Acolhe USP ajuda comunidade a superar problemas com álcool e drogas

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Foto: Marcos Santos / USP Imagens Funcionários do Programa Acolhe-USP
Foto: Marcos Santos / USP Imagens Funcionários do Programa Acolhe-USP

A sustentação dos pilares da Universidade – ensino, pesquisa e extensão – não depende apenas de atividades acadêmicas. Fatores sociais e humanos são fundamentais para propiciar a alunos, docentes e funcionários condições para fazer cumprir os propósitos da instituição e é nessa dimensão que atua a Superintendência de Assistência Social (SAS) da USP.

O Acolhe USP é um dos programas desenvolvidos pela Divisão de Promoção Social do SAS, que surgiu na tentativa de unificar as iniciativas que já existiam dentro da USP em relação ao tratamento de dependentes químicos. O superintendente Waldyr Antonio Jorge conta que existiu durante seis anos uma comissão de política de enfrentamento ao uso de álcool e outras drogas que deu origem ao Acolhe USP, criado no final de 2012. “Hoje, o programa segue seu caminho natural e está fazendo seus desdobramentos”, afirma.

A centralização do atendimento permitiu entender melhor a situação dentro da comunidade. Segundo a assistente social e coordenadora administrativa do programa, Marília Zalaf, percebeu-se que havia vários tipos de iniciativa na USP, mas que não seguiam a mesma linha nem conversavam entre si. “Então nós juntamos as pessoas e unificamos as propostas de tratamento pra que fosse possível ter uma fotografia correta da situação”.

Para a coordenadora, que é especialista na área de drogas no meio estudantil, o cenário dentro da USP não é diferente do que a sociedade em geral apresenta. “O problema não é na USP, é na sociedade. A cada dia a gente vê que a situação se agrava e o que acontece aqui dentro é apenas o reflexo”, acredita. O fato do problema com álcool e drogas ser associado à universidade, segundo Zalaf, pode ser atribuído à faixa etária dos alunos que a frequentam.

Equipe de trabalho e tratamento

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Atualmente, o programa conta com dois assistentes sociais, dois enfermeiros e dois estagiários de psicologia. Eles se revezam em plantões e fazem atendimentos das 7 às 19 horas. O chamado “acolhimento”, como os membros preferem tratar esse processo, procura se desvincular de qualquer caráter médico. É o que explica o psiquiatra e coordenador clínico do programa, Márcio Eduardo Bergamini Vieira. “Muitos dos nossos clientes preferem não ter contato com o médico. O médico, às vezes, é uma figura de autoridade, ainda mais em psiquiatria. Por isso nossa estrutura de base não é voltada para o atendimento médico inicial.”

O coordenador revela que, após o acolhimento, a equipe multiprofissional pode solicitar, eventualmente, uma consulta médica. Para isso, o programa conta com parcerias com o Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC), com o Hospital João Evangelista, e com o Hospital Universitário (HU), onde há três psiquiatras que também atendem pelo programa. Se for detectada necessidade de uma intervenção ainda maior, o paciente pode ser encaminhado para uma internação psiquiátrica. No entanto, o médico ressalta que ela acontece apenas se o atendimento ambulatorial não apresentar resultados satisfatórios. “Às vezes ficamos com a ideia de que, se estou fazendo um tratamento pra álcool e drogas, a única alternativa que eu tenho é a internação. Na verdade, a última alternativa de tratamento é a internação”, afirma.

Segundo Vieira, cada pessoa deve ser vista individualmente, pois as próprias motivações para o uso de substâncias psicoativas são diferentes. “Se simplesmente passarmos a mesma receita pra todos, o programa não vai dar certo. Alguns têm dificuldade de socialização, outros querem esquecer os problemas. Se até as motivações desses indivíduos são diferentes, o tratamento também deve ser”, ressalta. O médico também lembra que o primeiro passo do tratamento é a conscientização do indivíduo, ou seja, ajudá-lo a perceber os prejuízos que a droga lhe causa. Sem essa consciência, pontua, os medicamentos não têm eficácia e, mesmo que haja uma internação, a chance de recaída é muito grande.

Perspectivas e nova sede

Foto: Marcos Santos / USP Imagens Futuras instalações do Programa Acolhe-USP
Foto: Marcos Santos / USP Imagens Futuras instalações do Programa Acolhe-USP

Com o ingresso de calouros neste começo de ano, o programa ganha novo fôlego. Segundo a coordenadora administrativa do Acolhe USP, Marília Zalaf, esse período é crítico, principalmente devido às festas universitárias onde muitos jovens tem uma oferta grande de substâncias. O objetivo é disparar uma campanha de conscientização, evitando problemas maiores no futuro. A ideia, completa Marcio, é estar ao lado dos alunos e mostrar disponibilidade para ajudar. “Nossa intenção não é bancar aquele tio chato que vai te proibir de consumir qualquer coisa. Mesmo porque nós temos a total compreensão de que esse tipo de conduta jamais funcionaria”, acredita.

Embora relativamente recente, o programa está prestes a dar um passo importante neste ano: uma nova sede. A intenção é que as novas instalações estejam prontas já em março. Com este novo espaço, a equipe terá mais facilidade e capacidade de atendimento. Segundo o coordenador clínico do Acolhe USP, seria interessante ampliar ainda mais a equipe multiprofissional, uma vez que as demandas são também muito diversas. “Pra quem não tinha nada alguns anos atrás, a estrutura que nós temos hoje é fantástica, mas isso não significa que nós vamos parar por aqui.”

Serviço

Toda comunidade universitária pode participar do Acolhe USP, tanto alunos como docentes e funcionários. O programa atende de segunda a sexta-feira, entre 7 e 19 horas, em uma sala localizada no lado externo do prédio anexo da SAS, na Rua do Anfiteatro, 295, Cidade Universitária. O telefone é (11) 3091-8345, email acolheusp@usp.br. Não há necessidade de agendamento para a primeira consulta.

A nova sede será na Av. Afrânio Peixoto, próximo à portaria 1 da USP.

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