USP. No trabalho, ela propõe uma metodologia para o compartilhamento de dados espaciais referentes a acidentes do setor. Dados espaciais são aqueles atrelados a informações geográficas como ruas, bairros, CEP ou quilometragem de rodovias.

Segundo Janaína, o estudo é o primeiro passo para a elaboração de uma Infraestrutura de Dados Espaciais (IDE), sistema que reúne dados de diversas instituições que atuam no setor de TRPP e que possa ser compartilhado com toda a sociedade. “O IDE vem para unir os bancos de dados das instituições do setor por meio de acordos institucionais”, explica a pesquisadora.

A dissertação Aplicação da teoria de análise de rede social e proposta de um esquema conceitual para desenvolvimento de uma infraestrutura de dados espaciais para transporte rodoviário de produtos perigosos foi apresentada no dia 10 de dezembro de 2012, sob a orientação da professora Ana Paula Laroca e co-orientação dos professores José Alberto Quintanilha e Mariana Giannotti, além da colaboração técnica, no esquema conceitual, do aluno de iniciação científica Ricardo Lisboa.

A pesquisa integra um projeto maior, coordenado pelo professor Quintanilha, denominado Proposição de uma infraestrutura de dados espaciais para prevenção, monitoramento e atuação em acidentes rodoviários envolvendo o transporte de produtos perigosos no complexo Anchieta-Imigrantes (SP). A ideia é, via acesso remoto, constituir um portal que auxilie o gerenciamento dos dados, dos riscos e dos acidentes envolvendo o setor.

(Leia mais sobre esse projeto em Portal vai reunir dados de transporte de produtos perigosos)

De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), produto perigoso é aquele que representa risco à saúde das pessoas, ao meio ambiente ou à segurança pública, como explosivos, líquidos inflamáveis, gazes e corrosivos, entre outros.

A troca de informações entre o setor é necessária pois após um acidente rodoviário envolvendo o transporte de produtos perigosos, os gestores precisam tomar decisões rápidas e eficazes como: onde as pessoas envolvidas serão realocadas; caso o produto perigoso afete uma rede hidrológica é preciso suspender o fornecimento; necessidade de montar uma rota alternativa para os outros veículos, entre outras questões”, exemplifica a pesquisadora. “No caso de produtos perigosos, é preciso ainda saber as consequências da exposição do produto ao meio ambiente. Quando o acidente envolve gás, ele pode explodir; com a gasolina e o álcool, pode haver queima ou risco de contaminação do ambiente. Trata-se de um trabalho pós acidente, mas que também apresenta caráter preventivo”, completa.

A bióloga aplicou um questionário presencial a profissionais de 39 órgãos estaduais, federais e do setor privado, além de autarquias que estão, de alguma forma, envolvidas com o setor de transporte rodoviário de produtos perigosos, como a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), a Polícia Rodoviária, o Corpo de Bombeiros, e a Associação Brasileira das Indústrias Químicas (Abiquim). O objetivo foi diagnosticar quais são as instituições que mais compartilham e as que mais recebem informações sobre a ocorrência de acidentes. Janaína constatou que a Cetesb, a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Rodoviária são as instituições que mais compartilham informações entre si sobre acidentes envolvendo o TRPP.

Esquema conceitual

Janaína explica que o diagnóstico da articulação entre as instituições para compartilhamento de dados foi o primeiro foco do trabalho. O outro enfoque foi analisar as políticas e acordos institucionais vigentes no setor. De acordo com a pesquisadora, já existem algumas resoluções que obrigam que as secretarias estaduais cedam dados envolvendo acidentes de transporte de produtos perigosos quando solicitado por outras instituições. “As instituições anseiam por compartilhar dados, mas é necessário pedir formalmente, o que demanda tempo”, afirma a pesquisadora.

O terceiro foco do trabalho foi a proposição de um esquema conceitual de dados espaciais que possa ser usado para implantar uma infraestrutura de dados espaciais (IDE) para a área de TRPP. “Neste esquema conceitual, propomos quais dados dos mapas são importantes para a implantação da IDE, como excesso de veículos nas estradas, traçado de rodovias, trechos em que os acidentes são recorrentes, dados das câmeras, localização das bases operacionais da Polícia Rodoviária, guinchos, pontos de descanso para caminhoneiros, declividade da pista, alerta meteorológico para identificar áreas de neblina, áreas sujeitas a deslizamento, etc”, finaliza a bióloga.

Mais informações: email jnn.bzrr@gmail.com, com Janaina Bezerra

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